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Sambo e Samboto correm o risco de isolamento

Tatiana Marta | Chicala Choloanga

A ligação rodoviária entre a vila da Tchicala-Tcholoanga, município com o mesmo nome, a as comunas do Sambo e Samboto, corre o risco de ser interrompida devido ao mau estado da estrada, alertou a administradora Luísa Ngueve.

População do Sambo e Samboto pedem a reabilitação urgente das vias de acesso para facilitar o escoamento de bens
Fotografia: Francisco Lopes

A via, com pouco mais de 142 quilómetros, está totalmente degradada. Os percursos são feitos apenas de moto e com muito sacrifício chega-se àquelas localidades, através do pagamento de valores exorbitantes.
Os habitantes da região contam que a estrada nunca sofreu qualquer obra de restauro e com as chuvas tornou-se cada vez mais intransitável, com enormes buracos e ravinas a cortarem vários troços da via.
Devido ao estado da estrada, as duas comunas estão privadas de quase tudo. As populações têm dificuldade em adquirir bens de primeira necessidade, porque os poucos motoqueiros que aceitam viajar até lá cobram preços muito altos por corrida, devido ao mau estado da via.
A administradora municipal da Tchicala-Tcholoanga confirmou que esta situação cria entraves ao crescimento socioeconómico da região, impedindo o escoamento dos produtos agrícolas para os principais mercados.
Luísa Ngueve garante que o Governo traçou directrizes com vista à recuperação da estrada nos próximos meses, para permitir que os autocarros e demais viaturas possam atingir as sedes das duas comunas. “Temos muitos produtos a estragarem-se nas zonas rurais devido à falta de transporte para o seu escoamento para a sede. O percurso está muito mau e precisa de reabilitação urgente”.
Apesar de alguns constrangimentos provocados pela irregularidade das chuvas, o município teve uma boa colheita de milho, feijão, soja e outros produtos.

 Camponeses associados

Os agricultores e camponeses pedem mais apoio em sementes, instrumentos agrícolas, fertilizantes, tractores e gado para tracção, assim como para a criação de associações, substituindo paulatinamente as lavras familiares, para o aumento da produção, no âmbito do Programa de combate à fome e à pobreza.   Além disso, precisam da reabilitação das vias de acesso, para possibilitar o escoamento dos produtos agrícolas e o transporte dos materiais necessários para a construção de escolas, postos de saúde e sistemas de fornecimento de água potável e energia eléctrica.
A administradora da Tchicala-Tcholoanga garantiu que estão a ser erguidas mais de 200 casas sociais, que vão ser entregues aos beneficiários assim que estiverem concluídas.
                                                                                                                        
Água e luz

A falta de água potável e energia eléctrica é outro problema que afecta as populações locais. Só na sede do município funciona um grupo gerador, com capacidade de 20 kva, que assegura a iluminação pública durante poucas horas.
“Temos previsto construir mais sistemas de captação, tratamento e abastecimento de água e ­furos a partir do Rio Cutato”, disse a administradora, acrescentando que os dois sectores estão entre as prioridades definidas para a rápida recuperação do município.
A meta, acrescentou Luísa N­gueve, é construir mais sistemas de abastecimento de água nas comunas, ombalas e povoações.
“O nosso desejo é alargar cada vez mais a rede de distribuição, para evitar o consumo de água proveniente directamente dos rios, e expandir os serviços de saúde em locais de maior concentração populacional”, explicou.

Fuga de professores


A fuga de professores que trabalham nas escolas das aldeias, povoações e comunas do município também está a preocupar a administração. De acordo com Luísa Ngueve, muitos professores, principalmente do ensino geral, quando vão de férias já não regressam e deixam os alunos sem aulas.
“Muitos dos que participam em concursos públicos do sector da Educação fazem-no apenas para adquirirem um número e depois procuram outras oportunidades na cidade do Huambo ou fora da província”.
O município da Tchicala- Tcholoanga tem 1.989 professores e mais de 26 escolas de construção definitiva, mas necessita de mais salas de aula, para responder a procura. 
Luísa Ngueve garante que está previsto apetrechar as escolas comunitárias e melhorar as condições dos professores que leccionam nas comunas e aldeias distantes dos centros urbanos, para evitar a fuga de quadros.

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