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Sanatório de Sacavula precisa de mais medicamentos

Arnardo Sapalo | Dundo

O sanatório de Sacavula, na Lunda Norte, precisa urgentemente de mais medicamentos e material gastável, para melhorar a assistência aos pacientes internados na referida unidade sanitária.

Muitos doentes internados no Sanatório de Sacavula recebem alta mesmo sem apresentarem melhoras por falta de fármacos
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

O facto foi dado a conhecer terça-feira ao governador Ernesto Muangala, que efectuou uma visita relâmpago à unidade sanitária, vocacionada ao tratamento de doentes com tuberculose e outras doenças infecto-contagiosas, na sequência das reclamações apresentadas pela população.
O governador da Lunda Norte, médico de profissão, afirmou que não gostou do que constatou e muito menos do que ouviu dos próprios doentes, tendo realçado, como principal inquietação, a falta de medicação.
“Não gostei do que constatei e ouvi dos próprios pacientes aqui internados e isso leva-me a classificar a situação do Hospital Sanatório de Sacavula não só como preocupante, mas também triste, porque não há medicamentos para o tratamento da doença”, afirmou o governante, acrescentando que os doentes estão há mais de duas semanas sem medicação.
Para surpresa do governador, mesmo sem tratamento adequado, há pacientes a receber alta. Ernesto Muangala condenou esta actuação da direcção do hospital e prometeu medidas urgentes para se inverter o quadro.
Entre os principais medicamentos em falta na farmácia do hospital, segundo o governador, destacam-se a refampicina, pirazinamida, isoninzida e etambuzol, que constituem a base da receita para o tratamento eficaz da tuberculose.
Ernesto Muangala disse que a gravidade da situação dos doentes do Sanatório de Sacavula tem a ver ainda com o facto de grande parte de medicamentos ser adquirida pelos familiares em farmácias extra-hospitalares.
O governante garantiu que, não obstante a crise financeira que assola o país, não se justifica a actual situação, uma vez que os medicamentos em falta na unidade sanitária constam da lista de fármacos que não podem ser comercializados, no âmbito da legislação em vigor, e o Governo, através do Ministério da Saúde, faz a sua aquisição em quantidades suficientes.
“Não se justifica que o hospital tenha dificuldades dessa natureza, quando estes medicamentos constam da lista daqueles que, segundo a nossa legislação, em conformidade com as orientações da Organização Mundial da Saúde, não podem ser comercializados nas farmácias, uma vez que apenas o Governo faz a sua aquisição”, explicou o governador, que questionou os serviços desenvolvidos pelo departamento de Inspecção da Direcção Provincial da Saúde.
O governador orientou o departamento de Inspecção da Direcção Provincial da Saúde a esclarecer rapidamente esta situação, sob pena de descredibilizar a autoridade do Estado e sobretudo colocar em perigo a vida de muitos doentes que padecem de tuberculose na Lunda Norte.

Falta de alimentação


Durante a sua visita de campo, o governador foi também informado que o hospital reduziu, de três para apenas uma, a alimentação diária atribuída aos doentes internados. Ernesto Muangala considerou negativa esta medida dos responsáveis hospitalares e baixou orientações precisas que devem ser de cumprimento imediato.
A primeira orientação é sobre a necessidade de reforçar-se a farmácia do Hospital Sanatório de Sacavula, com medicamentos indispensáveis para o tratamento da tuberculose, com a aquisição de todos os “tuberculoéstaticos” que se encontram nas unidades farmacêuticas do Dundo.
A segunda orientação consubstancia-se na suspensão da alta aos doentes, até que se certifique a sua evolução em termos de recuperação, e a terceira está voltada ao restabelecimento da atribuição das três refeições diárias aos pacientes.
Ernesto Muangala explicou que o cumprimento imediato das três orientações à Direcção Provincial da Saúde e do Hospital Sanatório de Sacavula vai ser acompanhado pela vice-governadora para o Sector Político e Social, Angélica Ihungo.

Redução do orçamento

A directora administrativa do Hospital Sanatório de Sacavula, Anastácia Gabriel, ressaltou as dificuldades relacionadas com a falta de medicamentos essenciais e alimentação regular para os doentes internados e disse estarem intrinsecamente relacionadas com as insuficiências orçamentais da unidade hospitalar.
Anastácia Gabriel justificou que a Direcção Nacional de Medicamentos, adstrita ao ministério de tutela, que fornece os “tubérculo-estáticos” ao hospital, no quadro do Programa de Combate à Tuberculose, deixou de fornecer medicamentos de forma regular. “Normalmente, recebemos medicamentos em duas fases, através da Direcção Nacional de Medicamentos, no quadro do Programa de Combate à Tuberculose, mas neste ano recebemos apenas uma vez”, justificou.
Sobre a dieta alimentar dos doentes, a responsável explicou que a redução da verba atribuída ao hospital tem estado a interferir no seu normal funcionamento, tendo inclusive afectado as três refeições diárias reservadas para os pacientes.
Anastácia Gabriel disse que, além de meios modernos de diagnóstico e aquisição de medicamentos, o Hospital Sanatório de Sacavula carece também de quadros especializados.
Actualmente, salientou, apenas dois médicos garantem a assistência aos pacientes que acorrem ao hospital. Segundo a responsável, para as necessidades reais do hospital, são necessários seis médicos. Nesse momento, 28 doentes com tuberculose e outras doenças associadas ao VIH/SIDA estão internados no Hospital Sanatório de Sacavula.

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