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Saurimo sem casos de febre-amarela

Adão Diogo

As estatísticas do Hospital Geral de Saurimo confirmaram a inexistência de qualquer caso suspeito de febre-amarela, durante o primeiro trimestre deste ano, após vários diagnósticos médicos realizados em consultas aos doentes ali assistidos, assegurou sexta-feira a directora da maior unidade sanitária da província da Lunda Sul.

Parte frontal do Hospital da Lunda Sul onde os muitos casos de malária atendidos estão a sobrelotar a unidade sanitária
Fotografia: Joaquim Munji | Saurimo

Hortência Miguel explicou que, apesar do alarmismo da população em relação à febre-amarela, a malária continua a ser a principal doença que assola as comunidades da região.
Hortência Miguel salientou que os muitos casos de malária atendidos estão a sobrelotar a unidade sanitária e a situação torna-se mais complexa pelo facto de uma parte considerável dos doentes chegarem aos serviços hospitalares em fase crítica, o que requer mais esforços dos técnicos.
“Os doentes, primeiro, procuram tratamento tradicional feito por quimbandas ou na fé da cura milagrosa, através de orações feitas por supostos profetas. Quando pioram é que chegam aos nossos serviços”, lamentou a directora do Hospital Geral de Saurimo.
 
Falta de médicos


A responsável hospitalar salientou que a unidade precisa  de mais médicos e de enfermeiros, para diminuir o sufoco dos poucos quadros actuais. A médica chamou  a atenção dos  jovens para os perigos que representam as constantes interrupções da gravidez em condições insanas, com instrumentos infectados ou rudimentares e por técnicos de competência duvidosa. A directora do hospital avançou que a cura deficiente de infecções de transmissão sexual podem originar as salpingites, alterações funcionais e orgânicas responsáveis pela infertilidade secundária e, por vezes, irreversível e a gravidez extra-uterina.
Hortência Miguel referiu que a gestão da infertilidade, por conta da crença excessiva de feitiço na região, estimula igualmente eternos conflitos, assentes em suspeitas e tabus, encorajados por adivinhos. No quadro de tais tratamentos, a médica responsável pela maior unidade sanitária da província da Lunda Sul lamenta que muitas pessoas acabam por ser infectadas com o vírus da sida, principalmente mulheres, que só descobrem o caso após a realização de testes nos estabelecimentos de Saúde apropriados.

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