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Sede comunal da Mupa encontra-se submersa

Elautério Silipuleni | Mupa

A sede comunal da Mupa, no município do Cuvelai, província do Cunene, encontra-se totalmente inundada pelas cheias que se registam nesta localidade desde o último sábado, quando os populares foram surpreendidos pelas águas que arrastaram moradias e haveres.

Estradas intransitáveis, casas e campos agrícolas inundados é o cenário que caracteriza a sede da comuna da Mupa
Fotografia: Elauterio Silipuleni

A sede comunal da Mupa, no município do Cuvelai, província do Cunene, encontra-se totalmente inundada pelas cheias que se registam nesta localidade desde o último sábado, quando os populares foram surpreendidos pelas águas que arrastaram moradias e haveres.
O centro administrativo da comuna, o palácio, o centro médico, escolas, o posto da polícia, assim como estabelecimentos comerciais e outras infra-estruturas encontram-se submersos. As inundações afectaram igualmente centenas de hectares lavrados, quimbos e provocaram o desaparecimento de dezenas de animais. As cheias, que assolam esta região norte da província, são o resultado do transbordo dos rios Cuvelai e Kuvango.
Os populares foram surpreendidos pelas águas na noite de sábado para domingo e só tiveram tempo de retirar alguns haveres, como roupa e alimentos, tendo ficado todo o resto destruído. Os habitantes da Mupa dizem que em anos anteriores têm ocorrido cheias na província, mas a comuna nunca tinha sido afectada como agora. “As águas que inundam a província sempre vieram do rio Cuvelai, mas nunca atingiram a sede da Mupa, por isso estamos preocupados com estas enchentes”, disse João Ndaongelodjo, uma das pessoas afectadas. O caudal do rio aumentou consideravelmente, o que provocou a inundação e consequente desabamento de várias residências e outras infra-estruturas da sede, deixando 90 por cento da pequena vila submersa. 
Em declarações ao Jornal de Angla, o administrador comunal, Gilberto Soares, disse que a sede da Mupa está actualmente isolada porque não é possível sair da circunscrição por via terrestre, sendo que as águas se encontram em toda a extensão da localidade, ao mesmo tempo que cortaram as vias de circulação para Ondjiva e para a sede municipal do Kuvelai. 
 “Este fenómeno natural propagou-se depois de três dias de fortes chuvas consecutivas e as águas do rio Cuvelai atingiram a localidade, desalojando os moradores e destruindo casas e campos agrícolas”, sublinhou o responsável comunal.
Gilberto Soares disse que a situação é desoladora e preocupante e neste momento a população desalojada está estimada em mais de mil pessoas, que estão albergadas em algumas salas de aula da comuna. O administrador salientou que neste momento todos os serviços administrativos, educacionais e hospitalares estão paralisados, devido às cheias.

 Circulação interrompida

A circulação de pessoas e bens da comuna da Mupa para a capital da província é feita apenas por via aérea, pois a estrada que liga as duas localidades encontra-se intransitável. As viaturas conseguem apenas chegar até dois quilómetros da sede comunal e depois a travessia é feita de canoa, até atingir as vivendas da comuna.
Dados provisórios indicam que aproximadamente 1.023 pessoas foram desalojadas, número que, segundo o administrador, pode aumentar, atendendo à subida imparável do nível das águas. Gilberto Soares disse ainda que falta fazer o levantamento de outras localidades da comuna para se saber exactamente o número de famílias que ficaram sem casa. “O levantamento tem sido difícil, visto não existirem meios suficientes, pois para uma pessoa se deslocar a certas áreas tem de utilizar canoas ou botes”, disse o responsável, acrescentando que tudo está a ser feito para socorrer as famílias afectadas pela calamidade natural. Apelou igualmente à população no sentido de se retirar dos lugares de maior risco.
Com a destruição das lavras, fica comprometida a campanha agrícola para o presente ano, o que faz adivinhar uma grande penúria alimentar nos próximos tempos.
Gilberto Soares clamou pela ajuda de todos, para acudir às populações sinistradas pelas enchentes nesta circunscrição. “Precisamos de ajudas de todo o tipo, como alimentos, medicamentos e roupas para as populações desalojadas”, adiantou, acrescentando que o quadro actual é muito triste, pois os cidadãos desalojados pelas inundações perderam muitos dos seus bens e carecem de ajuda.
 Para se inteirar da situação, uma delegação da Protecção Civil, encabeçada pelo comandante dos Serviços de Bombeiros, Domingos Joaquim, deslocou-se já ao local onde se encontram os sinistrados da Mupa.
Domingos Joaquim frisou que as medidas de emergência estão a ser criadas e comissões técnicas estão a realizar trabalhos de registo da população afectada pelo incidente natural a nível de outras aldeias e povoações da comuna, que também foram afectadas pelas cheias.
Recorde-se que este é o terceiro ano consecutivo que a província do Cunene regista este tipo de calamidade natural e, para se evitarem as consequências, estão a ser construídos diques para contenção das águas das enchentes, na cidade Ondjiva.         

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