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Sociedade preocupada com casos de gravidez precoce

Estanislau Costa e Benvindo Tadeu | Lubango

Os pais e professores do ensino geral devem prestar mais atenção às adolescentes durante o processo de instrução e educação sexual, para conter os casos elevados de gravidez precoce que se assiste nos últimos tempos no Lubango,  na província da Huíla, exortou o director da maternidade Irene Neto.

O director da maternidade Irene Neto disse que nos últimos meses em cada dez grávidas que procuram os serviços de saúde pelo menos três a quatro são adolescentes
Fotografia: Arimateia Baptista| Lubango

Flávio Hilário, que dissertava num colóquio sobre “Direitos das crianças e jovens”, promovido pelo governo provincial, Unicef e Unfpa, informou que o número de casos de  gravidez nas adolescentes, principalmente nos bairros periféricos, aumentou consideravelmente.
 Flávio Hilário ressaltou que, nos últimos meses, em cada 10 grávidas que procuram os serviços da maternidade, pelo menos, três a quatro são adolescentes, referindo que tal situação com contornos nefastos, em certos casos no recém-nascido e na parturiente, merece uma atenção especial da sociedade.
 Como uma das consequências, apontou o aumento de partos por cesariana que envolvem mulheres de menor e maior idade, sublinhando que a taxa razoável de partos por cesariana numa maternidade  é de 15 intervenções por dia, mas há muito que  ultrapassámos esta fasquia.
 Os dados estatísticos da maternidade Irene Neto atestam que foram realizados nos últimos 18 meses mais de 20.000 partos, 3.100 dos quais por cesariana. Consta ainda que cerca de 1.040 são nados-mortos e 490 correspondem a mortes neo-natais. O Jornal de Angola apurou que, no período em referência, as mortes maternas registadas foram de 140. 

Várias complicações


O director da maternidade Irene Neto explicou que as mortes são provocadas por várias complicações, com realce para malária, chegada tardia aos serviços hospitalares, falta e incumprimento das consultas na fase de gestação, intoxicação provocada por fármacos tradicionais e consumo de bebidas alcoólicas, entre outros.  O responsável reconheceu que o aumento acelerado das taxas de abortos inseguros e de alto risco para a gestante é ainda uma prática registada em vários sítios, onde, referiu,  os materiais utilizados deixam muito a desejar e, nalguns casos, as mulheres recorrem a métodos tradicionais para se desfazer da gravidez.
 “Todas as semanas, recebemos meninas que chegam em agonia e a maioria acaba por sucumbir logo à entrada do banco de urgência da maternidade”, disse, apelando aos membros da sociedade para denunciarem os protagonistas dos abortos.

Gravidez indesejável

O director da maternidade Irene Neto, Flávio Hilário, disse a um número considerável de alunos da escola do I ciclo 27 de Março, presentes no colóquio, que actualmente juventude pratica sexo muito cedo e, em certos casos, sem nenhuma experiência e conhecimento preventivo.
 Explicou que as consequências da actividade sexual sem responsabilidade são gravidez indesejável, contágio de doenças como a SIDA, sífilis, gonorreias e outras, que chegam a perturbar a família, fundamentalmente quando afectam  pessoas de menor idade.  Para o responsável, o aumento da fuga à paternidade constitui outro problema que vigora no seio das famílias e da sociedade em geral, porque, muitos adolescentes na condição de futuros pais, não têm condições nem conhecimentos para gerir um lar.
 Com base nisso, o director da maternidade Irene Neto lamentou o comportamento de certos pais e encarregados de educação que criam instabilidade familiar, admitindo que estes nunca estão presentes e muitas vezes são casais desavindos ou divorciados, que abusam do álcool ou promovem situações que acabam por afectar a fase de crescimento e  de desenvolvimento dos filhos.
Endelma Casimira, aluna da 9ª classe, da escola 27 de Março, é uma mãe adolescente que precisou imenso da ajuda de dois psicólogos para superar o trauma do abandono dos pais durante a gravidez, aos 13 anos de idade. “Quando fiquei grávida, fui expulsa de casa, porque os meus pais queriam que primeiro terminasse os estudos e só mais tarde contraísse matrimónio”, afirmou, para enaltecer a avó que a acolheu numa fase muito conturbada da sua vida.

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