Províncias

Solidariedade às vítimas

Jesus Silva | Lobito e Maximiano Filipe | Benguela

Os corpos de 66 pessoas que morreram em consequência das enxurradas no Lobito foram ontem a enterrar nos cemitérios do Ténis e do Luongo, na Catumbela. O Governo Provincial de Benguela decretou luto de 24 horas. 

Ontem começaram a realizar-se os funerais das pessoas que morreram no acidente que enlutou Angola para os cemitérios das cidades do Lobito e da Catumbela
Fotografia: Olegário Correia |

As 66 vítimas mortais das chuvas de quarta-feira, na cidade do Lobito, foram ontem a enterrar nos cemitérios do Luongo e do Campo de Ténis, numa cerimónia testemunhada por uma comissão interministerial, encabeçada pelo ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, em representação do Presidente da República.
O Executivo disponibilizou cem milhões de kwanzas para acudir às vítimas das enxurradas na província de Benguela, anunciou ontem o ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa.
O ministro chefia uma delegação que se deslocou à província de Benguela, para constatar e avaliar a situação humanitária causada pelas calamidades no Lobito, Catumbela e Caimbambo.
Bornito de Sousa afirmou que o Presidente da Republica, através da Casa Civil, disponibilizou recursos para acudir às situações mais prementes.
A equipa governamental instruiu o Governo Provincial de Benguela a dar início ao registo das populações que vivem em zonas de risco e proceder ao loteamento para novas áreas, com vista ao alojamento das famílias afectadas, que receberem, numa primeira fase, tendas. A comissão ministerial integra os ministros do Interior, Construção, Reinserção Social, Educação e da Saúde, avaliou na cidade do Lobito os danos provocados pelas chuvas, nas zonas mais afectadas: Lobito Velho, Canata, Liro e Bela Vista.
O administrador municipal do Lobito, Amaro Ricardo, informou que os enterros das vítimas foram feitos em condições condignas e em cemitérios propostos pelos familiares.
Neste momento, a maior preocupação da comissão, tem a ver com a continuidade das acções de limpeza do entulho, para a localização de desaparecidos.
Depois da limpeza das valas e de pontos onde se concentraram toneladas de terra, ainda podem ser encontrados corpos. O secretário de Estado da Protecção Civil e Bombeiro, Eugénio Laborinho, que coordena os trabalhos, referiu que os dados divulgados ainda são provisórios, uma vez que ainda há pessoas desaparecidas nos municípios do Lobito e da Catumbela, onde também se registaram enxurradas.
Os últimos dados oficiais dão conta de 66 mortos, 119 casas desabadas, 46 sem tecto, uma igreja destruída e oito escolas inundadas. O administrador assegurou que “toda a Nação está solidária com a cidade do Lobito”, daí chegarem vários às vítimas de todos os pontos do país.
 Um dos exemplos vem da Associação dos Jovens Angolanos Provenientes da Zâmbia, que procedeu ainda ontem à entrega de géneros alimentícios e dinheiro.
O presidente da associação, Bento Raimundo, revelou que a associação disponibilizou urnas para a realização dos funerais e entregou 30 mil kwanzas a cada família enlutada. O músico Matias Damásio, natural da província de Benguela, também efectuou ontem a entrega de um donativo. Além destes apoios, as empresas de vários ramos que operam na província também se associaram à campanha de solidariedade.
Outra corrente de solidariedade está igualmente a ser promovida pela Associação Acácias Rubras, envolvendo entidades de carácter filantrópico, no sentido de prestarem o seu apoio às famílias das vítimas.

Buscas continuam


A equipa técnica dos Serviços de Protecção Civil continua a percorrer todas as zonas críticas da região, para a identificação de mais vítimas,  com realce para os bairros da Luz, 4 de Fevereiro e Aloco. Na manha de ontem, além do enterro das crianças, decorreu um encontro na  Administração Municipal do Lobito, dirigido pelo governador de Benguela, Isaac dos Anjos, que estava acompanhado do secretário de Estado Eugénio Laborinho e outros representantes ministeriais, onde foi avaliada a situação actual.
No termo da reunião, Eugénio Laborinho informou que o Executivo está a fazer uma intervenção pontual junto das famílias das vítimas e, depois, vai desenvolver acções de sensibilização para desencorajar as pessoas a enveredarem pela construção de casas em zonas de risco. O administrador municipal do Lobito revelou que existem 450 novos espaços, para realojar a população sinistrada. Amaro Ricardo disse ainda que, no âmbito do Plano de Ordenamento do Território, estão garantidos espaços para construção de habitações, tendo a Administração do Lobito procedido à entrega de 2.500 lotes urbanizados, uma acção que decorre em todo território da província de Benguela.

Mensagens de condolências

O Ministério do Ambiente manifestou a sua solidariedade para com a vítimas . “Ao tomar conhecimento do momento difícil ocorrido em Benguela, provocado pelas fortes chuvas, a ministra do Ambiente, “manifesta a sua solidariedade pela forma corajosa e proactiva como esta drástica situação tem sido solucionada”, lê-se no documento assinado pela titular da pasta.
Fátima Jardim encoraja todo o esforço empreendido pelo Executivo. A ministra do Ambiente apela às populações para se absterem de construções em áreas de risco e alerta os Governos Provinciais, para intensificarem os seus esforços de fiscalização.
A OMA, através do seu secretariado executivo nacional, também manifestou “profundo sentimento de pesar pelas vítimas mortais”, em consequências das chuvas e inundações no Lobito.
A OMA exorta a sociedade a desenvolver todo os esforços para ajudar as vítimas da catástrofe natural, que tem provocado um elevado um número de vítimas e avultados prejuízos materiais.
O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, expressou igualmente, na cidade do Huambo, a sua solidariedade para com as famílias das vítimas das intensas chuvas de quarta-feira, na cidade do Lobito, que causaram a morte de 66 cidadãos, entre crianças e adultos.
O líder do maior partido da oposição considerou triste a tragédia em Benguela e, em especial no município do Lobito, daí ter exprimido os seus pêsames  às famílias
O partido FNLA, num documento assinado pelo seu presidente, Lucas Benghy Ngonda, também se juntou à dor da população de Benguela, manifestando a sua consternação pelo luto que a chuva causou.
A FNLA apela para os angolanos demonstrarem o seu lado patriótico e, na medida das suas possibilidades, prestarem apoio multiforme aos sinistrados.
A Associação de Apoio aos Combatentes das FAPLA  solidariza-se com as famílias enlutadas e junta-se aos esforços do Executivo e do Governo Provincial de Benguela.

Tempo

Multimédia