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"Solução dos problemas passa pelo melhoramento das vias"

Sérgio V. Dias | Luquembo

A administradora de Luquembo, município 217 quilómetros a oeste da cidade de Malange, assegurou que as populações da região "vivem da agricultura de subsistência". Rosa André Lourenço revelou à nossa reportagem os vários projectos em curso no município, apontando a construção das pontes sobre os rios Sambo e Jombo, como as grandes prioridades face à inacessibilidade a muitas comunas.

Administradora municipal do Luquembo Rosa Lourenço
Fotografia: Eduardo Cunha

A administradora de Luquembo, município 217 quilómetros a oeste da cidade de Malange, assegurou que as populações da região "vivem da agricultura de subsistência". Rosa André Lourenço revelou à nossa reportagem os vários projectos em curso no município, apontando a construção das pontes sobre os rios Sambo e Jombo, como as grandes prioridades face à inacessibilidade a muitas comunas. Disse ainda que a solução dos problemas passa pelo melhoramento das vias.

Jornal de Angola – como caracteriza o dia-a-dia de Luquembo?

Rosa André Lourenço –
Vivemos com tranquilidade, a paz veio para ficar mas na vertente social temos um número grande de munícipes na condição de pobreza.

JA – Que soluções aponta para o desenvolvimento do município?

RAL –
A solução dos nossos problemas passa pelo melhoramento das estradas.

JA – Como está o sector da saúde? 

RAL –
Temos um posto médico sem boas condições. Serve apenas para suprir as necessidades básicas e com capacidade diária para atender até 50 pacientes. No Plano de Intervenção Municipal (PIM) está prevista a construção de um hospital na região.

JA – A educação teve melhorias desde que chegou a paz?

RAL –
Na educação o quadro é muito idêntico ao da saúde. Temos 3.000 crianças fora do sistema escolar. Não temos escolas. No Plano de Intervenção Municipal também está prevista a construção de duas escolas este ano, uma primária e outra do I Ciclo.

JA – O que inviabiliza as obras iniciadas em Luquembo?

RAL –
O arranque de lgumas obras coincidiram com a crise económica e com a realização do Campeonato Africano das Nações (CAN) em Janeiro último. Isso fez com que alguns projectos ficassem um pouco à margem. Vamos recuperar o tempo perdido construindo as infra-estruturas previstas no plano municipal anual.

JA – Em relação à agricultura, há projectos em marcha?

RAL –
Na área da produção agrícola temos um importante projecto da Secretaria de Estado para o Desenvolvimento Rural, que visa criar políticas para o combate à fome e à pobreza. Recentemente, tivemos luz verde pelo Decreto Presidencial Nº 30, para uma linha de crédito que foi aberta aos agricultores num valor mínimo de 5.000 dólares. Estas políticas vão desenvolver o sector agrícola em Luquembo.

JA – A cultura do arroz está a avançar?

RAL –
Luquembo é uma das parcelas da província de Malange com grande potencial no cultivo do arroz. Temos terrenos que nos permitem desenvolver a cultura do arroz, mas estamos condicionados pelo mau estado das estradas. Os agricultores até têm vontade de trabalhar, mas acontece que eles produzem e depois não têm a possibilidades de escoar os seus produtos, por falta de estradas. Na época do cacimbo, ainda podemos circular, mas no tempo das chuvas, ficamos no isolamento. De resto, em Luquembo, a população tem estado a produzir aquilo que é o básico.         

JA – E que outros culturas predominam em Luquembo?

RAL –
Cultivamos batata-doce, mandioca, milho, amendoim, gergelim e outros produtos em percentagem mais reduzida.   

JA – O que está a ser feito para acabar com a inacessibilidade a algumas comunas do município?

RAL –
Em relação às ligações com as três comunas que ficam ao sul do município, Cunga Palanga, Capunga e Kimbango, que fazem parte da reserva integral do Luando, “habitat” da palanca negra gigante, após o levantamento, fizemos contactos com o Governo Provincial para a reabilitação da ponte sobre o rio Sambo. É um processo muito complexo porque a ponte foi erguida numa extensão de oito quilómetros de chanas, que ficam alagadas no tempo das chuvas. É um desafio para os próximos três ou quatro anos.

JA – Quais são os próximos passos para a concretização dos projectos?

RAL –
Estamos a aguardar pelas verbas do Plano de Intervenção Municipal. Para além disso, temos estado a fazer algumas obras com o fundo de manutenção mensal.

JA – Que outros projectos existem em carteira?

RAL –
Temos vários, como o da construção de 14 casas para os técnicos da educação, saúde e dos registos. Temos ainda em carteira a construção de um sistema de abastecimento, captação e tratamento de água, de um mercado municipal para desenvolver o comércio rural e uma brigada de saúde domiciliar.
 

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