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Soyo impõe restrições na venda de combustível

Jaquelino Figueiredo | Soyo

Está proibido no município do Soyo, província do Zaire, o abastecimento de combustíveis em bidões com capacidade igual ou superior a 1.000 litros, em viaturas de empresas ou privadas que não estejam munidas com equipamentos de prevenção e extinção de incêndios, segundo uma circular emitida pela administradora Lúcia Tomás.

Proprietários de bombas de abastecimento orientados a dar primazia aos automóveis
Fotografia: Jaquelino Figueiredo | Edições Novembro

A medida, que visa combater o tráfico de combustíveis, que ganha contornos alarmantes na região, proíbe também o transporte de bidões ou tambores de combustíveis em motorizadas de três rodas (vulgo Kupapatas), com quantidades iguais ou superiores a 40 litros, bem como a aglomeração de pessoas estranhas ao posto ou junto a placa de abastecimento.
A referida circular, com onze pontos, vai acabar também com a prática recorrente de pessoas estranhas aos postos de abastecimento manusearem pistolas de abastecimento e outros equipamentos, como se de funcionários se tratassem, impedindo desta forma os automobilistas de abastecerem as respectivas viaturas.
O aprovisionamento ou armazenamento de combustíveis em quantidades igual ou superior a 2.000 litros em residências/quintais, sem uma prévia comunicação à Sonangol, consta igualmente da proibição da circular da Administração Municipal do Soyo, bem como o uso obrigatório de uniformes por parte de todos os funcionários para a sua fácil identificação.
A circular orienta ainda a remoção imediata de todos os postos contentorizados ou de campanha espalhados pelo casco urbano da cidade do Soyo para a periferia, com vista a prevenir-se eventuais perigos. Aos postos de abastecimento localizados no centro da cidade do Soyo fica reservado o atendimento exclusivo de viaturas e motorizadas, tendo a administradora Lúcia Tomás exortado aos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, Repartição de Ordenamento do Território, Urbanismo e Ambiente e à Sonangol a assegurarem o cumprimento das referidas medidas.
A Sonangol Distribuidora. S.A no Zaire, segundo a circular, deve assumir a função pedagógica na sensibilização dos seus parceiros comerciais, auxiliando a Administração Municipal na implementação das referidas medidas, com vista a garantir a protecção e segurança do património público e das vidas humanas a nível da região.
A estrita observância e implementação de todas as medidas de segurança em todos os postos de abastecimentos a nível do município do Soyo, com vista a prevenir todos os eventuais incidentes, constam ainda da circular, que já entrou em vigor.
 
Automobilistas aplaudem

 A medida da Administração Municipal do Soyo foi recebida com bastante satisfação pelos munícipes, com destaque para os automobilistas que ficavam dias-a-fio sem conseguir abastecer a viatura, ou obrigados a suportar intermináveis filas de carros para poder adquirir combustível, que muitas vezes era comprado por traficantes e posteriormente enviado para a República Democrática do Congo, onde era comercializado no mercado negro e sem regras exigidas de conservação e com todos os perigos inerentes ao processo.
O automobilista Danguienda Sanches disse ser acertada a medida da Administração Municipal do Soyo, uma vez que vai acabar com a anarquia reinante junto dos postos de abastecimento, onde o cliente (automobilista) não era valorizado, sem que pagasse gorjeta ao bombeiro.
“Gostei da medida da Administração do Soyo, mas o mais importante é a punição como tal, que deve acabar com o descaminho de combustíveis destinados aos automobilistas e não só. Não se aceita que eu com a viatura não seja valorizado, mas o traficante que compra milhares de litros em bidões, só porque paga uma gorjeta ao bombeiro ou seu responsável, é respeitado e é-lhe entregue uma pistola para encher centenas de bidões”, frisou.
De acordo com ele, a cidade não está electrificada na sua totalidade, por este facto existem cidadãos que precisam diariamente de uma certa quantidade de combustíveis para o funcionamento dos geradores eléctricos.Por seu turno, o automobilista Bartolomeu Emília, diz que mais vale tarde do que nunca, porque já urgia impor ordem na revenda dos derivados do petróleo a nível da cidade do Soyo. De salientar que a referida circular não faz referência ao tipo de medidas ou sanções que os proprietários de postos de abastecimento serão sujeitos.

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