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Soyo prepara campanha agrícola

Jaquelino Figueiredo | Soyo


 
O município do Soyo tem preparado para a presente campanha, 19.839 hectares de terra arável, disse o chefe da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA).

Mais de 30 mil camponeses, congregados em associações, vão estar envolvidos na campanha agrícola
Fotografia: Santos Pedro


 
O município do Soyo tem preparado para a presente campanha, 19.839 hectares de terra arável, disse o chefe da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA).
Luís Maria Faustino referiu que a terra, preparada de forma tradicional, vai ser trabalhada por 39.678 camponeses congregados em 40 associações e 19 cooperativas agrícolas.
Na presente campanha, os camponeses, que ainda praticam agricultura de subsistência, vão cultivar jinguba, mandioca, feijão manteiga e macunde, milho, batata-doce, ervilha, abóbora e gergelim.
Luís Maria Faustino afirmou que, dos 39.678 camponeses registados, 13.226 “têm sido assistidos com material agrícola, como enxadas, catanas, machados, limas e fertilizantes, que adquirem a preço módico”.
 As sementes de amendoim, milho, feijão manteiga e de macunde, referiu, têm sido fornecidas, a título de empréstimo, pela EDA.
O responsável da EDA sublinhou que para o “crescimento do sector” é “necessário apoiar os camponeses que demonstram vontade de cultivar a terra”, indo, assim, ao “encontro da aposta do Governo assente na diversificação da economia”.

Vias péssimas
 
Cerca de 60 por cento da produção agrícola do Soyo estraga-se, todos os anos, devido ao mau estado das vias de acesso, o que dificulta o escoamento da produção do campo para cidade, disse Luís Faustino.
A situação, salientou, tem sido agravada pelas altas tarifas praticadas pelos poucos taxistas que fazem o trajecto e porque poucos camponeses têm capacidade financeira para pagar esses serviços. />Para a agricultora Isabel Maria Paulo, 32 anos, apoios concretos seriam fundamentais para uma boa produção. O que beneficiam, segundo ela, resume-se na aquisição de alguns materiais, como enxadas a preço módico de Kz.300,00 cada e catana por 200 kwanzas. Alega nunca ter beneficiado. A que utilizam em todas as épocas agrícolas, são as sementes que reservam da produção anterior, em termos de ginguba, abóbora, gergelim, mandioca e  milho.
A sua preocupação de momento, reside na retirada dos campos agrícolas pelo Governo para dar lugar aos empreendimentos industriais, ligados ao projecto Angola Lng.
“O dinheiro que estão a dar é muito pouco. Ao entregarem Kz.25.000,00 à 50.000,00 por lavra, não vai resolver as nossas necessidades diárias, uma vez que, temos filhos que estudam, comem, vestem e temos que tratar da sua saúde. Nas nossas lavras conseguimos fazer tudo”, acrescentou.

Crédito  bancário
 
A fonte avançou que, os bancos não têm cumprido com as promessas que fazem aos agricultores. O incumprimento das promessas feitas aos homens do campo, como disse, tem estado a colocar em maus lençóis a Área da Agricultura na região, pelo facto de ser o sector que dá a cara durante as conversações entre os bancos e os camponeses.
“Acho que o bancos devem cumprir com as promessas de crédito que fazem aos camponeses, no âmbito dos 300 milhões de USD colocados a sua disposição pelo Estado angolano, com vista a apoiar o sector agrícola em todo país”, acrescentou.    

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