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Surto de dermatofilose em Camabatela

Marcelo Manuel | Camabatela

A falta de cumprimento das normas de inspecção veterinária, exigidas para o transporte de gado bovino de uma região à outra, é apontada pelo médico veterinário do planalto de Camabatela, Marcos Luís, como factor crucial para a condução de doenças aos animais das fazendas locais, que enfrentam um surto de dermatofilose, desde 2012.

A infecção é da epiderme mas o gado tem de ser tratado de forma atempada para não morrer ou a sua carne se tornar inconsumível
Fotografia: Nilo Mateus | Cambambe

De acordo com o médico, que falava ao Jornal de Angola à margem da VI reunião da assembleia ordinária e de balanço da Cooperativa Pecuária do Planalto de Camabatela, inerente ao ano de 2015, a situação actual da epidemia é considerada estacionária, mas exigem-se medidas cautelares e curativas imediatas para a sua erradicação.
Desde o aparecimento da patologia, disse, a direcção da cooperativa criou uma comissão que garante conselhos técnicos junto dos criadores, além da criação de uma farmácia vocacionada à venda de fármacos veterinários, que, na sua opinião, têm contribuído para o abrandamento da epidemia, através da vacinação periódica do efectivo bovino.
Sem avançar números, Marcos Luís frisou que alguns animais morreram em consequência da doença, tendo avançado que, embora a infecção seja a nível da epiderme, o gado tem de ser tratado de forma atempada, pelo facto de o agravamento da enfermidade poder matar o boi ou tornar a sua carne imprópria para o consumo.  Ressaltou que o tratamento é feito à base de penincilina, extractomicina e esoxitetraciclina, encontradas a nível de Camabatela, a partir da farmácia da cooperativa.
“O estatuto da cooperativa exige que cada fazenda com mais de 50 cabeças deve contratar um técnico veterinário, para regularizar a assistência técnica”, sublinhou. O médico avançou que as dificuldades de ordem financeira que os fazendeiros enfrentam contribuem para o abrandamento da contratação dos referidos técnicos. A cooperativa tem um médico veterinário e três técnicos médios.
O planalto de Camabatela conta com 280 fazendas, repartidas entre as províncias de Cuanza Norte, Malanje e Uíge, num total de 12 municípios, que, a par do gado bovino, criam igualmente outras espécies como ovino, caprino, equino e aves. Actualmente, estima-se que haja no planalto de Camabatela cerca de 18.000 cabeças de gado bovino, com predominância para as raças nelor, brama, cimental e a gentia ou autóctone, disse  médico veterinário Marcos Luís.

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