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Tchindjendje na rota do desenvolvimento

António Canepa e Justino Vitorino |Huambo

Outrora, deslocar-se ao município do Tchindjendje, o último da província do Huambo, que dista a 118 quilómetros da cidade, era um bico-de-obra. Hoje, porém, o trajecto é “devorado” num abrir e fechar de olhos. A estrada está completamente reabilitada, tornando as viagens mais cómodas e seguras.

Albino Malungo prestou atenção à reclamação dos sobas do município
Fotografia: Francisco Lopes


Outrora, deslocar-se ao município do Tchindjendje, o último da província do Huambo, que dista a 118 quilómetros da cidade, era um bico-de-obra. Hoje, porém, o trajecto é “devorado” num abrir e fechar de olhos. A estrada está completamente reabilitada, tornando as viagens mais cómodas e seguras.
“O país está a mudar e muita coisa vai melhorar”, dizia, enquanto conduzia, Alfredo Kutabiala, o motorista que transportava a equipa de reportagem do Jornal de Angola, que acompanhava a caravana do governador ao município do Tchindnjednje, numa manhã de sexta-feira.
Com 26 mil habitantes, distribuídos por 800 quilómetros quadrados, Tchindjendje tem um clima quente, próprio da região do litoral, dada a sua proximidade com a província de Benguela.
À semelhança do que ocorre um pouco por todo o país e em particular na província, o município do Tchindjendje está também a ressurgir, aos poucos, deixando para trás as marcas do passado. A luta diária passa pela recuperação das suas infra-estruturas socio-económicas básicas, atingidas pela guerra, durante os vários anos de conflito.
Arnaldo Tchitungu disse que no Tchindjenje a vida começa cedo, as pessoas querem ver tudo recuperado, por isso se levantam muito cedo, para ajudar a reerguer a vila e a criar melhores condições para os seus habitantes.
“Aqui todos estão com as mangas arregaçadas, cada um a seu jeito quer ajudar a desenvolver o nosso município; queremos que a nossa vila se recupere o mais rápido possível, porque sentimos que estamos muito atrás dos outros. Por isso, pedimos mais apoio ao governo,” disse, com ar alegre, ao ver chegar a caravana governamental ao município.
Para ele e outros munícipes, a visita do governador constituiu uma grande alegria e ao mesmo tempo uma esperança de que a partir de agora tudo vai mudar. “Com a vinda do senhor governador, Tchindjendje vai receber mais apoio e o nosso município vai poder acelerar as obras”, acrescentou Arnaldo Tchitungu, ainda emocionado.
O Jornal de Angola apurou que o governo está a mobilizar mais recursos para que o município do Tchindjendje atinja, num curto espaço de tempo, altos níveis de desenvolvimento, conforme garantiu o governador, ao dirigir algumas palavras à população que o aguardava, numa das principais artérias da vila.
O governador Albino Malungo prometeu mais apoio à administração local, para que possa trabalhar sem restrições e melhorar a vida da população e a imagem da sede do município, que até agora apresenta sinais de destruição e de extrema pobreza.
À sua chegada à vila do Tchindjendje, o governador Albino Malungo, depois de constatar a falta de quase tudo, reconheceu o enorme trabalho que ainda tem pela frente o seu executivo e recomendou às autoridades locais para tudo fazerem de forma a acabar com a imagem desoladora que a vila tem.
Ruas por reabilitar, casas destruídas, incluindo a própria sede da administração local, saneamento básico quase inexistente, falta de água canalizada e de energia eléctrica, são, entre outras, as principais dificuldades de Tchindjendje.
A vila é iluminada por um gerador e, como alternativa, tem recorrido às placas solares, porque há uma grande dificuldade na aquisição de combustível e lubrificantes para mantê-lo em funcionamento, disse o administrador em exercício.
O comércio é um dos sectores que vai reaparecendo, embora timidamente. Existem na sede algumas lojas, que, quando podem, fornecem alguns produtos básicos à população. Muitos compradores têm recorrido ao vizinho município do Ukuma e à cidade do Huambo, para adquirirem alguns bens.
Um habitante  que não se quis identificar, afirmou que a vida na vila e arredores é monótona, principalmente aos fins-de-semana. “A vida aqui é um pouco aborrecida, não temos divertimento, a única coisa que temos são algumas casas que têm servido de discotecas, aos fins-de-semana, de resto tudo está parado,”desabafou o jovem.
Devido a carência, a administração local, no seu programa de reabilitação de infra-estruturas básicas, que contempla, fundamentalmente, o fornecimento de água canalizada, energia eléctrica, escolas e centros de saúde, gizou um projecto que visa também criar condições de lazer para os jovens do município.
O administrador em exercício do Tchindjendje, Quintino Tchuvika Kanepa, apontou como necessidades urgentes a construção de um centro recreativo e a criação de mais espaços desportivos e culturais para o lazer dos jovens.
“Todos os espaços que existiam na vila e nas demais comunas do nosso município foram destruídos. Precisamos de dar aos nossos jovens mais espaços para se recrearem, sobretudo aos fins-de-semana”, realçou o administrador.
 
Potencialidades económicas
 
Tchindjendje tem potencialidades económicas que podem, em pouco tempo, acabar com as dificuldades que apresenta, principalmente por se situar entre as rotas que ligam o litoral ao interior do país.
O Caminho-de-Ferro de Benguela e a estrada principal que liga o Huambo à província de Benguela, são duas vias importantes, que poderão impulsionar o desenvolvimento do município, pois Tchindjendje é uma região potencialmente agrícola e facilmente poderá escoar os seus produtos para outros mercados vizinhos.
O município produz quase tudo, com destaque para o milho, feijão, batata rena, banana, batata-doce e trigo. O governo do Huambo perspectiva desenvolver na região a cultura da cana-de-açúcar, dadas as características e condições favoráveis que apresentam os seus solos.
 A longo prazo, as autoridades do Huambo querem que a região venha a ser também um dos maiores produtores de açúcar no país, para atrair divisas à província.
O governo, afirmou o governador provincial, vai recuperar todas as vias, para que os agricultores e camponeses possam fazer as suas permutas sem dificuldades e criar riqueza para sustentar as famílias nas suas comunidades.
“Nesta época de chuva as vias da região tornam-se intransitáveis e fica difícil a comunicação entre a sede e as demais comunas, ombalas e aldeias do município”, realçou o administrador em exercício do Tchindjendeje; uma constatação corroborada por um dos representantes das autoridades tradicionais da região, que pediu mais escolas, hospitais, centros médicos, postos de saúde e a reparação das vias de acesso às demais regedorias e aldeias.
Para garantir a circulação de pessoas e mercadorias, o governo vai colocar, numa primeira fase, mini-autocarros com tracção, para que as viagens sejam feitas com maior facilidade, enquanto se espera pela reabilitação das vias, o que pode acontecer só na época de cacimbo.
 
Educação e saúde
 
O município do Tchindjendje apresenta também dificuldades no sector da Educação e Saúde. Várias crianças estão fora do sistema normal de ensino, por falta de escolas e professores.
O administrador em exercício do Tchindjendje informou que mais de dois mil alunos não estudam. Dos que estudam, muitos apresentam dificuldades, porque têm de percorrer largas distâncias para chegarem às escolas.
“Temos muitas localidades e aldeias ainda sem escolas. Nas zonas onde podemos chegar, temos sugerido às comunidades que construam as suas escolas e nós como governo colocarmos as chapas, para que as crianças não estudem por baixo de árvores”, afirmou o administrador.
Na vila funciona um complexo escolar com 12 salas, mas não são suficientes. O número de estudantes multiplica-se de ano para ano. E isto está a preocupar também os governantes locais, que consideram que a solução passa pela construção de mais escolas e enquadramento de professores. Por outro lado, os estudantes que finalizam o ensino médio no município são obrigados a parar por falta de condições para continuarem os estudos.
Para colmatar esta dificuldade, o governo provincial prometeu estudar a possibilidade de se criar, na vila, um núcleo de ensino superior, para facilitar a vida de muitos finalistas do ensino médio, que não encontram a possibilidade de se deslocar à sede da província ou outras paragens para prosseguirem os estudos.
No âmbito do programa global do governo, vai ser erguido um complexo habitacional, para acomodar os quadros administrativos, incluindo professores, médicos e enfermeiros, que muitas vezes se recusam em trabalhar no município por falta de condições.
Quanto à saúde, o município carece de um hospital de referência. O único centro de saúde existente não tem capacidade para acudir as centenas de casos que aparecem diariamente. Apesar de não haver falta de medicamentos, o centro não tem médicos suficientes e funciona maioritariamente com enfermeiros.
 As populações do Tchindjendje pedem, por isso, mais técnicos de saúde e a construção de mais postos na periferia, para se evitar deslocações para os municípios vizinhos.
O administrador municipal em exercício, Quintino Tchuvika Kanepa, augura melhores tempos na circunscrição, com a chegada de mais verbas e apoio prometido pelo governo da província.

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