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Técnicos médios estão preparados

André Amaro|Lubango

O Instituto Médio Politécnico da Humpata está em vias de colocar no mundo laboral os seus primeiros 144 alunos finalistas. Os técnicos que em breve se formarão estão preparados para fazer face às exigências do mercado de trabalho e prestar serviço de qualidade em qualquer parte do país.

Estudantes do Instituto Politécnico da Humpata que dizem estar aptos para entrarem no mercado de trabalho e mostrarem o que sabem
Fotografia: Arimateia Baptista

O Instituto Médio Politécnico da Humpata está em vias de colocar no mundo laboral os seus primeiros 144 alunos finalistas. Os técnicos que em breve se formarão estão preparados para fazer face às exigências do mercado de trabalho e prestar serviço de qualidade em qualquer parte do país.
 Aos 17 anos, Edina Alberto começou a frequentar o curso de construção civil no Instituto Politécnico da Humpata, situado a 25 quilómetros da cidade do Lubango, deixando para trás as ciências exactas que frequentara como alternativa.
Transcorridos três anos, a jovem, agora na casa dos 20, está entre os 144 primeiros finalistas que o estabelecimento vai lançar em breve no mercado de trabalho. Durante um percurso de intenso trabalho, ela adquiriu habilidades para projectar plantas de edifícios, calcular vigas, pilares, efectuar testes à qualidade do material de construção civil em laboratório e outras técnicas.
Quando o ano lectivo terminar, Edina Alberto vai candidatar-se a uma empresa de construção civil da província e aplicar o leque de conhecimentos adquiridos. “Estou ansiosa por aliar a teoria à prática e dar o meu contributo ao processo de reconstrução nacional”. O seu projecto formativo, explicou, não vai parar com a formação técnicoprofissional. Depois de três anos metida em obras de construção ou reabilitação de empreendimentos públicos ou privados, pretende fazer o curso superior de Engenharia Civil.
No Instituto Politécnico da Humpata, o número de pessoas, sobretudo jovens, que aprendeu experiências profissionais num determinado ramo do saber é quase suficiente para cobrir o vazio de pessoal nas empreiteiras.
Daniel Vigário, por exemplo, cursou Instalação Eléctrica. Está disposto a revolucionar a componente eléctrica de dezenas de casas, escolas e outros edifícios projectados para serem erguidos pelo Governo ou por empresas privadas.
“Os conhecimentos teóricos e práticos adquiridos permitiram-me ganhar as bases para ser um bom electricista. Na obra de uma casa, aprendi a fazer instalação eléctrica de várias formas, capazes de prevenir incêndios ou de danificar electrodomésticos, entre outros males causados pelo descuido do uso de energia eléctrica”, disse.
O jovem Daniel está optimista pelo aumento das obras de construção na província da Huíla, já a partir do último semestre. “Devido à crise financeira mundial, muitas obras ficaram afectadas e também se reduziu o surgimento de novas”.
Com o projecto do Governo central que visa a construção de um milhão de fogos habitacionais, afirmou, a província vai ter outro movimento para o seu cumprimento cabal e dar muitas oportunidades às pessoas capacitadas para o efeito.
Depois de concluir o curso de Instalação Eléctrica, Daniel Vigário vai emprestar o seu saber ao serviço público e, após isso, criar a sua própria oficina, para trabalhar com um grupo de jovens. “Quero ser também um empresário, dar emprego, fazer muitos negócios”, disse.
Para José Vicente, finalista do curso de electricidade, a preocupação consiste no facto da província da Huíla não possuir qualquer faculdade técnica onde possa dar continuidade aos estudos. Por enquanto dispensa o trabalho, já que prefere entrar numa universidade de engenharia.
 
Técnicos preparados
 
Os técnicos formados pelo Instituto Politécnico da Humpata estão preparados para fazer face às exigências do mercado de trabalho, assim como para prestar serviço de qualidade em vários pontos da província da Huíla e do país, afirma a directora do Instituto, Constância dos Santos. Segundo ela, os conteúdos seleccionados e ministrados aos formandos da instituição são completos e abrangentes e a transmissão de conhecimentos das matérias é aliada à prática.
Todos os alunos são submetidos a estágios em diversas empresas locais, habilitando-os a aperfeiçoarem as técnicas, a terem mais prática e a fortalecerem os conhecimentos. A directora esclareceu que a instituição está equipada com laboratórios de informática básica e multimédia, oficinas de serralharia, carpintaria, testagem de materiais de construção e duas oficinas de electricidade. Estas condições permitem que, logo a partir do segundo ano, as aulas sejam mais práticas do que teóricas, facto que leva os alunos a conhecer determinado equipamento. As cadeiras práticas são leccionados por cinco docentes de nacionalidade brasileira, que procuram transmitir as suas experiências aos alunos e professores nacionais.
No entanto, a caça de talentos constitui o objectivo das empresas locais que concebem estágios aos finalistas. Os alunos que demonstraram uma particular vocação profissional no decorrer do estágio são imediatamente enquadrados.
  A directora do Instituto adiantou que as empresas de construção civil e a direcção das Obras Públicas já manifestaram o desejo de ficar com alguns finalistas. As empresas querem contratar os melhores alunos, uma vez que é difícil encontrar no mercado local profissionais com formação específica nas especialidades de construção civil e instalação eléctrica.
Constância dos Santos explicou que está em curso um processo de negociações entre os alunos e as direcções das empresas para um enquadramento definitivo. Neste processo, o instituto desempenha o papel de intermediário.
 
Gabinete de inserção
 
O enquadramento no mercado de trabalho é facilitado por um gabinete de inserção na vida activa, criado pela direcção do Instituto, que funciona em parceria com empresas privadas. Segundo a directora, este gabinete tem a missão de estabelecer contactos com empresas dos ramos de formação, para facilitar o estágio dos alunos, assim como a sua contratação.
Nesse aspecto, referiu, têm sido bem sucedidos, porque muitas empresas de construção civil e de electricidade já manifestaram o interesse em aproveitar alguns finalistas que demonstraram empenho durante o estágio.
Para aqueles que pretenderem trabalhar por conta própria, disse, a instituição tem um projecto que visa o apoio institucional (criação de cooperativas e legalização) e distribuição de kits profissionais.
Constância dos Santos adiantou que estão a trabalhar em parceria com a direcção da Administração Pública, Emprego e Segurança Social na Huíla, para a materialização do projecto.
 
Auto-emprego
 
Enquanto alguns finalistas aspiram a trabalhar em empresas privadas ou públicas do ramo da construção civil, outros, como Evandro Custódio, finalista do curso de Construção Civil, optam pelo auto-emprego.
Para o efeito, o grupo de Evandro Custódio já constituiu uma equipa composta por pedreiros e electricistas, para prestar serviços a pessoas singulares e colectivas.
“Temos recebido muitas solicitações para fazer plantas de casas e anexos, levantar e revestir paredes, colocar mosaico, coberturas, fazer instalações eléctricas de residências, etc”, explicou. Com os valores que ganham, referiu, compram equipamentos para trabalhar e pagar salários.
Já Pedro Emanuel constituiu processo para solicitar um microcrédito para abrir a própria construtora.

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