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Terapeutas são dotados de novas técnicas

Mais de 50 terapeutas tradicionais participaram num seminário promovido pela Escola Superior Politécnica do Uíge (ESPU) da Universidade Kimpa Vita.
Realizado sob o tema “Medicina Tradicional Segura e Valorizada ao Serviço da Enfermagem”, a acção formativa teve lugar no âmbito das III Jornadas Científicas de Enfermagem.

A medicina natural deve ser encarada com boa perspectiva porque forma um intercâmbio entre a medicina convencional e a tradicional
Fotografia: Eunice Suzana | Uíge

O seminário visou transmitir aos terapeutas a importância que a medicina tradicional no tratamento de várias patologias e superar as insuficiências com que os mesmos se debatem na administração de algumas plantas medicinais, disse a porta-voz do grupo de investigadores cubanos que trabalha nessa área.
“Muitas vezes, os terapeutas utilizam plantas no tratamento de determinadas doenças sem conhecerem os efeitos colaterais das mesmas e tem se observado que muitas pessoas acabam por dar entrada nos hospitais por intoxicação de plantas medicinais”, referiu Eufrazina Lucoqui, que é estudante da Escola Superiora Politécnica do Uíge (ESPU).
“Os terapeutas devem saber que, para usar as plantas tradicionais, é preciso conhecerem bem os efeitos que elas provocam no organismo humano, para aplicarem melhor a dosagem”, acrescentou.
A estudante do segundo ano do curso superior de Enfermagem defendeu que a medicina natural deve ser encarada com muito boa perspectiva, porque forma um intercâmbio interessante entre a medicina convencional e a tradicional.
Eufrazina Lucoqui disse que é vantajoso capacitar os profissionais de medicina tradicional para poderem exercer a profissão com eficácia e lembrou que a realização do seminário é uma oportunidade para os terapeutas absorverem conceitos que vão melhorar a prestação de serviços às populações.
O chefe do departamento dos Assuntos Científicos da ESPU, Manuel João Bengui, disse que a reunião dos terapeutas para discutirem o uso de plantas medicinais é uma oportunidade para transmitir à sociedade a importância desta para a cura e prevenção de algumas doenças. “Queremos apresentar alguns trabalhos científicos que a nossa Escola Superior está a realizar, em colaboração com outras instituições, sobre medicina tradicional. É verdade que ainda não existem trabalhos publicados, mas estamos a trabalhar para compormos uma brochura, que a qualquer momento vamos publicar, relacionada com plantas estudadas e cujas investigações apresentam bons resultados”, disse.
O presidente do Fórum de Medicina Tradicional em Angola (FOMETRA), Kitoko Maiavângua, elogiou a iniciativa da instituição e afirmou que esta vai despertar um maior interesse dos cientistas e investigadores sobre as plantas medicinais. “Os docentes e médicos cubanos possuem amplos conhecimentos sobre a aplicação das plantas medicinais na enfermagem”, defendeu o responsável, referindo que a formação permite dotar os terapeutas de conhecimentos que vão ajudar a melhorar o exercício da sua actividade na região.
Os estudos sobre as plantas medicinais que a universidade Kimpa Vita vem realizando está em concordância com o projecto do FOMETRA sobre a catalogação das plantas medicinais, acrescentou.

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