Províncias

Toneladas de hortícolas podem se estragar por falta de escoamento para os mercados

Domingos Calucipa | Ondjiva


 
Pelo menos 4.000 toneladas de produtos agrícolas, como tomate, cebola, batata rena, couve e repolho, podem se deteriorar, na localidade de Kalueque, 170 quilómetros da cidade de Ondjiva, província do Cunene, por falta de escoamento.

Produtos como tomate, cebola, couve e repolho correm o risco de se estragar por falta de escoamento
Fotografia: Jornal de Angola


 
Pelo menos 4.000 toneladas de produtos agrícolas, como tomate, cebola, batata rena, couve e repolho, podem se deteriorar, na localidade de Kalueque, 170 quilómetros da cidade de Ondjiva, província do Cunene, por falta de escoamento.
O presidente da Cooperativa Agrícola “Simione Mucune”, Avelino Feliciano, disse que os associados têm muitos produtos que podem se estragar, se não forem escoados para os mercados da província e não só, para serem comercializados.
O lamento do agricultor pode ser confirmado no terreno por quem visita aquela localidade, situada nas margens do rio Cunene, no extremo Sul da província, junto a fronteira com a vizinha República da Namíbia.
Qualquer visitante que chega a Kalueque confronta-se com a imagem de fartura de produtos do campo, o que demonstra o quanto os seus habitantes estão empenhados na produção de alimentos.
A localidade tem condições propícias para a prática de uma agricultura de grande escala, dada a abundância de água e os seus terrenos férteis.
O potencial agrícola é bem visível nas lavras à entrada da localidade. O vermelho do tomate, o verde das folhas da cebola, da couve, da batata, do repolho, do milho, do feijão estende-se por quase todo o lado. Os camponeses não poupam esforços na produção, clamando apenas pela melhoria da via para compensar o seu trabalho.
A grande dificuldade no escoamento da produção resume-se na falta de meios de transporte e nas péssimas condições da única estrada de terra batida que liga a localidade à vila de Xangongo, a 75 quilómetros, a Cahama e à cidade de Ondjiva, sendo os principais mercados da província.
A via é de difícil circulação devido aos buracos criados com o andar do tempo, o que faz com que viaturas em serviço de aluguer se recusem a ligar a zona. Em tempo de chuva a localidade fica sem comunicação por terra, porque a via atravessa zonas pantanosas, que impedem os carros de atingir o destino.
De acordo com o responsável da cooperativa, actualmente torna-se mais fácil comercializar os produtos no mercado da Namíbia e a preço baixo, que transportar para o interior da província, dadas as inúmeras peripécias por que se tem de passar.
Os camponeses clamam pela criação de um sistema de frio para a conservação dos produtos e por mais apoios, principalmente no acesso ao crédito bancário, meios de transporte, tractores, motobombas, fertilizantes, pesticidas, herbicidas e outros materiais indispensáveis à actividade, para elevarem os níveis de produção.
Avelino Feliciano disse que a agremiação recebeu há tempos um tractor mecanizado e uma carrinha das mãos do ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, que estão a ajudar nas lavouras e na transportação dos produtos, mas que não são suficientes para fazer face ao volume de hectares disponíveis e à quantidade de alimentos colhidos.
Adiantou que a cooperativa dispõe de 520 hectares, dos quais apenas 360 são cultivados, à base de regadio, através do canal que abastece a Namíbia, e estão associados 100 membros, 80 dos quais do sexo feminino.
 
Produtos da Namíbia
 
Grande parte dos produtos agrícolas adquiridos pela população de Ondjiva, Namacunde e da vizinha Namíbia, através da fronteira de Santa Clara, são produzidos na localidade angolana de Kalueque.
O responsável da cooperativa disse que muitos comerciantes namibianos compram os produtos em Kalueque e vão vendê-los nos estabelecimentos comerciais e mercados informais, onde o consumidor angolano vai adquiri-los com muita frequência.
“Melhorando a via, seria muito benéfico para a província, já que permitiria fazer chegar a produção directamente e de forma mais fácil aos mercados”, referiu Avelino Feliciano.

Tempo

Multimédia