Províncias

Transtornos mentais diminuem em Cabinda

Joaquim Suami | Cabinda

André Pambo, 21 anos, vive no bairro 1º de Maio, em Cabinda, com os seus pais. É o único filho, num total de quatro, que não sofre de perturbações mentais.

Este ano o número de pacientes com perturbações mentais foi menor do que no ano passado
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

Os dois irmãos mais velhos, de 44 e 42 anos, vivem com problemas mentais desde a infância. Em 2008, o terceiro irmão, de 35 anos, começou a apresentar sinais de perturbações mentais, o que entristeceu a família.
Antes de nascer, segundo conta, os dois irmãos mais velhos já sofriam de perturbações mentais e quando começou a ter consciência foi percebendo que são pessoas anormais. “Esta situação afectou-me bastante, porque precisava do apoio deles. O que mais senti foi quando dei conta que o terceiro irmão também estava a sofrer de problemas mentais”, contou.
André Pambo disse que a família reuniu várias vezes na tentativa de encontrar cura para os três irmãos, mas sem êxito. “A doença dos dois irmãos mais velhos está em estado avançado e difícil de curar, mas, em 2016, começámos a levar o terceiro irmão às consultas. Graças a Deus, com a ajuda de uma médica cubana, ele ficou curado”, explicou.
Segundo André Pambo, após a cura, o irmão partiu para o Moxico em busca de melhores condições de vida. “No Luena, conseguiu emprego, mas por ter parado de tomar os medicamentos voltou a sofrer de perturbações mentais. Regressou a Cabinda para cumprir novamente a medicação e hoje sente-se melhor”, disse.
Os problemas mentais que os três irmãos de André Pambo sofrem não são os únicos casos registados na região, de acordo com dados divulgados pela Coordenação Provincial da Saúde Mental, que dão conta de que, entre Janeiro e Maio do corrente ano, foram diagnosticados 275 casos de transtornos mentais, na província de Cabinda. Comparativamente ao mesmo período do ano transacto, houve uma redução de 139 casos.
A esquizofrenia e transtorno de ideias delirantes foi a patologia mais diagnosticada durante as consultas de psiquiatria, com 111 casos, seguindo-se os transtornos neuróticos, com 39 casos, epilepsia, com 24 casos, transtornos associados à disfunção fisiológico, com 24, transtornos mentais orgânicos, com 20, transtornos de humor, com 17, transtornos por consumo de álcool e drogas, com 10 casos, transtornos de desenvolvimento psicológico, com 5, atraso mental, com 4, transtornos de personalidade e comportamento, com um caso.
No ano passado, foram diagnosticados 149 casos de esquizofrenia e transtorno de ideias delirantes, 55 de transtornos neuróticos, 56 de epilepsia, 49 de  transtornos associados a disfunção fisiológica, 21 de transtornos mentais orgânicos, 21 de transtornos de humor, 12  de transtornos por consumo de álcool e drogas, oito de  transtornos de desenvolvimento psicológico, 21 casos de atraso mental e seis de transtornos de personalidade e comportamento.
A coordenadora do Programa Provincial de Saúde Mental, Helena Simas, disse que a redução de casos de transtornos mentais se deve ao trabalho árduo de sensibilização que as autoridades sanitárias da província têm vindo a desenvolver no seio das famílias, sobretudo no aconselhamento, acompanhamento dos doentes às consultas e  cumprimento da medicação.  
“Temos estado a trabalhar arduamente no aconselhamento das famílias, para não abandonarem os seus parentes doentes, acompanharem os mesmos às consultas, procurarem centros hospitalares apropriados, evitarem casas tradicionais de cura e o cumprimento rigoroso da medicação, o que tem contribuído para a redução de casos”, disse.
Segundo a coordenadora, a maior preocupação de momento tem a ver com a falta de médicos psiquiátricos, que possam ajudar no diagnóstico de várias patologias de saúde mental, para se diminuir o número de casos na província de Cabinda.
“Não temos médicos psiquiátricos. A única médica cubana que esteve a trabalhar no hospital provincial já regressou a Cuba. Os psicólogos que temos apenas fazem o trabalho de aconselhamento”, explicou.
A par da falta de médicos psiquiátricos, a carência de medicamentos nos centros hospitalares também tem sido um outro problema para a Secretaria Provincial da Saúde. “Não temos medicamentos nos hospitais e aconselhamos as famílias a comprarem os fármacos nas farmácias locais, em Luanda e/ou em Ponta Negra”, esclareceu.

Tempo

Multimédia