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Uíge: Camponeses apostam forte no aumento da produção

Valter Gomes | Cangola

Um total de 210 famílias organizadas em associações agrícolas, no município de Cangola, província do Uíge, recebeu na presente época agrícola instrumentos de trabalho, como enxadas, catanas, machados, picaretas, motobombas, limas, botas de borracha e sementes de hortícolas melhoradas, com vista a alavancar a produção de alimentos na região, disse ontem, ao Jornal de Angola, o administrador municipal.

Administração Municipal está a preparar 150 hectares para distribuir aos homens do campo
Fotografia: Edições Novembro

Pedro Cogi Zua avançou que o apoio aos camponeses está a ser feito de forma faseada e contínua, visto que o município é vasto e controla 41 associações e uma cooperativa agrícola, compostas por 5.670 associados. A administração, acrescentou, dispõe de instrumentos agrícolas básicos para apoiar os camponeses vulneráveis, cujo objectivo é reforçar a produção, para assegurar o auto-sustento das famílias.

O administrador avançou que, além do apoio em instrumentos de trabalho, a administração está a preparar 150 hectares de terras para entregar aos camponeses organizados, com vista a facilitar o processo de plantação dos alimentos. Na última época agrícola, referiu, a administração preparou 22.401 hectares, que foram distribuídos aos camponeses associados, pequenos agricultores e famílias vulneráveis, cujos resultados foram satisfatórios.


Segundo Pedro Cogi Zua, com os apoios da administração, clima favorável e chuvas regulares, a população pode nos próximos tempos contar com dias melhores, visto que a terra da região é fértil. “O sector da Agricultura em Cangola está adormecido, possui um potencial invejável, que precisa de investidores para a sua exploração”, frisou. O administrador de Cangola realçou que, no quadro do Programa de Combate à Pobreza, a administração está a adquirir máquinas de lavoura, como tractores, alfaias e charruas, para fomentar a agricultura mecanizada no município.

Na óptica de Pedro Zua, não se pode contar com um desenvolvimento agrícola se a população continuar a trabalhar manualmente, com catanas e enxadas, por isso a administração, em colaboração com o Governo da província, está a trabalhar no sentido de adquirir máquinas, para cultivar terras em grande escala e apoiar os camponeses.

“Temos boas terras para a produção agrícola, com um potencial de 5.5 PH de fertilidade, que não precisam de correcção, a população trabalha manualmente, mas produz quase tudo, como mandioca, ginguba, feijão, milho, gergelim, abóbora, melancia, batata doce e rena, hortícolas, cana de açúcar, café, ananás e outros produtos, por isso afirmamos, sem medo de errar, que quem aqui vir investir não se vai arrepender”, assegurou o administrador.

Vias de acesso estragadas

A população na localidade de Cangola produz em grande escala, mas a maior dificuldade prende-se com a degradação das vias secundárias e terciárias, que dão acesso às zonas de produção. Grande parte dos produtos não são comercializados de forma regular, acabando por deteriorar-se no campo, por falta de escoamento.
No âmbito do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), o município ganhou três projectos no domínio da educação, mas as vias de acesso não foram contempladas. O administrador considera preocupante o estado actual de degradação das vias, visto que, com o aumento das ravinas e buracos, algumas zonas estratégicas de produção podem correr o risco de ficar isoladas. “A administração intercedeu, junto do Governo Provincial, para que, no pacote de intervenção das estradas intermunicipais e comunais, fossem reabilitadas as vias prioritárias do município. Pediram-nos três vias e apontámos a que liga à sede do município com a comuna do Bengo, à localidade do Magaraje e à Cacaluidi, na comuna do Caiongo”, disse o administrador. Segundo Pedro Zua, está em construção no município uma ponte sobre o rio Dange, que liga as aldeias de Quinguzo e a de Zinini Matamba, 18 quilómetros da sede do município. A referida ponte tem cerca de 20 metros de comprimento e seis de largura.
Atendendo a complexidade do espaço, por ser pantanoso, num perímetro de mais de 700 metros de comprimento, estão a ser construídos no local dois pontecos e duas manilhas. As obras dos pontecos já se encontram em 90 por cento de execução.
O administrador municipal assegurou que se pretende com estes trabalhos melhorar a circulação rodoviária naquele corredor e incentivar a produção e o escoamento dos produtos, visto que a ponte sobre o rio Dange faz a ligação com a comuna do Bengo, passando por varias aldeias até à fronteira com a província de Malanje.
A Administração Municipal de Cangola controla 37 lojas, 12 cantinas, bem como um mercado municipal, com cerca de 74 vendedores ambulantes. No presente ano, a administração, através da Secção Municipal do Comércio, orientou os agentes económicos no sentido de renovarem os contratos.

Energia e água com restrições

O município de Cangola enfrenta dificuldades no fornecimento de energia eléctrica. Existe na sede do município uma central térmica, com quatro grupos geradores, dos quais três se encontram avariados. O único funcional tem capacidade de 550 KVAs e fornece corrente eléctrica à população da sede e da periferia. Com o aumento da população, o gerador não corresponde à procura dos consumidores.
Pedro Cogi Zua avançou que a administração está a analisar mecanismos adequados para melhorar o fornecimento de energia eléctrica à população, no quadro das prioridades do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM).
A população residente na sede beneficia de água potável através de um sistema de abastecimento do tempo colonial, com capacidade reduzida. Segundo o administrador, de acordo com a demanda que ultrapassa os sete mil habitantes na sede, urge a necessidade de se alargar a rede, para que possa atingir os bairros periféricos.
O administrador Pedro Cogi Zua assegurou que a administração já concebeu um projecto que vai permitir a construção de uma outra conduta, com capacidade para mais de 90 mil metros cúbicos, mais de 30 chafarizes e lavandarias, para abastecer de forma satisfatória os habitantes. “Para a concretização do projecto, a administração prevê extrair água no rio Cuílo, com um caudal favorável, a cerca de oito quilómetros da sede do município”, disse.
O município de Cangola tem 2.875 quilómetros quadrados, duas comunas (Bengo e Caiongo), 22 regedorias, 119 aldeias e 61.964 habitantes, compostos por dois grupos etno-linguísticos, nomeadamente Kimbungo e Kikongo.
Localiza-se a Sudoeste da sede da província do Uíge. A Norte limita-se com o município de Sanza Pombo, a Leste com o de Massango?(Malanje), a Sul com Calandula (Malanje) e a Oeste com o município de Negage, Uíge. O clima é temperado, com duas estações: seca e chuvosa.

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