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A terra das praias

Kayila Silvina | Nzeto

O município piscatório do Nzeto, na província do Zaire, possui belas praias que convidam a actividades balneárias.

Fotografia: google

O município piscatório do Nzeto, na província do Zaire, possui belas praias que convidam a actividades balneárias. Aos fins-de-semana, é normal assistir-se a um movimento frenético de pessoas, entre jovens e adultos, idos principalmente da capital provincial, Mbanza Congo. Entre as inúmeras praias existentes na região, as mais frequentadas pelos banhistas são as de Boca do Rio, Kikando e Kisamba, esta última conhecida também por “Estraga Lar”, nome atribuído pelo facto de alguns homens casados levarem para lá mulheres alheias.
A nossa equipa de reportagem esteve no passado fim-de-semana na Kisamba e constatou que os turistas têm vivido momentos de lazer inesquecíveis, sempre acompanhados de várias iguarias, como o famoso mufete e carne de caça, preparadas à moda da terra nas muitas barracas instaladas no local. A badalada discoteca do Nzeto, instalada no Cine Clube, situada junto à praia do Kikando, é outro atractivo que se oferece aos visitantes, que podem, também ali, adquirir artesanato diverso, como chapéus e cestas feitos com ramos de palmeira.
Com mais de 20 mil habitantes, Nzeto é por excelência uma terra de exuberância e panoramas exóticos, que deixam encantados quem a visita e gosta de se deleitar com o que de mais belo a mãe natureza oferece. As pedras sobrepostas (tadi-dia-bandakana, em kikongo), localizadas nas imediações da sede comunal da Muserra, ao longo da Estrada Nacional 110, são outras maravilhas naturais que a região oferece aos visitantes.
O aspecto rústico das pedras obriga os transeuntes a uma paragem para apenas observar ou tirar fotografias para mostrar à família ou aos amigos. O seu aspecto panorâmico é de facto digno de registo. Constituído por elementos vegetais rústicos e naturalmente alinhados, as pedras sobrepostas e o chilrear dos pássaros dão ao turista uma sensação de paz e liberdade.

Diversidade de pescado

Na praia do Kikando encontramos uma diversidade de espécies marinhas como corvina, madionga, sardinha, carapau, caranguejo, camarão, cacusso, linguado e espada. Os preços ali praticados variam entre os mil e os 800 kwanzas por um monte de quatro ou 20 peixes, dependendo do tamanho e da espécie. 
Os pescadores contaram à nossa reportagem que a corvina e o cachucho são as espécies mais capturadas durante a estação do cacimbo, que se aproxima. Jeremias Pedro Salvador, pescador há cinco anos, referiu que a falta de material adequado tem dificultado a pesca no município.
Outra situação que preocupa os pescadores e banhistas prende-se com a inexistência de depósitos para o lixo produzido pelas peixeiras, que como alternativa abrem buracos ao longo da praia para enterrar as escamas, espinhas e vísceras do pescado, o que pode ser perigoso para os banhistas.
Jeremias Pedro Salvador disse que as condições higiénicas das praias da região melhoraram substancialmente em relação aos anos anteriores, fruto de campanhas de limpeza que têm sido realizadas semanalmente, numa promoção da administração municipal do Nzeto.
O nosso interlocutor manifestou-se preocupado com a frequência de crianças no local sem que estejam acompanhadas por adultos, facto que, segundo disse, pode resultar em afogamentos, tendo por isso exortado os pais a alertarem os filhos para os perigos que correm indo sozinhos à praia.
Os pescadores do município do Nzeto pediram novas embarcações ao governo, para poderem aumentar os níveis de captura do pescado. O pescador Miguel Sebastião disse que as antigas embarcações, que lhes tinham sido entregues pelo Ministério das Pescas, já estão em estado obsoleto e algumas encalhadas nas areias da praia.
Miguel Sebastião avançou que este facto está a contribuir para a redução dos índices de captura de peixe na região, complicando a vida de muita famílias, cuja sobrevivência depende exclusivamente da actividade pesqueira.

Emprego na praia

O Jornal de Angola constatou que muitos jovens da vila piscatória do Nzeto ganham a vida ajudando os pescadores a puxar redes e transportando o peixe das vendedoras, da praia até ao mercado municipal. Este é o caso do jovem Manuel Filipe, que faz serviço
de táxi com a sua motorizada há seis anos, transportando peixe e material dos pescadores.
Nzuzi Makenda, outro jovem abordado pela nossa equipa de reportagem, ganha o pão escamando peixe na praia do Kikando. Conta que vive em Mbanza Congo e na primeira quinzena de cada mês desloca-se ao município do Nzeto para trabalhar na praia.
Há cinco anos na actividade, Nzuzi Makenda revelou que por dia consegue escamar em média seis banheiras de peixe, mas reconheceu não ser um trabalho fácil, porque as escamas e espinhas provocam ferimentos. Pai de um filho, Makenda afiançou que com o pouco que ganha consegue suprir algumas dificuldades da vida quotidiana.

Acidentes na via

Reabilitada que está, agora, a via rodoviária que liga Mbanza Congo ao município do Nzeto, o movimento fluido de pessoas e bens nos dois sentidos permitiria uma viagem tranquila, não fosse o desrespeito às normas do Código de Estrada por parte de alguns taxistas que fazem daquela rota uma pista de Fórmula 1, acto sempre associado ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, pondo, deste modo, em perigo a sua vida e a de terceiros.
Mankenda Isabel, um passageiro que vinha num táxi, revelou que a viagem de Mbanza Congo ao Nzeto acarreta sérios riscos, porque os automobilistas conduzem quase sempre em alta velocidade e muitos sob o efeito do álcool.
“Quando estão a conduzir esquecem-se que podem provocar acidentes”, disse Mankenda Isabel, que não escondeu a sua satisfação pelo estado actual da via Mbanza Congo-Nzeto, mas defende que é preciso educar os condutores.
Ao longo do troço, a nossa equipa de reportagem constatou a existência de numerosas carcaças de viaturas acidentadas. Durante o percurso testemunhámos a ocorrência de três acidentes de viação nas imediações da comuna do Nkiende, a 30 quilómetros da cidade de Mbanza Congo, envolvendo viaturas de marca Toyota Starlet, Toyota Corolla e uma motorizada, mas sem contudo ter causado vítimas mortais.

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