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"Água para Todos" chega ao Quinvuenga

José Bule | Uíge

Angelina António, num gesto simples, abre uma das torneiras do chafariz construído na vila comunal de Quinvuenga, município do Songo, província do Uíge, para encher uma banheira com água. Em menos de um minuto, o recipiente está cheio, dada a pressão com que corre o líquido.

Angelina António, num gesto simples, abre uma das torneiras do chafariz construído na vila comunal de Quinvuenga, município do Songo, província do Uíge, para encher uma banheira com água. Em menos de um minuto, o recipiente está cheio, dada a pressão com que corre o líquido.
Impressionada, dona Angelina, que em finais deste ano completa 51 anos, não acredita no que vê, sorri e dança muito. Está feliz e tão emocionada, que colheu com a mão um pouco de água da banheira e bebeu-a. Enquanto prepara a rodilha para colocar a banheira na cabeça, ela procura com os olhos alguém que a ajude a levantar o pesado recipiente e fica surpresa quando o secretário de Estado das Águas, Luís Filipe da Silva, se predispõe a prestar ajuda.
“Isso parece mesmo um sonho. Hoje, aqui mesmo no Quinvuenga, também já temos água a sair nas torneiras…”, disse Angelina, manifestando-se feliz por acreditar que o tempo em que percorria, a pé descalço, as ruas da comuna para encontrar água já passou.
O sistema de distribuição de água potável para as populações da comuna do Quinvuenga foi inaugurado, na semana passada, por Luís Filipe da Silva. Na localidade construiu-se um tanque com capacidade para dez mil litros de água, que depende de um sistema de bombagem por gravidade.
Este sistema de bombagem facilita, assim, o processo de distribuição para 533 residências, escolas, estabelecimentos comerciais, entre outras estruturas locais. Este é um projecto feito no âmbito do projecto “Água para Todos”. A obra beneficia mais de 3000 pessoas, que residem em Quinvuenga.
O soba adjunto da aldeia Banza Ginga, António Luís, visivelmente satisfeito, agradeceu ao Executivo pelo empenho na busca de soluções que visam melhorar as condições de vida das populações. “Espero que as autoridades continuem a fazer tudo para que esta localidade melhore cada vez mais. Vamos sensibilizar as crianças e as nossas mamãs para cuidarem bem desta infra-estrutura”, proferiu.
O Programa “Água para Todos” é mais um ganho para a população rural e associa-se a outros projectos que têm sido realizados pelo Executivo em prol das comunidades. “Este é mais um gesto do Executivo, bastante visível, que vai ajudar a melhorar o nível de vida das populações locais”, disse o administrador comunal, Pascoal Bula.
 
Água é fonte da vida

“A água é um elemento fundamental e importante para a vida. Sem água não há vida”, disse o secretário de Estado das Águas, Luís Filipe da Silva, afirmando que as crianças são as que mais sofrem quando não têm acesso à água potável. Por isso, segundo Luís Filipe da Silva, a presença do produto, na comuna do Quinvuenga, traz alegria a toda a população da região, mas é importante, continuou, que os beneficiários protejam bem a infra-estrutura, para que ninguém a danifique e que continue a servir todos os habitantes.
Na província do Uíge, o Projecto “Água para Todos” arrancou em 2007. O secretário referiu que, nesta província, o nível de cobertura ainda está muito aquém daquilo que se pretende, tendo em conta que o plano traçado pelo Executivo prevê alcançar, pelo menos, 80 por cento de toda a população rural.
“Todo o mundo quer ter uma quantidade e qualidade de água satisfatória. A província já tem uma população bastante significativa e um grande número de municípios e comunas, daí que haja ainda muito trabalho pela frente, até 2012, para que a maioria da população, quer urbana, quer rural, tenha um abastecimento de água mínimo”, disse.

Vias degradadas

Da sede municipal do Songo até à comuna do Quinvuenga são 42 quilómetros de distância, que são percorridos em cerca de hora e meia. A estrada está muito degradada, com enormes buracos. Só as viaturas com sistema de tracção às quatro rodas conseguem ali circular, mas com alguma dificuldade, o que torna o trânsito bastante lento.
Por causa do mau estado da via, a caravana de automóveis que acompanhava o secretário de Estado das Águas, Luís Filipe da Silva, chegou à comuna de Quinvuenga incompleta, pois, nem mesmo o sistema de tracção em muitas viaturas do tipo 4x4, foi capaz de impedir que estas ficassem enterradas em buracos lamacentos, num dos troços da estrada.
O administrador Pascoal Bula referiu que o desenvolvimento da comuna depende da reabilitação das vias de acesso, por ser condição indispensável para a circulação normal de pessoas e bens, facilitando o escoamento dos produtos cultivados na região. “As vias que ligam a comuna de Quinvuenga à sede municipal do Songo e às demais localidades, como aldeias e regedorias, estão muito degradadas”, afirmou.
Quinvuenga tem uma extensão territorial de cerca de 1.000 quilómetros quadrados e localiza-se a nordeste do município do Songo. A sua população, estimada em 8.240 habitantes, distribuídos em cinco regedorias e 26 aldeias, é maioritariamente camponesa.
“O progresso começou a chegar à localidade depois do alcance da paz, com a construção de várias infra-estruturas de raiz, como escolas, postos e centros de saúde, além da reabilitação de outras estruturas”, disse o administrador comunal.Pascoal Bula sublinhou que a reconstrução de pontes destruídas durante o conflito armado e a instalação de energia eléctrica na comuna são ganhos que a população local espera ter no futuro.

Água boa e melhor saúde

Acompanhado pelos membros da comissão de coordenação do Programa “Água para Todos”, composta pelos representantes dos Ministérios da Administração do Território, Planeamento, Finanças e da Energia e Água e da Casa Civil da Presidência da República, Luís Filipe da Silva reuniu-se com os administradores municipais.
Na sala da antiga Câmara Municipal, na cidade do Uíge, o governante afirmou que nas comunidades, em princípio, a prioridade deve ser as acções de disponibilização de água potável com a qualidade necessária para a saúde pública. Só depois disso é que devem ser realizadas as acções de canalização domiciliária.
“Existem preocupações relativamente à execução do programa, nesta província, que tem, nas áreas rurais, mais de um milhão de habitantes, cujas localidades habitadas, municípios, comunas, bairros, aldeias e regedorias devem ser atendidas”, disse.
 
Importância do projecto

Luís Filipe da Silva realçou que a designação “Água para Todos” faz transparecer a vontade do Executivo em levar a água a todo o território nacional e fazer com que todos beneficiem do produto, desde as cidades até às localidades mais recônditas do país.
Relativamente à execução do programa nesta província, existem muitas preocupações. Uíge é uma província que ainda tem um grande número de mortes em consequência do consumo de água imprópria, lamentou o secretário de Estado.
O responsável avançou que um dos grandes problemas que afectam negativamente o êxito do programa tem a ver com a gestão dos projectos executados.
“Aquilo que nós criamos ou construímos deve merecer uma gestão controlada, porque em muitos casos, nós erguemos infra-estruturas que, pouco tempo depois, ficam degradadas e acabamos por voltar à estaca zero”, lementou. Segundo Luís Filipe, existem informações de que uma grande parte das infra-estruturas relacionadas com o Programa “Água para Todos” deixou de funcionar por falta de manutenção e deficiente conservação dos equipamentos.
Por este motivo, o dirigente diz ser tão importante a construção como o é a parte que vem depois, a da manutenção e conservação dos equipamentos e das infra-estruturas. Daí ser necessário o envolvimento e empenho das administrações municipais e comunais para que estes empreendimentos sociais postos à disposição das populações locais durem mais tempo.
O secretário de Estado das Águas disse que, nas comunidades, as administrações locais devem ser as unidades principais da gestão das estruturas construídas e que têm a ver com a vida das nossas populações. “Talvez não seja falta de vontade dos administradores municipais, mas sim um problema de recursos financeiros para o asseguramento das obras realizadas”, referiu.
O governante avançou que é necessário as administrações municipais terem recursos para que possam exercer a sua função. É por essa razão que o Executivo está a desconcentrar as finanças, principalmente os dinheiros relacionados com os programas de combate à pobreza, de desenvolvimento rural e de melhoria dos serviços de saúde nas comunidades.

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