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Assistência do Governo para os mais vulneráveis

Valter Gomes |

Dez mil 622 pessoas, entre crianças e adultos com deficiências físicas e visuais, beneficiaram, desde 2010, de cadeiras de rodas, canadianas, triciclos manuais, muletas auxiliares e bengalas de orientação, no âmbito de um projecto de apoio social implementado pelo Governo do Uíge, para melhorar a assistência às pessoas em situação de vulnerabilidade.

Diversos bens de primeira necessidade têm sido distribuídos pelo Governo do Uíge e parceiros sociais às famílias em situação de vulnerabilidade
Fotografia: José Cola | Edições Novembro

Na província, a Direcção Provincial da Assistência e Reinserção Social tem vindo a desenvolver vários projectos que facilitaram a distribuição da cesta básica a centenas de famílias em situação de risco. Milhares de vítimas afectadas por sinistros ou catástrofes naturais e vários refugiados provenientes dos países limítrofes também receberam a devida assistência.
“Dentro do programa de alargamento da rede de equipamentos sociais, o sector conheceu melhorias significativas com a construção de oito centros infantis comunitários nos municípios do Bembe, Ambuíla, Songo, Buengas, Milunga, Quimbele, Maquela do Zombo e Puri”, disse a directora provincial da Assistência e Reinserção Social do Uíge.
Viliana Bunga referiu que o programa assegurou a assistência alimentar e não alimentar em todos os centros infantis e lares de idosos em funcionamento na província. Os programas “Leite e Papa” e “Mães Tutelares”, em curso desde 2010, facilitaram a assistência a 106.700 crianças em situação de vulnerabilidade, muitas delas com problemas de anemias e mal nutrição, além de permitir o surgimento de 885 mães tutelares.
No Uíge, está em curso a experiência piloto da municipalização da Acção Social para dar resposta positiva aos inúmeros casos ligados às pessoas vulneráveis. Para tal, foram já capacitados 65 técnicos em matérias de vulnerabilidade, diagnóstico, casos individuais e projectos comunitários. Duas infra-estruturas para o funcionamento dos centros de acção social foram já construídas na província.
Pelo menos, sete mil e nove ex-militares foram reintegrados em vários projectos de cooperativas de fomento agrícola, carpintaria, moageiras, electricidade, mecânica, serralharia, corte e costura, padarias, comércio, estofadores, bate-chapas, fotógrafos amadores, moto-taxistas e outras acções que visam o auto sustento das suas famílias.
A província conta já com uma base de dados para melhor identificação, registo e controlo das pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade. Os trabalhos de mapeamento, identificação das instituições parceiras e de registo da população em áreas de risco estão concluídos.
A promoção e protecção dos direitos da criança, contínua assistência à pessoa vulnerável, garantia de melhorias na inclusão social da criança, pessoa com deficiência e idosa, bem como a implementação das acções produtivas a favor dos grupos mais vulneráveis constam das prioridades do sector.
Outras apostas recaem para o reforço dos mecanismos de monitorização e avaliação dos programas e projectos do sector, proporcionar acessibilidade ao emprego das pessoas com deficiência, de acordo com a Lei 10/16, de 27 de Julho, e do Decreto Presidencial 12/16, de 15 de Janeiro, bem como a reintegração social e económica dos ex-militares. Viliana Bunga avançou que, no âmbito do projecto de alargamento da rede de instituições afectas ao sector da Assistência e Reinserção Social, vão ser construídos centros infantis nos municípios onde ainda não existem.

Centro Infantil Kiesse

O centro infantil “Kiesse”, que traduzido da língua nacional kicongo para o português significa “Alegria” foi criado com o objectivo de desenvolver as capacidades físicas, morais, intelectuais, culturais, comunicação e expressão linguística, imaginação criadora, bem como estimular as actividades lúdicas e estéticas da criança, no sentido de ingressar no ensino geral.
A instituição, controlada pela Direcção Provincial da Assistência e Reinserção Social, tem capacidade para albergar mais de 400 crianças dos 0 aos 5 anos. Gomes Ernesto Ricardo, o chefe do centro, conta que o lar regista um total de 1.240 crianças que frequentaram ali o ensino pré-escolar desde 2013.

Idosos abandonados por familiares estão melhor acomodados


No passado
, milhares de idosos eram abandonados à sua sorte, depois de acusados de práticas feiticeiras. Muitos eram maltratados pelos familiares, enquanto outros enfrentavam dificuldades por falta de alguém que os cuidasse, situação que obrigou o Governo Provincial do Uíge a investir na construção de um lar para idosos, na localidade do Quituma, na sede provincial. Nos dias que correm, o lar alberga 40 idosos oriundos de várias províncias do país. No Centro de Idosos do Quituma, funcionam sete trabalhadores, entre cozinheiros, lavadeiras e jardineiros.
“Aqui, os velhos são bem tratados. Oferecemos as três refeições diárias, o pequeno-almoço, almoço e o jantar. Além daquilo que recebemos da Direcção Provincial da Assistência e Reinserção Social, temos contado também com os apoios de outros parceiros sociais”, garantiu a responsável do lar, Maketo Madalena, antes de lamentar a falta de energia eléctrica e defender a necessidade de construir-se a vedação do recinto ocupado pela infra-estrutura, para evitar a vandalização do bem público e garantir maior protecção à integridade física dos idosos.
“As famílias devem cuidar melhor dos mais velhos. Hoje somos jovens, mas amanhã também seremos velhos. Por isso, acusar os idosos de feiticeiros, abandoná-los ou maltratá-los, em nada ajuda na unificação das famílias. Eles são as bibliotecas vivas de qualquer região ou país”, lembrou Maketo Madalena.

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