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Aulas digitais chegam às escolas da província

Joaquim Júnior | Uíge

Um total de seis escolas do ensino primário, afectas à Igreja Católica dos municípios de Uíge, Negage e Purí, vão beneficiar este ano lectivo de malas de tabletes para aulas experimentais em formato digital, anunciou ontem o bispo Diocesano do Uíge, D. Emílio Sumbelelo.

Escolas afectas à Igreja Católica no Uíge contam no próximo ano lectivo com um novo suporte para melhorar o processo de ensino
Fotografia: Arimateia Baptista| Edições Novembro

O prelado avançou que o projecto abrange, numa primeira fase, as escolas de Formação de Professores e do Divino Pastor, ambas na cidade do Uíge, de S. Francisco de Assis, de S. Francisco de Sales e das Irmãs Filhas de Jesus, no Negage, e S. Francisco Xavier, no Puri.
D. Emílio Sumbelelo avançou que cada uma das referidas instituições escolares vai beneficiar de malas compostas por 12 a 48 aparelhos tabletes programados com conteúdos curriculares da 1ª a 6ª classe.
A instalação dos referidos sistemas nas escolas católicas faz parte do projecto “ProFuturo”, criado pelo Papa Francisco, em 2016, para incentivar as novas gerações o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).
O bispo do Uíge explicou que o projecto nasceu de um diálogo que o Papa Francisco manteve com alguns técnicos e grandes benfeitores sobre o uso das novas tecnologias. Em Angola, a Diocese do Luena já funcionam há um ano, com o programa.
D. Emílio Sumbelelo disse que o projecto é um incentivo a mais para as crianças, salientando que os aparelhos estão devidamente programados com lições contidas nos manuais utilizados no sistema de ensino em vigor no país. “Este instrumento surge para aliar o ensino à motivação e aprendizagem aos novos meios de informação e comunicação num mundo cada vez mais moderno”, refere.
O bispo acredita que as crianças são as que mais facilidades têm de usar toda tecnologia, desde que se avance na formação, dai salientar a necessidade de colocar para os pequenos os equipamentos modernos, mas sem desprimor dos valores éticos e morais.

Arranque garantido


O padre Nelson Malundo, coordenador do projecto “ProFuturo” a nível da Diocese do Uíge, avançou que a implementação do projecto começou, numa primeira fase, com a formação de 54 professores das escolas seleccionadas, com duração de cinco dias. Nos próximos dias, disse que a capacitação vai abranger os directores das instituições de ensino beneficiárias do projecto, para que se assegure o bom manuseamento dos equipamentos postos à sua disposição.
Neste caso, o sacerdote salientou que as condições estão criadas para que, quando as aulas arrancarem, se possa também dar início às aulas digitais nas escolas  escolhidas. />O padre Nelson Malundo explicou que, neste sistema inovador do processo de ensino e aprendizagem, as matérias ministradas ao nível teórico vão passar numa plataforma chamada Weclass, para que o professor possa partilhar com os alunos, um dia por semana, aulas digitais. O religioso esclareceu que os meios a serem usados vão dar também a possibilidade dos professores prepararem as aulas com a plataforma criada nos computadores e adicionar novos conteúdos de acordo as lições programadas para a aprendizagem dos alunos.

Utilidade dos equipamentos

Cleide da Silva, especialista em educação das novas Tecnologias, esclareceu os equipamentos de última geração são potentes e agregam logísticas de conteúdos para uso escolar. A especialista salientou que cada escola vai contar com dois tipos de malas (uma grande e outra pequena), compostas entre 12, 30, 40 e 48 tabletes, com todos os acessórios tecnológicos necessários para que o aluno tenha uma aula digital completa.
A responsável avançou que é um projecto global de uma parceria firmada entre a Igreja Católica e Fundação Telefónica da Espanha, composto por tabletes, computadores, router de Internet, baterias, electroprojectores, tela, fichas de extensão e outros componentes necessários, para que a aula possa acontecer”, aclarou.
Cleide da Silva disse que a tecnologia em causa não substitui de maneira nenhuma o caderno e a esferográfica ou lápis, considerando se tratar apenas de uma ferramenta opcional, que será utilizada uma vez por semana.
“O importante é que as crianças comecem a se preparar para o futuro, pois se não dominarem as novas tecnologias ficam para atrás”, disse, para avançar que “tanto professores como alunos devem ter isso em mente no sentido de enfrentarem bem as barreiras que hão-de surgir”.
Cleide da Silva avançou ainda que o equipamento dispõe de Internet local, que permite conversas entre o usuário e o servidor dentro das salas de aula.
“Os professores que vão fazer uso das ferramentas terão a facilidade de preparar as aulas no computador, automaticamente disponibilizadas nos tabletes”, explicou.
A Igreja Católica na província do Uíge possui 24 instituições do ensino primário ao segundo ciclo secundário, comparticipadas pelo Estado, desde há dezenas de anos,que vão contribuindo para a formação de quadros.

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