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Autoridades querem paz nas famílias

José Bule | Uíge

A directora provincial da Família e Promoção da Mulher do Uíge afirmou, ontem, no Uíge, que, em 2010, a instituição construiu, em todos os municípios, casas para as mulheres vítimas de violência doméstica.

Emília Fernandes diz que a aprovação da Lei vai inibir a prática de crimes violentos
Fotografia: José Bule

A directora provincial da Família e Promoção da Mulher do Uíge afirmou, ontem, no Uíge, que, em 2010, a instituição construiu, em todos os municípios, casas para as mulheres vítimas de violência doméstica.
Este projecto, disse Emília Fernandes, enquadra-se no Programa Integrado Municipal de Combate à Fome e à Pobreza.
Entre as obras realizadas, salientou a construção de um Centro de Aconselhamento Familiar, no município sede.
 “Conseguimos inscrever também duas creches e dois parques infantis, que vão ser construídos no Uíge e no Negage”, anunciou, adiantando:
“Em Maquela do Zombo, Bembe e Quimbele vamos construir centros de empreendedorismo rurais”.
Em relação à violência doméstica, referiu que a direcção está a trabalhar com o Comando da Região Militar Norte para tentar diminuir os casos que envolvem militares.
Emília Fernandes declarou que, neste quadro de coordenação, a instituição que dirige trabalha com o comando provincial da Polícia Nacional do Uíge.
O actual Centro de Aconselhamento Familiar, revelou, regista, diariamente, dois a três novos casos de violência.  Este ano, no total, disse, houve 395 casos de violência.
 
Casos de abandono do lar

Emília Fernandes manifestou-se preocupada com a quantidade de casos de abandono do lar, que        representam 33,3 porcento do total das ocorrências registadas. “Estamos preocupados com a situação porque uma das áreas prioritárias do Ministério é a estabilização da família e, por isso, desenvolvemos um programa de aconselhamento para as pessoas que se juntam pela primeira vez”, afirmou.
Emília Fernandes disse estar, também, preocupada com as mulheres que vivem sozinhas com mais de dois filhos.
 “Muitas delas vivem em casas alugadas e não possuem poder financeiro para pagarem o arrendamento”, lamentou.
 “Muitas destas mulheres têm baixo nível de escolaridade e, por isso, enfrentam grandes dificuldades para conseguirem emprego e serem bem remuneradas”, lembrou.  A directora provincial salientou a importância de educar as jovens mulheres porque “ter marido é muito bom, ter família é bom, mas é necessário que elas tenham uma certa independência económica e aumentem os níveis de escolaridade para conseguirem bons empregos”.    
 
Aprovação da Lei

A directora da Família e Promoção da Mulher disse que a Lei contra a Violência Doméstica vai definir as regras comportamentais dentro das relações conjugais e pune os autores de actos de violência, além de prevenir e, consequentemente, ajudar a erradicar os casos.
“Quando as pessoas sabem que existe uma Lei contra a Violência Doméstica, com várias sanções, sentem-se inibidas de praticá-la. É necessário que a lei seja regulamentada o mais cedo possível. Na nossa província, já estamos a criar as condições, com a construção das casas de abrigo, centros de aconselhamento familiar e observatórios de violência doméstica nas comunidades”, salientou.
 
Perspectivas para 2011

A direcção provincial da Família e Promoção da Mulher vai apostar, em 2011, na construção de mais centros de aconselhamento familiar e preparar pessoas que assegurem o seu funcionamento.
A instituição, prometeu, vai criar condições para que as mulheres se sintam economicamente independentes e apostar no empreendedorismo rural. “No próximo ano, vamos promover debates com os órgãos de administração da justiça, estudantes e população em geral no sentido de todos conhecerem a lei e saberem utilizá-la para a resolução dos problemas”, anunciou.
A direcção provincial está a preparar as mulheres para poderem desenvolver o potencial económico, com base na formação, incentivando-as ao associativismo para que tenham acesso ao microcrédito.
A realização, no próximo ano, do Encontro Nacional das Mulheres Empreendedoras e do VIII Fórum Nacional da Mulher Rural, na província, também está entre as prioridades, concluiu.

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