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Autoridades reforçam protecção contra o ébola

A comissão multissectorial de prevenção e vigilância epidemiológica contra o ébola, criada na província do Uíge, reuniu-se em Maquela do Zombo para definir estratégias. com vista ao reforço das medidas de controlo e segurança ao longo da fronteira com a República Democrática do Congo (RDC).

A comissão criada tem como atribuições o reforço da fiscalização da entrada e saída de pessoas de Angola e da RDC
Fotografia: Filipe Botelho |

A preocupação das autoridades surge na perspectiva de travar uma eventual propagação da febre hemorrágica do ébola no território angolano, atendendo à vasta fronteira que a província tem com a RDC. Luísa Cambuta, directora provincial da Saúde, disse que o interesse do Governo Provincial passa pelo desdobramento nas localidades fronteiriças, por representar maior risco de transmissão do vírus.
A responsável explicou que a comissão se repartiu em subcomissões de vigilância epidemiológica, mobilização social, saúde ambiental e logística, integradas pelos efectivos da Polícia de Guarda Fronteiras, Forças Armadas Angolanas e técnicos de saúde. Luísa Cambuta referiu que as equipas sanitárias criadas para o efeito já estão mobilizadas para travar uma eventual contaminação da doença no território nacional.
As subcomissões têm como atribuições o reforço da fiscalização da entrada e saída de pessoas de Angola e da RDC, e vice-versa, a educação da população sobre as formas de transmissão do vírus ébola, através da distribuição de folhetos ilustrados, o incentivo à observação de medidas de biossegurança e a manutenção da higiene nos locais residuais, e nos fontanários onde a população vai buscar água para consumo.    
“A fronteira com a República Democrática do Congo constitui a principal preocupação das autoridades locais. Há todo o interesse em redobrar a vigilância, sobretudo nos municípios de Maquela do Zombo e Quimbele, que são as localidades da província onde podemos ter alguns imigrantes a entrarem pelos postos fronteiriços, na condição de infectados, daí a distribuição destas subcomissões”, referiu.
Em relação à subcomissão clínica já formada, Luísa Cambuta informou que a mesma inclui todos os técnicos de saúde em funcionamento nos hospitais, centros e postos de saúde a nível da província, cuja responsabilidade passa pela investigação prévia dos pacientes que eventualmente surjam com sintomas semelhantes à da febre hemorrágica do ébola, como febres altas, hemorragia, vómitos e outras manifestações. “A vigilância epidemiológica está permanentemente sob alerta. Temos contactos telefónicos disponíveis e sempre que uma pessoa identificar algum caso suspeito ou tenha algum sintoma, como febres altas ou sinais de sangue, deve imediatamente notificar as autoridades sanitárias”, apelou.
A directora provincial da Saúde salientou que a responsabilidade da prevenção da epidemia não cabe apenas aos técnicos sanitários, por isso convidou a população em geral a ser vigilante, atendendo os antecedentes negativos que a província viveu há poucos anos com a febre hemorrágica de Marburg.
O governador provincial do Uíge, Paulo Pombolo, pediu às populações do Maquela e às forças de segurança situadas nas zonas fronteiriças maior controlo e exortou a todos no sentido de observarem rigorosamente as medidas de prevenção, como forma de manutenção da saúde.   
“O ébola é uma epidemia que ainda não tem tratamento e está a matar muitas pessoas nos países da África Ocidental.
A livre circulação de pessoas e bens já é um facto. Todos os dias entram pessoas de diferentes nacionalidades a partir dos aeroportos e fronteiras e muitas delas podem estar contaminadas e criar problemas à nossa população, por isso é necessário estarmos em permanente alerta”, afirmou.

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