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Avenidas do Uíge asfaltadas

António Capitão | Uíge

Depois de alguma letargia nas obras de reabilitação, a cidade do Uige acorda agora sob o ruído de homens e máquinas que procuram recuperar o tempo perdido e mudar, para melhor, a imagem das ruas da cidade.

A emblemática rua do Comércio está a beneficiar de obras de reabilitação que vão deixar a cidade do Uíge com aspecto mais atraente
Fotografia: Filipe Botelho

 
Depois de alguma letargia nas obras de reabilitação, a cidade do Uige acorda agora sob o ruído de homens e máquinas que procuram recuperar o tempo perdido e mudar, para melhor, a imagem das ruas da cidade. São visíveis, logo às primeiras horas da manhã, homens e máquinas a revolverem os solos de mais de 20 ruas da cidade do Uíge, onde decorrem obras de aplicação e colocação de um novo tapete asfáltico, substituição dos passeios e lancis, numa extensão de 22 quilómetros.
Os trabalhos decorrem a bom ritmo, tendo em conta que as acções preliminares foram concluídas antes do prazo previsto. “Os trabalhos que estão a ser executados consistem na preparação da base dos 22 quilómetros das ruas da cidade, incluindo a reparação do pavimento degradado para depois colocarmos uma camada de desgaste em betão betuminoso quente com uma espessura de cinco centímetros”, esclareceu o administrador municipal do Uíge.
Afonso Luviluku informou que a primeira fase tem o fim previsto para os primeiros dias do próximo mês de Julho, período em que vão ser asfaltadas as ruas do Comércio, 1º de Agosto, Comandante Bula, Agostinho Neto, Pioneiro do Congo, Ultramar, Ambuíla, Alves da Cunha e Soba Manuel.
 “Na segunda fase, que começa em Julho, vão ser asfaltadas as ruas do Café, Industrial, do Hospital Militar, do aeroporto e algumas ruas dos bairros Dunga e Mbemba Ngango. Depois da conclusão dos trabalhos na cidade do Uíge, são reabilitadas as ruas da cidade do Negage, com novos passeios”, explicou.
Afonso Luviluko, administrador municipal do Uíge, anunciou que depois de colocado o asfalto nas ruas, vão também beneficiar de nova sinalização vertical e horizontal adaptadas ao novo Código de Estrada, com vista a permitir uma melhor orientação do trânsito automóvel e peões.
“Trata-se de um trabalho integrado, em que vamos contar com a colaboração de especialistas da Polícia de Viação e Trânsito para a fase de sinalização, tendo em conta que são trabalhos específicos”, acrescentou.
 
Rede de esgotos

Para o êxito da empreitada, Afonso Luviluku referiu que já foi feita a manutenção do sistema de esgotos da cidade. As sarjetas foram desentupidas e para que os esgotos domésticos e a água das chuvas não se voltem a acumular sobre o asfalto, foram colocados novos tampos nas sarjetas.
O administrador municipal afirmou que a água tem sido o principal agente causador da degradação das ruas, por isso a reabilitação da rede de esgotos antecedeu os trabalhos de asfaltagem.
“A água, como todos sabemos, é um bom produto para a construção, mas também é o pior inimigo do pavimento. Por isso, para nos precavermos, a Administração Municipal reabilitou, no ano passado, toda a rede de esgotos, para facilitar o início dos trabalhos de asfaltagem”, disse.
 
Passeios e lancis

A obra de reabilitação das ruas da cidade do Uíge contempla igualmente a substituição dos lancis e do pavimento dos passeios e calçadas. Nesta altura, a maior parte das ruas a serem asfaltadas já possuem novos lancis, aguardando que nos próximos dias se faça a reparação dos passeios.
Afonso Luviluku informou que os passeios e calçadas vão ser revestidos por cubos de granito, porque o objectivo é proporcionar uma nova estrutura arquitectónica aos passeios da cidade.
“É um grande esforço que está a ser empreendido pelo Governo, pelo que pedimos a colaboração e compreensão da população de formas a termos uma cidade melhor estruturada”, apelou Afonso Luviluku, acrescentando que, para tal, “é necessário que as pessoas removam os automóveis ou outras máquinas das ruas para não impedirem o avanço das equipas de trabalho”.  
 
Pintura dos edifícios

O administrador do Uíge revelou que está prevista a pintura das fachadas exteriores dos edifícios e moradias da cidade para se harmonizar a imagem arquitectónica da urbe. “Estamos numa fase de arrumar a nossa cidade, começámos primeiro pelas infra-estruturas rodoviárias e depois vamos para a pintura dos edifícios e residências e corrigir alguns defeitos nas suas paredes”, referiu.
Afonso Luviluku defendeu a necessidade dos proprietários das moradias cuidarem do seu visual exterior e interior, evitando que seja sempre o governo a preocupar-se com isso. “Os munícipes, apesar de muitos deles viverem na condição de inquilinos do governo, devem considerar estas residências como deles, tratando sua pintura, reparar as janelas e portas em mau estado, dando um outro aspecto à nossa cidade”, concluiu.
 
População satisfeita

Para além dos constrangimentos causados pelos engarrafamentos, porque muitas das ruas da cidade estão encerradas temporariamente, a população elogia os esforços do Governo dirigidos para a melhoria da circulação rodoviária no perímetro urbano da cidade do Uíge.
O automobilista José Ferreira da Cunha diz que as acções que estão a ser realizadas são de fundo e vão resolver os problemas. “A reabilitação das ruas é bem-vinda porque vai beneficiar sobretudo os automobilistas e permitir que as nossas viaturas durem mais tempo e sejam diminuídos os constantes problemas de avarias técnicas. Vai de igual modo estimular os detentores de carros e motorizadas a pagarem as taxas de circulação sem mais reclamações”, referiu.
 “Percorrer mais de 300 quilómetros, do Uíge a Luanda, em seis horas de viagem, era mais fácil do que conduzir durante uma hora nas ruas da cidade do Uíge, onde caminhamos aos ziguezagues, por causa dos buracos, que além de cansarem o condutor, os pneus e rótulas vão à vida muito cedo”, lembrou José Ferreira da Cunha.
Augusto Domingos recorda que quando seguia viagem para a capital do país ou para os municípios do Negage e Quitexe deixava ficar para trás “a dança da estrada”. De regresso à cidade do Uíge, o sentimento era de desconforto e muito sacrifício.
Lucas Ferreira, 28 anos, é pedreiro de profissão. Morador no bairro GAI, Lucas tem mulher e três filhos. O jovem dependia de pequenos biscates para sustentar a família. Nesta nova empreitada, onde encontrou emprego, Lucas dedica-se à aplicação de lancis e passeios.
Além de estar orgulhoso pelo contributo que dá em prol da reconstrução da sua província, Lucas Ferreira está satisfeito por saber que o salário que recebe tem chegado para sustentar a família com dignidade e suportar os encargos com os dois filhos que já frequentam a escola.
Aos 19 anos, Fernando Alberto, estudante da 8ª classe, revelou que a sua missão nas obras é velar pela segurança dos colegas enquanto trabalham. Coloca cones e outros meios de sinalização para evitar que as pessoas não ligadas ao trabalho se aproximem do local, e para que as viaturas não circulem naquele perímetro.
 Para além de considerar baixo o ordenado que recebe no final do mês, Fernando Alberto defende que “é melhor receber pouco do que ficar em casa sem ter nada para comer e para pagar os meus estudos”.
Fernando Alberto disse que “o dinheiro que recebo não serve para satisfazer todas as minhas necessidades, mas reduz algumas carências. Tenho esperança que um dia vou conseguir algo melhor. Mas por enquanto estou aqui, espero ganhar de acordo com o volume de trabalhos que faço”, disse.
Manzambi Sebastião, 32 anos, que manuseava uma enorme máquina niveladora, pediu maior colaboração da população, sobretudo dos moradores que possuem viaturas estacionadas nos locais onde decorrem os trabalhos, no sentido de as removerem para a empreitada andar mais depressa e serem cumpridos os prazos estabelecidos para a execução da obra.
 “Já notamos a colaboração da população pedestre. Lamentamos somente a postura de muitos proprietários de viaturas que ainda insistem em deixar os seus veículos ao longo das ruas, impedindo que o nosso trabalho caminhe dentro da normalidade”, lamentou o maquinista Manzambi Sebastião.

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