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Cadáveres são abandonados na morgue

António Capitão | Uíge

Vários casos de abandono de cadáveres estão a ser registados, desde o último mês de Maio, na morgue do Hospital Central do Uíge, denunciou ontem o chefe da secção de anatomia patológica da unidade clínica.

Corpos são abandonados no hospital local
Fotografia: Filipe Botelho

Garcia Nunes revelou que, até princípios deste mês de Julho, muitos corpos continuavam abandonados, tendo a unidade hospitalar, em colaboração com os serviços comunitários da Administração Municipal do Uíge, realizado os funerais. “Até agora nenhum familiar ou parente apareceu para reivindicar os corpos por nós sepultados, depois das várias semanas em que os cadáveres ficaram deixados à sua sorte”, lamentou.
O responsável afirmou que, até a última terça-feira, havia dois cadáveres nesta condição e nenhum familiar apareceu a contactar os responsáveis do hospital para saber dos mesmos. Garcia Nunes explicou que a maior parte dos abandonados foi vítima de acidentes de viação ou de agressões físicas e que depois de chegaram ao hospital são abandonados pelos familiares.
“É uma situação que nos tem deixado bastante consternados, por representar um acto de imoralidade e de violação dos hábitos e costumes da região”, disse, para acrescentar que os ente queridos devem ser importantes e honrados mesmo após a morte. O responsável da morgue disse que o fenómeno tem criado alguns constrangimentos no funcionamento daquela dependência hospitalar, tendo em conta o longo período que os corpos permanecem nas gavetas frigoríficas.
Garcia Nunes destacou a reabilitação e ampliação da morgue do Hospital Central do Uíge, tendo realçado que a mesma passou a ter 36 gavetas para a conservação de cadáveres, sendo 24 na unidade que beneficiou de obras de restauro e outras 12 a funcionar num pequeno necrotério alternativo, em função dos trabalhos de reabilitação que decorriam.
“Apesar deste fenómeno de abandono de cadáveres, a morgue do hospital tem um funcionamento razoável”, disse, para adiantar que os corpos ai depositados permanecem conservados nas gavetas frigoríficas até os familiares os retirarem para enterros.

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