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Camponeses do Bembe esperam boas colheitas

Walter Gomes | Uíge

Camponeses organizados em associações e cooperativas no município do Bembe, província do Uíge, prevêem, para este ano agrícola, a colheita de mais de 70 mil toneladas de produtos diversos, anunciou sexta-feira o coordenador da Associação Agro-pecuária do Bonde.

Distribuição de equipamentos para a produção agrícola está a dar novo impulso ao trabalho do campo na província do Uíge
Fotografia: Jornal de Angola

Adolfo Pedro Panzo, salientou que foram cultivados, este ano, mais de 30 hectares de batata-doce, ginguba, feijão, milho, arroz, abóbora, mandioca, banana e inhame, que estão já na fase de colheita.
“Temos a certeza que nesta época agrícola vamos ter uma boa safra, porque as plantações estão a desenvolver-se positivamente e com sinais de produção animadores”, realçou.
Nesta época seca, disse que os camponeses aproveitam a fertilidade das zonas húmidas para a produção e cultivo do feijão, ginguba, milho e horticulturas, que garantem o sustento das famílias.
Adolfo Panzo salientou que, além de produtos agrícolas, as associações de agricultores pretendem investir na criação de gado caprino, suíno e ovino, uma vez que a região possui óptimas condições para a criação de animais.
No ano agrícola 2011/2012, a Associação Agro-pecuária do Bonde recebeu, do Governo Provincial do Uíge, um tractor e respectivas alfaias, além de instrumentos agrícolas, como enxadas, machados, motobombas, sementes diversas, motosserras, limas e outros instrumentos agrícolas. “Estes meios ajudaram bastante e incentivaram os camponeses a alargarem mais as áreas produtivas”, esclareceu, notando que estão disponíveis terrenos “totalmente desbravados” para a produção de qualquer tipo de cultura.
A Associação do Bonde conta com mais de 60 membros entre homens e mulheres.O coordenador da Associação Agrícola da regedoria de Masselele, Pedro Ferraz, disse que os camponeses da localidade estão “totalmente empenhados” na produção de alimentos para reduzir a pobreza nas famílias, mas a falta de instrumentos agrícolas, máquinas de lavoura e sementes suficientes pode criar dificuldades para se atingirem as metas.
“Nesta localidade, praticamos a agricultura de subsistência devido à falta de máquinas e, nesta época agrícola, já temos trabalhados 12 hectares com mandioqueiras, batata-doce e inhame”, disse o responsável desta associação, formada por mais de 50 membros. Na presente campanha agrícola os camponeses esperam colher mais de 40 toneladas de produtos diversos, mas Pedro Ferraz lamentou o mau estado das estradas e a falta de meios de transporte para o escoamento.Além das culturas tradicionais, como a mandioca, o milho, feijão, batata-doce, a população do Bembe dedica-se, também, à produção de laranja, abacaxi, tangerina, abóbora, abacate, cana-de-açúcar, café, gergelim e ervilha.

Melhoria das estradas

Os sobas, seculos, regedores, entidades religiosas e a população do Bembe querem ver melhorada a estrada de 110 quilómetros que liga a povoação à capital da província, disse o regedor do Quipaco, município do Bembe, Afonso Salakiako.
Lembrou que entre 2007 e 2008 esta estrada foi terraplanada, mas actualmente está totalmente esburacada. “Quando foi reabilitada a estrada, fazíamos menos de duas horas, mas, actualmente, levamos quase meio-dia, o que é muito cansativo”, disse o responsável.
Afonso Salakiako acrescentou que o mau estado das estradas também cria sérias dificuldades aos camponeses, no escoamento da produção para os grandes centros de consumo.
“Aqui, o milho, feijão, mandioca, batata-doce e outros produtos chegam a estragar-se nos campos por causa das estradas que estão muito mal”, sublinhou.Por isso, pediu a asfaltassem completa da estrada para melhorar o escoamento da produção e aliviar o sofrimento das populações.

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