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Camponeses sem meios para escoar produtos

Valter Gomes | Puri

Camponeses integrados na Associação Agrícola 17 de Setembro, na localidade de Quicabato, município do Puri, no Uíge, precisam de meios de transporte para facilitar o escoamento dos produtos cultivados na região.

Muitos produtos agrícolas produzidos no Puri à espera de meios para serem escoados
Fotografia: Filipe Botelho | Puri

Ramos Quitenda, presidente da Associação Agrícola 17 de Setembro, que apresentou esta preocupação à directora provincial da Família e Promoção da Mulher, Catarina Domingos, explicou que, na época agrícola anterior, os camponeses produziram grandes quantidades de mandioca, ginguba, feijão, cana-de-açúcar, abóbora, batata-doce e hortícolas diversos, numa área de quase 14 hectares.
“Muitos produtos estão a apodrecer no campo por falta de meios para serem escoados”, disse Ramos Quitenda, que lamentou ainda a insuficiência de instrumentos de trabalho, como enxadas, catanas, limas, machados, motosserras e outros meios de trabalho.
A falta de escoamento de produtos do campo para a cidade está a provocar sérios problemas aos associados, que já beneficiaram de um tractor, no âmbito do Programa de Crédito de Campanha Agrícola. Na presente época agrícola, já trabalharam 30 dos 50 hectares previstos.
A Associação Agrícola 17 de Setembro, na localidade de Quicabato, no Puri, existe há mais de cinco anos e é composta por mais de cem membros.  Catarina Domingos, que visitou a associação de agricultores, afirmou que o Executivo está cada vez mais preocupado em melhorar as condições de vida dos camponeses, através de acções de construção e reparação das vias de acesso, instalação de moageiras, construção de centros maternos infantis, entre outras acções.
“Em Angola, e na província do Uíge em particular, a mulher rural representa a maioria das famílias e desempenha um papel preponderante na produção de bens essenciais para a população, além de lutar também pela estabilidade nutricional das famílias”, considerou.
O administrador do Puri, Beirão Monteiro, explicou que, a nível do município, estão registadas 20 associações de camponeses, integradas por mais de quatro mil membros, dos quais 2.250 são mulheres.
“No cumprimento das políticas que visam desenvolver e melhorar as condições de vida dos camponeses, procuramos agrupar as famílias em associações e cooperativas, para se aumentar a produtividade e reduzir a fome e a pobreza nas comunidades”, salientou.
A Administração Municipal a­dquiriu tractores com alfaias, que apoiam os camponeses nas suas actividades, o que tem contribuído significativamente para o aumento da produção de alimentos na região.
Puri, localizada a 88 quilómetros da sede provincial do Uíge, tem cerca de 1.448 quilómetros quadrados e é habitado por mais de 54 mil habitantes. A localidade possui muitos rios e lagoas, que proporcionam um potencial turístico e agro-pecuário aceitável.   

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