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Carros circulam entre o Songo e Quivuenga

António Capitão| Quivuenga

A circulação rodoviária entre a sede municipal do Songo e a comuna de Quivuenga, na estrada que passa pelas aldeias do Tuco, Quicaricari e Quimbengui, foi reposta, depois de ter ficado mais de 25 anos interdita, devido à destruição da ponte sobre o Rio Lucunga, no Uíge.

Antes da construção desta ponte que facilita a circulação de pessoas e bens muitos munípices morreram ao tentar atravessar o rio
Fotografia: Mavitidi Mulaza|Quivuenga

Esta estrada era a única utilizada pelas populações para chegarem à vila municipal do Songo e a sua destruição obrigou os habitantes a atravessarem o rio sobre um tronco de árvore preso entre os destroços dos pilares da antiga ponte, construída no período colonial.
Anos mais tarde, devido ao aumento do caudal do rio, os moradores construíram uma ponte feita com tábuas sob fios e varões de ferro, até à colocação da nova infra-estrutura, inaugurada pelo governador do Uíge, Paulo Pombolo.
Até aqui, a maior parte dos produtos cultivados estragavam-se por falta de escoamento para o mercado da vila municipal do Songo.
A nova ponte metálica, com 33 metros de comprimento e 4,2 de largura, foi construída recentemente pela Empresa Nacional de Pontes (ENP) e tem capacidade para suportar até 50 toneladas.
O governador considerou a reposição da circulação rodoviária entre a vila do Songo e a comuna do Quivuenga um factor de desenvolvimento para a região, tendo em conta que as autoridades vão poder investir mais naquela localidade.
Paulo Pombolo disse que, a partir de agora, os camponeses da localidade vão poder aumentar a produção agrícola graças às novas possibilidades de escoarem os produtos. “Também vão obter mais rendimento financeiro, o que lhes vai permitir melhorar as condições de vida”, disse o governador. As atenções do Governo Provincial e da administração municipal vão estar agora voltadas para a construção de novas unidades sanitárias, escolas e residências para técnicos.
A administradora municipal do Songo, Adelina Pinto, destacou que antes da reposição da ponte sobre o Rio Lucunga dezenas de homens, mulheres e crianças morreram na tentativa de atravessar, assim como muitas toneladas de mercadorias diversos foram arrastadas pelas águas.

Mais saúde


Na aldeia de Mbau II, a cerca de sete quilómetros da vila do Songo, o governador Paulo Pombolo inaugurou um posto de saúde, com quatro salas de internamento e 11 camas. A unidade tem ainda sala de espera, consultório médico, farmácia, laboratório de análises clínicas e casas de banho.
A infra-estrutura, afecta à Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo (Tocoísta), vai permitir que a população da localidade tenha assistência médica e medicamentosa.
Paulo Pombolo destacou as acções desenvolvidas pela Administração Municipal do Songo e disse que elas estão a contribuir para o combate à pobreza na região, assim como na melhoria das condições de vida da população, através da instalação de vários serviços sociais básicos.
“O Governo Provincial continua a incentivar as administrações municipais a efectuarem a avaliação e o levantamento das necessidades prioritárias da população para, no âmbito dos nossos planos e programações anuais, elas serem solucionadas paulatinamente”, referiu.
Na comuna do Quivuenga, o governador inaugurou uma escola do I e II ciclos do ensino secundário, com oito salas de aulas, de professores e de reuniões, gabinetes administrativos e balneários.
A escola vai permitir que mais de 700 crianças estudem em melhores condições. “Nestes tempos de paz, o ensino deve ser uma das prioridades das autoridades”, sublinhou.

Riqueza agrícola


Paulo Pombolo exortou os habitantes da comuna do Quivuenga a intensificarem a produção agrícola na região, tendo em conta que a actividade começa a transformar-se numa verdadeira fonte de riqueza.
Ao destacar o Programa de Aquisição da Produção Agro-pecuária (PAPAGRO), do Ministério do Comércio, considerou-o uma grande oportunidade para os camponeses escoarem os seus produtos. Para isso, anunciou a construção do mercado de produtos agro-pecuários (Agromerca), na vila do Songo, onde os produtores do município vão passar a vender os seus produtos.
O programa vai ajudar os agricultores da localidade, agrupados em oito associações de camponeses, principalmente os que não beneficiaram de crédito de campanha agrícola, a encontrarem uma nova modalidade de financiamento das suas actividades, através da venda do excedente das suas produções.
Existem duas medidas do Executivo para ajudar os camponeses, recordou Paulo Pombolo: o crédito de campanha agrícola, que tem ajudado directamente na compra de sementes e equipamentos, e a compra da produção dos agricultores, através do PAPAGRO, que vem pôr fim às reclamações de falta de mercados para escoar os produtos. Paulo Pombolo disse que a sua deslocação à comuna do Quivuenga, além de servir para conhecer melhor as dificuldades enfrentadas pela população e administração comunal, visou, ainda, identificar os problemas prioritários dos habitantes.
Paulo Pombolo entregou uma viatura todo-o-terreno ao administrador comunal, para facilitar as suas deslocações às diversas localidades da comuna, e outras duas viaturas à direcção da escola do I e II ciclos.
Procedeu, ainda, à entrega de instrumentos agrícolas aos camponeses, roupa usada, material de higiene, utensílios de uso doméstico, chapas de zinco e outros bens de primeira necessidade.

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