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Centro de saúde vira hospital de referência

Valter Gomes |Uíge

O actual centro municipal de saúde do Bembe, província do Uíge, com capacidade para 70 camas, vai ser ampliado e transformado numa unidade hospitalar de referência, a partir dos primeiros meses do próximo ano.

As obras de ampliação do centro de saúde começam no próximo ano e visam melhorar a assistência médica à população da região
Fotografia: Mavitidi Mulaza|Uige

O centro, que actualmente presta serviços de maternidade, puericultura, vacinação alargada e pediatria, passará a dispor de uma capacidade de mais de 100 camas, para internamento, serviços de medicina geral, ortopedia, cirurgia, bloco operatório, hemoterapia, banco de urgência e outros serviços de saúde, que oferecem um atendimento humanizado aos pacientes.
O chefe da repartição municipal de Saúde do Bembe, António Changa, disse sábado que a necessidade de ampliação e transformação da unidade deve-se ao aumento da população quer a nível da sede, quer da periferia do município.
Outro motivo, esclareceu o administrador António Changa, tem a ver com o facto do actual centro já não oferecer condições suficientes para suportar a procura de pacientes.
O projecto, que conta com a colaboração da Administração Municipal do Bembe, no âmbito da execução do Programa de Desenvolvimento Rural e de Combate à Pobreza, vai garantir igualmente um atendimento mais humanizado aos pacientes.
O responsável referiu que, além do hospital municipal, serão também construídos, ainda este ano, novos postos e centros médicos, nas localidades do Wando Nsundi e nas aldeias que fazem fronteira com a província do Mbanza Congo.
Está prevista também a ampliação dos centros de saúde já existentes nas comunas de Quimaria, 69 quilómetros da sede do Bembe, e Lucunga, que dista 53 quilómetros do centro do município.
António Changa disse que actualmente estão controladas 22 unidades sanitárias, entre postos e centros de saúde, distribuídos nas diversas localidades do município. O funcionamento destes estabelecimentos clínicos é assegurado por 42 enfermeiros efectivos, 35 contratados e três médicos, dos quais apenas um nacional.
Para garantir o funcionamento adequado das diversas unidades sanitárias em construção, disse que a repartição municipal de Saúde necessita de mais seis médicos de diferentes especialidades e 18 novos enfermeiros.
O responsável adiantou que a repartição tem promovido acções de formação dos enfermeiros, contratados recentemente, referindo que outros têm sido encaminhados para o Instituto Médio de Saúde, com vista a melhorarem as capacidades teóricas e técnicas, bem como os princípios éticos e deontológicos. O administrador avançou que as autoridades estão a desenvolver esforços para continuar a levar, nos próximos dias, os serviços sanitários às zonas mais recônditas e humanizar o atendimento às populações.
António Changa lamentou a falta de meios de transporte, sobretudo ambulâncias, o que tem complicado a evacuação de pacientes. Esta situação tem provocado muitas mortes, principalmente para as populações que vivem em zonas distantes das unidades clínicas e com vias de difícil acesso.

Mais salas e professores

No município do Bembe estão em pleno funcionamento 43 escolas primárias, sendo três do I ciclo e uma do II ciclo do ensino secundário, nas comunas do Lucunga e Quimaria.
O chefe da repartição municipal da Educação do Bembe, José Manuel Eduardo, avançou que, para melhorar o funcionamento das instituições, o sector precisa de 70 novos professores, devidamente capacitados, que se juntariam aos actuais 463. Os referidos agentes asseguram as aulas para 10.125 alunos matriculados nas diversas escolas da municipalidade do Bembe, garantiu o responsável.
O chefe da repartição considerou que as escolas existentes são insuficientes para atender o grande número de menores em idade escolar. Para resolver este problema, necessita-se de pelo menos duas novas instituições do I ciclo e uma para acolher alunos do II ciclo, além de 104 novas salas para o ensino primário. O responsável apontou as localidades de Quihumba, Totó e Mbumbo como áreas prioritárias para a construção de salas, uma vez que ficam muito distantes das zonas onde existem escolas.

Abandono de turmas

Muitos professores colocados nas diversas escolas da repartição municipal do Bembe, furtam-se da actividade de ensinar, depois que se apresentam, nos primeiros dias, aos alunos. Os referidos professores abandonam as turmas e permanecem na cidade, auferindo salários sem, contudo, trabalharem. Este comportamento está a afectar os níveis de aproveitamento nas escolas locais.
José Manuel Eduardo, que pediu punição imediata para os faltosos, sugeriu que, nos próximos concursos públicos, deve-se priorizar os candidatos residentes, desde que tenham o ensino médio. Quanto à merenda escolar, o programa de distribuição, neste ano, já contemplou um total de 1.704 alunos.

Centenário do município


Fundado em 1913, o Bembe vai comemorar, no próximo dia 29 deste mês, cem anos, desde a sua elevação à categoria de município. Para saudar a efeméride, várias actividades de índole desportiva, sociais, económicas, culturais, entre outras, foram agendadas.
Durante dois dias, a quarta edição das festividades da municipalidade reserva visitas a várias obras em curso naquela parcela do Uíge, com destaque para o troço Totó/­Vale do Loge, escola do II ciclo do ensino secundário, aos centros infantil e educativo comunitários, bem como ao centro municipal de saúde, futuras residências dos médicos e outras.
Com uma extensão de 5.350 quilómetros, o município do Bembe está situado a 150 quilómetros da sede da cidade do Uíge. Tem duas comunas (Lucunga e Quimaria), 19 regedorias, 118 aldeias e uma população estimada em mais de 50 mil habitantes, na sua maioria camponeses.

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