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Centros infantis melhoram serviços no Uíge

Walter Gomes |Uíge

No centro infantil Santa Maria dos Anjos, afecto à Igreja Católico, no bairro Mbemba Ngango, na cidade do Uíge, o pequeno Márcio Egnaldo, de cinco anos, brinca com os amigos, aprende a desenhar, cantar e dançar. “Gosto de brincar no carrossel, no baloiço, jogar à bola e saltar”, diz sorridente.

Os centros acolhem centenas de crianças menores de cinco anos que além das brincadeiras aprendem as primeiras letras
Fotografia: Mavitidi Mulaza |

O centro acolhe mais de 100 crianças, dos dois aos cinco anos, organizadas em quatro turmas, de acordo com as respectivas idades, de segunda a sexta-feira. Nas salas, os rapazes vestem de azul, enquanto as meninas usam batas cor-de-rosa.
“Aqui elas aprendem a respeitar e a cumprimentar os mais velhos, a conhecer as cores e os nomes dos objectos. A expressão linguística, a comunicação e várias brincadeiras construtivas ajudam ao desenvolvimento delas”, afirmou a educadora de infância Garcianda Rafael.
As crianças, acrescentou Garcianda Rafael, também aprendem a falar e a conhecer melhor as coisas. Fruto dos métodos educativos utilizados pelas educadoras de infância, tornam-se cada vez mais inteligentes, humildes, respeitadoras e alegres.
O centro infantil Santa Maria dos Anjos possui um parque e jardim infantil, salas de aprendizagem e outras áreas para recreação. Mais de 20 funcionários, entre vigilantes e educadoras de infância, trabalham na creche.
A equipa do Jornal de Angola constatou que as educadoras de infância não se poupam a esforços para consolar os bebés, distribuem carinho e constroem um mundo de fantasia para acalmar os mais irrequietos.
As vigilantes controlam os movimentos que as crianças fazem no interior da creche, até à hora em que os pais ou encarregados de educação as vão buscar. 
Numa das salas, as crianças largaram os lápis e cadernos para prestar mais atenção ao repórter fotográfico que invadiu a sala para as fotografar. Cada flash disparado valeu os aplausos dos mais de 30 petizes concentrados na turma. Estavam entusiasmados.
O director do centro infantil, Cândido Alberto, disse que a instituição, a funcionar há três meses, está a contribuir positivamente para a educação das crianças e que este ano estão matriculadas 123. 

Centro Kiesse


Fonseca Quifica, de 32 anos, vive no bairro Quituma e percorre diariamente cerca de oito quilómetros para deixar as crianças no Centro Infantil Kiesse, na rua soba Manuel, onde estão matriculadas outras centenas de crianças menores de cinco anos.
“Acordo cedo todos os dias para apanhar táxi e ir deixar as crianças na creche. O trajecto é difícil e cansativo, mas tendo em conta a importância que os centros infantis têm para a formação das crianças nunca penso em desistir”, disse.
De acordo com ele, naquele centro as crianças são bem tratadas e aprendem muito depressa a conhecer as coisas. “A minha filha de cinco anos já sabe copiar e desenhar. Isso demonstra o contributo aceitável das creches em relação à formação das crianças”, disse.
Engrácia Estrela, outra encarregada de educação, salientou a falta de meios de transporte para apoiar as crianças que vivem nas zonas mais longínquas, “porque muitos pais têm dificuldades em levar os filhos à creche, de segunda a sexta-feira”.
O chefe do Centro Infantil Kiesse, Gomes Ricardo, disse que a instituição pré-escolar tem 327 crianças dos zero aos cinco anos e subdivide-se em duas áreas de funcionamento: a Creche e o Jardim Infantil.
A creche acolhe os meninos de dois anos enquanto o Jardim infantil só recebe as crianças dos três aos cinco anos de idade.
Gomes Ricardo afirmou que o Jardim Infantil exerce uma influência notável na aprendizagem das crianças, pois ali os mais pequenos são devidamente preparados para a sua inserção no sistema geral de ensino.
“O centro tem um subsistema de educação pré-escolar permanente, que cuida da primeira infância e tem como finalidade o desenvolvimento físico, intelectual, afectivo, emocional, psicomotor, cognitivo, social e moral das crianças”, disse.
No Kiesse os trabalhadores educam as crianças com alegria, zelo e dedicação, capacitando-as com valores culturais, comunicação linguística, representação matemática, psicomotricidade e educação visual e plástica.
O director disse ao Jornal de Angola que as crianças chegam ao centro entre as 7h00 e as 9h00 e são recolhidas pelos pais ou por algum outro membro da família a partir das 15h00. A instituição encerra as portas às 17h00. Gomes Ernesto lamentou o facto de muitos pais se atrasarem na hora de ir buscar os seus filhos, facto que causa muitos embaraços aos trabalhadores e às próprias crianças.
“De manhã, quando as crianças chegam ao centro, são orientadas a fazer pequenos exercícios de ginástica para garantir o desenvolvimento psicomotor e físico delas”, realçou.
Para cuidar da saúde das crianças, o centro dispõe de um posto médico. “As tarefas estão divididas. Cada um deve actuar na sua respectiva área de trabalho. Apesar do objectivo ser comum, o de oferecer um serviço de qualidade, aqui cada um deve procurar fazer bem o seu trabalho para, no final, os serviços prestados pela nossa instituição serem considerados positivos”.
O Centro Infantil Kiesse conta com o apoio do Governo Provincial do Uíge, sob gestão directa da Direcção Provincial da Assistência e Reinserção Social. Funciona com 45 trabalhadores, entre educadores de infância, professores, ecónomos, vigilantes e auxiliares de limpeza.
O centro tem como missão promover o desenvolvimento das crianças, aumentar a capacidade de expressão e comunicação, imaginação, e estimular a actividade lúdica, com vista a entrada das mesmas no sistema geral do ensino, assim como permitir melhor integração e participação da criança na sociedade, através da observação e compreensão do meio natural, social e cultural que a rodeia.

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