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Chafarizes chegam ao bairro da Quilala

Valter Gomes |Uíge

Com a instalação em 2011, de dois fontanários no bairro Quilala, periferia da cidade do Uíge, Albertina Chabra viu encurtada a distância de dois quilómetros que era obrigada a percorrer para conseguir água potável.

No passado havia uma fonte onde a população se abastecia mas está esgotada e a pouca água que corre não tem qualidade
Fotografia: Filipe Botelho | Uíge

Com a instalação em 2011, de dois fontanários no bairro Quilala, periferia da cidade do Uíge, Albertina Chabra viu encurtada a distância de dois quilómetros que era obrigada a percorrer para conseguir água potável.
O bairro tinha apenas um chafariz para atender mais de quatro mil habitantes. “Hoje sentimo-nos aliviados, porque temos água a jorrar nas torneiras todos os dias. Mas anteriormente éramos obrigados a acordar às cinco horas da manhã para ocupar um lugar nas bichas que se formavam no único chafariz que existia no Quilala”, disse a moradora Emília Marques.
Localizado a dois quilómetros da cidade do Uíge, o bairro Quilala tem 4.488 habitantes que agora recebem água potável proveniente da conduta geral que abastece o centro da cidade.
A equipa de reportagem do Jornal de Angola percorreu os diversos pontos do bairro que agora tem três chafarizes. Todos estão satisfeitos com o abastecimento. O soba do Quilala, Dias João, afirmou que a capacidade instalada é ainda insuficiente para servir os habitantes que vivem nos pontos mais afastados dos chafarizes.
“Nos fontanários instalados ainda há grandes bichas, por isso eu acho que o problema só se resolve definitivamente com mais dez chafarizes e seis lavandarias”.
No passado, havia uma fonte onde população se abastecia, mas está esgotada e a pouca água que corre não tem qualidade.
O soba do Quilala referiu que se a fonte for recuperada pode contribuir para responder às necessidades dos habitantes do bairro. “Esperamos que a Administração Municipal, em colaboração com o governo da província continuem a desenvolver projectos para que a água chegue a toda a gente, garantindo o bem-estar da população”, disse o soba.O bairro Quilala está sem energia há mais de três anos. As ruas e habitações estão às escuras.
As velas, candeeiros a petróleo, lanternas e pequenos geradores são os recursos usados pelos habitantes para manterem iluminadas as casas e os poucos estabelecimentos comerciais existentes.
“A população enfrenta dificuldades para circular à noite nas ruas, onde muita gente já foi vítima de assaltos e de violência física”, disse, Dias João. A direcção dos sobados, disse, contactou por diversas vezes a Empresa Nacional de Electricidade (ENE) e a Administração Municipal do Uíge, para verem a possibilidade de ser instalada uma linha de baixa tensão, mas até ao momento não obtiveram uma resposta favorável.
A falta de energia também condiciona o ensino nocturno, situação que obriga muitos alunos a faltarem às aulas, porque há pouca segurança no trajecto para a escola.
O soba João Dias diz que é necessária a instalação de uma esquadra policial para garantir a segurança dos cidadãos.
Outra situação que preocupa os moradores do Quilala é a falta de escolas e de unidades sanitárias. Na localidade, apenas 470 crianças frequentam as aulas do ensino primário, em salas provisórias da Igreja Baptista.
Adolescentes e jovens num total de 580 alunos deslocam-se à cidade do Uíge para frequentarem outros níveis de ensino. O sobado já disponibilizou um espaço para a construção de uma escola primária de seis salas para acolher mais crianças em idade escolar.
“O empreiteiro contratado pela Administração Municipal foi ao local para estudar o terreno e dar início à obra. Esperamos que esta empresa seja breve na execução dos trabalhos para que possamos reduzir as dificuldades que os nossos filhos atravessam”, disse Dias João.O sector da Saúde também tem problemas. A população enfrenta grandes dificuldades, sobretudo nos casos de emergência que surgem no período nocturno, visto que o principal recurso é o Hospital Central do Uíge, localizado no bairro Dunga.

Mercado na rua

A população criou um pequeno mercado ao longo da estrada principal que liga a cidade do Uíge ao município do Dange-Quitexe, onde correm muitos riscos devido à concentração de automóveis no mesmo local que serve, também, de paragem dos táxis que fazem a ligação entre as duas localidades da província.
As vendas fazem-se ao lado da estrada principal que vai até ao Quitexe  correndo o risco de serem atropeladas.

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