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Chapas substituem capim nos tectos de Malundo

Os habitantes da aldeia Malundo, Dimuca, Negage, têm motivos para sorrir: as suas residências antes cobertas de capim têm agora chapas de zinco, que os protegem melhor das chuvas torrenciais que se abatem sobre aquela região.

As casas da aldeia Malundo antes cobertas de capim têm agora todas chapas de zinco e as ruas à noite são iluminadas
Fotografia: Eduardo Pedro

Os habitantes da aldeia Malundo, Dimuca, Negage, têm motivos para sorrir: as suas residências antes cobertas de capim têm agora chapas de zinco, que os protegem melhor das chuvas torrenciais que se abatem sobre aquela região.
Antes do fim da guerra, em Abril de 2002, as casas de Malundo com chapas de zinco podiam ser contadas com os dedos de uma só mão. Hoje, esse quadro foi completamente invertido, graças a um filho da terra, que ajudou as populações a darem mais conforto e segurança às suas casas.
Os habitantes de Malundo têm energia eléctrica fornecida por um grupo gerador que, numa primeira fase ilumina as ruas e depois fornece as casas. Por trás destas acções está o empresário Carlos Calueje, que também pagou a construção de uma escola do primeiro nível, um posto médico, e está a instalar uma motobomba na mini hídrica em construção nas margens do rio Cazumbi, para levar água potável às populações de Malundo.
Carlos Calueje disse à imprensa que “sou filho da terra e tendo possibilidades económicas não podia deixar de ajudar a minha gente”. O empresário começou por ajudar a comunidade comprando cinco mil chapas de zinco que foram entregues ao regedor e as distribuiu.
Além de cobrirem 190 casas, as restantes chapas serviram para cobrir três templos pertencentes às igrejas Católica, Evangélicas Reunidas de Angola (IERA) e Adventista do Sétimo Dia.

Sobas reconhecidos

Os sobas louvaram o gesto do empresário. José Banvo, regedor de Malundo, disse que “estamos muito felizes e se existissem mais dois ou três empresários com esta atitude hoje tínhamos os nossos problemas resolvidos”.
O regedor Banvo esclareceu que “não sou apologista da mão estendida”, porque as comunidades rurais têm potencialidades que, se forem bem apoiadas, “podem levar bem-estar ao campo e travar o actual ritmo de superlotação das nossas cidades”.
O soba Filipe Arnaldo manifestou o desejo de que mais homens de negócios sigam este exemplo do empresário Carlos Calueje, porque “o que se dá hoje, pode-se receber amanhã em dobro”.

Faltam transportes

Uma das grandes dores de cabeça para a população de Malundo, na sua maioria camponesa, é a falta de transportes públicos para a sua deslocação ao Dimuca e ao Negage.
Para se deslocarem à sede do município, os candongueiros cobram 700 kwanzas por pessoa num percurso de 18 quilómetros, que separa as duas localidades. De Mulundo ao Dimuca, uma distância de oito quilómetros, a corrida custa 400 kwanzas, preços considerados exorbitantes pelas populações locais.
Os habitantes de Mulundo defendem, por isso, a necessidade da entrada em funcionamento naquela via de autocarros públicos, para mitigar as dificuldades em termos de transportes.
A comunidade também reclama uma ambulância para evacuação dos doentes graves cujas patologias exijam tratamento em hospitais especializados e que o posto de saúde local não está habilitado a atender.
Solicitaram às estruturas municipais da saúde para que enviem regularmente um médico para consultas de rotina. Outra situação que os habitantes de Malundo querem ver também resolvida é a questão da via rodoviária que liga a localidade à cidade de Malange, passando pelo rio Lolove, e que actualmente se encontra intransitável.
“Entendemos que com a reabilitação da via o Dimuca vai rapidamente progredir, porque por aqui podem passar viaturas com destino a Malange e a outros pontos da província”, disse o soba Filipe Arnaldo.

Venda de malavu 

Além da agricultura de subsistência, outro meio de sobrevivência da população de Malundo é a comercialização do malavu (vinho de palma) extraído dos bordões que se situam ao longo dos rios.
Joaquim Dembi é um ancião que vive da venda deste produto há muitos anos. Ele contou à nossa reportagem que diariamente percorre dez quilómetros na sua bicicleta para vender malavu.
Dembi disse ainda que a agricultura nem sempre dá lucros, porque na aldeia ninguém compra os produtos do campo, que são dez vezes mais caros nos centros urbanos, e quando compram não dão lucro para o sustento da família.
Nas viagens que efectua para vender o malavu, Dembi disse que leva consigo na sua bicicleta quatro bidões de 20 litros cada, que são vendidos ao preço de 1.500 kwanzas cada um. Os seis mil kwamzas que ganha diariamente, segundo Joaquim Dembi, dão para sustentar a família e ainda pagar as propinas do neto que está sob a sua responsabilidade.
Situado a oito quilómetros do Dimuca e a 18 da cidade do Negage, a aldeia de Malundo, com uma população de 910 habitantes, tem na agricultura a sua fonte de subsistência.

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