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Cidade faz aposta para o crescimento

Domingos dos Santos |

A cidade do Uíge completou ontem 93 anos de existência, relembrando a sua larga história de conquistas e projectando um futuro melhor.  A cidade perspectiva tornar-se numa referência na saúde, desenvolvimento socioeconómico e educação.

Festas da
Fotografia: Santos Pedro

Do alto do bairro Candombe, zona mais alta da cidade do Uíge, pode-se ver a urbe toda ela engalanada para assinalar os 93 anos de existência e histórias de conquistas. Quinta-feira, a chamada “Cidade do Café” completou mais um ano e ainda está em festa, uma vez que tem a agenda cheia de atracções, para uma população estimada em mais de 200 mil habitantes.
As festas já levam 14 edições e enchem de alegria o coração de um povo humilde, sofrido, mas cheio de fé, que encontra em Deus a força para superar as dificuldades, numa cidade que perspectiva tornar-se referência na saúde, desenvolvimento socio-económico e educação.
Os festejos começaram com a assinatura, na quinta-feira, do acto de consignação das obras da segunda fase do sistema de captação e tratamento de água da cidade do Uíge e a deposição de uma coroa de flores no monumento em homenagem a Mbemba Ngango, chefe militar do Rei Mekatete e herói da resistência à ocupação colonial.
O administrador municipal do Uíge, Afonso Luviluku, disse que as festas da cidade “representam um momento de reflexão sobre aquilo que foi feito no passado, o que está a ser feito agora e o que vai ser feito no futuro, em relação à melhoria das condições de vida dos habitantes”.
Para o administrador, o município do Uíge está a entrar na era do crescimento e do desenvolvimento que se pretende para o país. “O que queremos é criar condições para as nossas populações”, disse.
Criar melhores condições, explicou, significa dar água e energia às populações e cuidar das vias que ligam a cidade do Uíge às aldeias, para que se possa evacuar toda a produção agrícola. “Temos que melhorar os acessos. Caso contrário, a produção agrícola não será evacuada. Por isso, a melhoria das vias é um grande desafio para os próximos tempos”.
O abastecimento de água também está incluído no leque de benefícios para a população. “Em relação à água, não é só produzir. Temos de a transportar, armazená-la e distribui-la às populações, porque só temos água quando ela começa a sair das nossas torneiras”, frisou.
O projecto, explicou, inclui a construção de chafarizes em zonas onde a rede de abastecimento e distribuição não chega. “Neste momento, a rede só pode chegar a áreas urbanizadas. Para as áreas não urbanizadas, vamos ter que construir chafarizes, para acabar com as doenças que surgem por causa do consumo de água das cacimbas”. Actualmente, cerca de 25 por cento da população do Uíge tem acesso à água potável.
O administrador considera que o projecto vai trazer benfeitorias à população. Mas pediu aos habitantes do Uíge para não construírem por cima da conduta velha, que atravessa o bairro Candombe Novo, por ser vital para o abastecimento e distribuição de água à cidade.
“Infelizmente, há pessoas que construíram por cima da conduta. Apelamos a estas que não criem problemas, quando chegar a hora de serem retiradas do local”, disse. O responsável acrescenta que a administração municipal, salvaguardando o bem-estar das populações, vai indicar um espaço para as pessoas que forem retiradas de áreas reservadas, onde poderão, então, construir as suas novas moradias.
A melhoria do abastecimento de energia eléctrica à cidade é também uma das apostas. De acordo com o administrador, a cidade recebe energia da barragem do rio Lukisse e da central térmica, que produzem 500 KVA cada.
“A quantidade é insuficiente para as necessidades da população”, reconhece o administrador, para quem a única salvação para o Uíge é a energia fornecida a partir da barragem de Capanda.
“Apesar dessas dificuldades, podemos dizer que a maior parte dos habitantes do Uíge tem acesso à energia eléctrica, a partir da rede pública e de grupos geradores”, disse.

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