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Compra de produtos do campo é aposta para o fim da pobreza

Joaquim Júnior| Uíge

Os municípios do Bembe, Damba, Quimbele, Negage, Mucaba, Cangola e Uíge foram escolhidos para o arranque de um novo programa do Executivo que visa potenciar o escoamento da produção agrícola local e prover os camponeses de mais recursos financeiros.

 

Programa do Executivo garante nova perspectiva de desenvolvimento agropecuário do país
Fotografia: JA

A escolha foi feita no final do primeiro seminário provincial de Consulta e Concertação sobre Comércio Rural, que decorreu na quinta-feira, na cidade do Uíge.
Os participantes seleccionaram ainda oito agentes logísticos, que vão ter a missão de providenciar o escoamento da produção agrícola local e, consequentemente, prover os camponeses de mais recursos financeiros. Além disso, concluíram da necessidade de ser criado um parque agro-industrial, da expansão da rede bancária, da abertura das vias de acesso e do surgimento de centros logísticos, que facilitem o escoamento da produção agropecuária e, em particular, da madeira produzida localmente.
O vice-governador para o sector Produtivo e Económico do Uíge, Carlos Samba, afirmou que os problemas que os agricultores e comerciantes rurais enfrentam actualmente no escoamento e comercialização dos produtos agro-pecuários, vão ser resolvidos nos próximos dias.
A solução passa pela aplicação do Programa de Aquisição de Produtos Agro-pecuários. O PAPAGRO é uma medida que vai facilitar o escoamento dos produtos agrícolas do campo para a cidade e os agentes logísticos rurais seleccionados vão ter a responsabilidade de os comercializar.
A reactivação do comércio rural, o empreendedorismo e a actividade comercial exercida no campo deve contar com o empenho de agentes singulares ou colectivos, que tenham capacidade civil e comercial, salientou. Os agentes comerciais devem assegurar a absorção, comercialização, aprovisionamento, fornecimento de produtos manufacturados essenciais, assim como os factores de produção e prestação de assistência técnica e material específica.
O director da Escola Nacional do Comércio, Boa António Pedro, explicou que o seminário visou o relançamento da actividade comercial no meio rural, a valorização da produção local e, fundamentalmente, a criação de condições para o escoamento e comercialização dos produtos locais.
O director do Uíge do Comércio, Abraão da Silva, assegurou que o sector que dirige, no âmbito da sua tarefa, já efectuou o registo de 237 agentes económicos a nível dos 16 municípios da província. A direcção provincial da Agricultura tem identificadas 846 associações agrícolas, constituídas por mais de 79.925 associados e 450 cooperativas agrícolas.
O chefe do departamento de cereais da referida direcção, João José, revelou que a província está a ter um grande crescimento na agricultura familiar e empresarial, com destaque para o Projecto Agro-pecuário do Negage, que está a produzir cerca de 25.512 ovos por semana. João José considerou que o PAPAGRO garante uma nova perspectiva de desenvolvimento agro-pecuário da região.
“O crescimento das colheitas depende em grande medida da modernização dos métodos de cultivo”, alertou, para acrescentar que os agricultores individuais e colectivos enfrentam várias contrariedades relacionadas com os atrasos no fornecimento dos equipamentos de apoio à produção, facto que está a contribuir para a diminuição das safras.

Abertura de estradas

O agricultor Carlos Calueji considerou o PAPAGRO um verdadeiro reforço do combate à pobreza, já que vai proporcionar desenvolvimento directo dos agentes económicos e trazer benefícios aos agricultores locais. Carlos Calueji defendeu a abertura urgente das vias secundárias e terciárias, para facilitar o escoamento dos produtos e a realização de acções de formação de técnicos de veterinária para assegurarem assistência ao gado.

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