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Comuna de Caiongo quer apagar as marcas da guerra

António Capitão | Caiongo

Os tradicionais candeeiros a petróleo feitos de lata, usando  substâncias inflamáveis extraídas de algumas árvores têm sido alternativas populares para iluminar as cubatas feitas de pau a pique e cobertas de capim, localizadas na comuna de Caiongo, município de Cangola, província do Uíge.

A sede da comuna está a precisar de investimentos em infra-estruturas
Fotografia: Manuel Distinto| Uíge

Os tradicionais candeeiros a petróleo feitos de lata, usando  substâncias inflamáveis extraídas de algumas árvores têm sido alternativas populares para iluminar as cubatas feitas de pau a pique e cobertas de capim, localizadas na comuna de Caiongo, município de Cangola, província do Uíge.
 O calar das armas e a reposição definitiva da paz e tranquilidade públicas permitiram que alguns avanços tecnológicos chegassem às populações daquela parcela do território nacional - caso dos geradores de corrente eléctrica que aos poucos substituem as velhas formas rudimentares de iluminação domiciliar na região.
 Saliente-se de que, Caiongo tem uma população estimada em mais de quatro mil habitantes distribuídos em 42 aldeias que distam 184 quilómetros da cidade do Uíge e 37 quilómetros da vila de Kangola. Desde a sua criação que Caiongo não beneficia de projectos para instalação de sistemas de fornecimento e distribuição de energia eléctrica.
 Quanto a água, as populações locais beneficiaram em 2008 da instalação de um sistema moderno de captação, tratamento e distribuição mas, o investimento feito pelo governo funcionou apenas seis meses, facto que obrigou a população a voltar a consumir água dos rios e das cacimbas.
 “A primeira imagem para quem chega à vila de Caiongo é desoladora. As marcas deixadas pela guerra ainda são visíveis. Por isso é urgente o envolvimento do governo e de pessoas singulares no sentido de fazerem investimentos que permitam melhorar as condições de vida das suas populações”, disse Júlio Alberto Bengui, administrador comunal em exercício.
 
Sector da saúde enfrenta dificuldades

A Saúde de Caiongo está doente pois enfrenta dificuldades de ordem funcional. Faltam infra-estruturas escolares e sanitárias - a insuficiência de técnicos de saúde e professores é igualmente notória.
 Segundo informou ao Jornal de Angola o administrador comunal em exercício, Alberto Bengui, a localidade possui apenas um posto de saúde com dois enfermeiros, na sede comunal. “A situação é preocupante. A falta de médicos e enfermeiros tem influenciado no elevado número de mortes que ocorrem na localidade” – diria, para acrescentar que “Além do fraco abastecimento em fármacos, o sector da saúde na comuna merece mais atenção. Temos apenas um posto de saúde e dois enfermeiros que não conseguem atender todos os casos que surgem, provocando deste modo, muitas mortes no seio da população”. Para melhorar o funcionamento do sector, Júlio Bengui defende a necessidade do governo colocar na localidade, médicos e técnicos médios de enfermagem capazes de assegurar o funcionamento da rede sanitária de Caiongo, para além da construção de mais postos de saúde. “Os enfermeiros que temos possuem apenas formação básica”, disse.
Doenças diarreicas, respiratórias, paludismo, infecções urinárias e da pele, bem assim, os casos de má nutrição - são as mais frequentes na comuna de Caiongo.
 
Mais professores e salas são necessárias na comuna

Por seu turno o sector da Educação em Caiongo possuí apenas uma sala de aula construída na época colonial, neste momento, em avançado estado de degradação, com a estrutura física a colocar em risco a vida das crianças. Para minimizar a situação, na sede comunal e nas aldeias de Bata, Quioculo e Marinda foram construídas escolas rudimentares de adobe cru, cobertas de capim que vão permitindo o ingresso de novos alunos no sistema normal de ensino. Todavia, Caiongo também assinala a construção de uma escola nova com quatro salas de aulas. Estabelecimento escolar a ser erguido na sede comunal, através do Programa de Intervenção Municipal levado a cabo pela administração de Kangola.
Estão matriculados na localidade 2.885 alunos, da iniciação a 9ª classe. O processo de ensino e aprendizagem é assegurado por 80 professores - número considerado irrisório pelo coordenador comunal da Educação.
O coordenador comunal da Educação, Sebastião Faustino, considera que o investimento representa uma gota de água no oceano, tendo em conta o número de crianças e jovens em idade escolar que se encontram fora do sistema de ensino. “Todas as salas de aulas construídas no período colonial estão transformadas em escombros. Por isso, a escola de quatro salas que está a ser erguida não vai corresponder à procura porque o número de crianças e jovens que procuram formação académica aumenta dia após dia”, disse.   
“A falta de salas de aula e o reduzido número de docentes naquela localidade fez com que mais de 1.300 alunos ficassem fora do sistema normal de ensino no presente ano académico” – acrescentaria para concluir que “Para normalizar a carência em termos de salas de aulas e de professores, vai ser necessário construir um total de 23 escolas e permitir o ingresso de 60 novos professores”.

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