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Cresce o número de postos de lavagem no Uíge

Joaquim Júnior | Uíge

Na cidade do Uíge aumentam os espaços de lavagem de viaturas e, com isso, uma maior opção na escolha de quem presta melhor serviço.

Muitos automobilistas preferem lavar as viaturas nas estações de serviço porque na rua correm o risco de serem assaltados
Fotografia: Mavitidi Mulaza | Uíge

A concorrência tem obrigado os proprietários de estações de serviço a melhorarema sua prestação, sob pena de perderem clientes.
A estação de serviço da Rua do Comércio, uma das mais antigas da província, viu-se obrigada a fazer um serviço personalizado para melhor satisfazer os seus clientes. Zé Ernesto, gerente adjunto da estação, informou que os preços pela lavagem da viatura  está agora fixado em 1.500 kwanzas para as viaturas ligeiras e 5.000 para as pesados e disse que, caso sejam adicionados os serviços de lubrificação, parafinaçãoe outros, o valor pode aos 12 mil kwanzas.
A parafinação consiste em proteger o carro contra a ferrugem. A lubrificação garanteaos veios de transmissãoum bomdesempenho do veículo. Zé Ernesto explicou que a lavagem no interior da viatura leva àdesmontagem dosbancos e das alcatifas, um serviço que obriga o proprietário a aguardar 24 horas pela entrega. Caso o proprietário tenha pressa – diz Ernesto – a casa usa apenas produtosecante.
“Tudo isso são trabalhos que dignificam aestação de serviço e o cliente recebe a sua viatura bem lavada. A chaparia, o chassis, os vidros, os pneus, os guarda-lamas e os tapetes ficam com um brilhodiferente”, disse o gerente adjunto da estação.
Na estação de Serviço PAC, localizada no Bairro Candande Loé, a sete quilómetros da cidade do Uíge, a preservação do ambiente estáacautelada. Alberto Conga, gerente do posto de lavagem de carros, falou da existência de um tanque de aproveitamento e purificação daágua utilizada durante os trabalhos.
A estação de serviço foi construída na margem do rio Loé. A água utilizada na lavagem das viaturas escorre para um tanque, onde é tratada com cloro para depois ser devolvida ao rio, evitando prejuízos ao ambiente. A empresa emprega 12 trabalhadores, entre responsáveis e lavadoresde carros.

Muitas reclamações />
A falta de respeito e reclamações dos clientes na hora do pagamento dosvalores acordados são algumas das situações apontadas por algunspequenos empresários que se dedicam ao trabalho de lavagem de automóveis.“A nossa profissão é desprezada por muitos, mas outros quereconhecem a importância da nossa existência”, disse JoãoPumba, lavador de viaturas, a­crescentando que a actividade ajuda muitos jovens empresários asustentar os estudos e famílias. Com escovas, retalhos de panos ou toalhas que mergulham num balde com água purificada com Omo, João Alves, 20 anos, deixa impecáveis os carros novos e antigos que são colocados à sua responsabilidade. O jovem, que exerce a actividade desde 2007 na Rua Industrial, lava de cinco a 10 viaturas por dia. Os preços variam de 500 a 1.000 kwanzas.
A água suja que João Alves utiliza para a lavagem das viaturas tira de lagoas e cacimbas localizadas muito perto do seu local de trabalho. Apesar de correr riscos de contrair doenças, o “homem do brilho”, como é conhecido, não dá ouvidos aos alertas dos responsáveis e técnicos do sector da saúde.
Além da água suja que utiliza, os carros são lavados à beira da estrada. No período da tarde, algumas viaturas em limpeza acabam mesmo por ocupar uma faixa de rodagem. “Não temos condições para comprar um terreno nem equipamentos para abrir uma estação de serviço”, dizAntónio Fernandes “Toy”, outro lavador de carros.
O automobilista Nelito Ramiro prefere entregar o seu carro aoslavadores de rua, porque os preços são baixos. “Nas estações deserviço pagamos mais caro do que aos lavadores de rua.
O meubolso não dá para enfrentar as estações de serviço”, afirma Ramiro. Já Ernesto Dala afirma ser perigoso lavar as viaturas em locais impróprios, porque muitos dos lavadores de rua são “malandros”: roubam as coisas que encontram no interior dos automóveis.

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