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Criação de empresa melhora abastecimento de água

António Capitão | Uíge

A população da província do Uíge, sobretudo a que reside nas zonas rurais, continua em grande parte a consumir água dos rios e cacimbas, que não oferece a qualidade necessária para o consumo humano.

Habitantes da província do Uíge vão deixar de percorrer longas distâncias na busca de água potável ou recorrer aos rios e cacimbas
Fotografia: Jornal de Angola

A população da província do Uíge, sobretudo a que reside nas zonas rurais, continua em grande parte a consumir água dos rios e cacimbas, que não oferece a qualidade necessária para o consumo humano.
Na cidade do Uíge, por exemplo, o fornecimento de água ainda é feito de forma intermitente e não abrange toda a população, enquanto nos municípios, comunas, aldeias e regedorias, a situação é mais preocupante, na medida em que em muitas sedes municipais nunca foram instalados sistemas de captação, tratamento e distribuição de água potável.
Luís Filipe da Silva, secretário de Estado das Águas, permaneceu três dias na província do Uíge, onde afirmou, durante uma conferência de imprensa, na semana passada, que ainda existem muitas dificuldades no abastecimento de água às populações locais.
“Ainda existem muitas dificuldades sobre o abastecimento de água às populações. Na cidade do Uíge, a capacidade de produção e armazenamento deste recurso satisfaz as necessidades da população, mas não é possível fazer chegar a água a todos, devido aos vários constrangimentos encontrados na rede de distribuição”, disse.
O secretário de Estado das Águas afirmou que o sector das águas no Uíge regista alguma melhoria com a realização de vários projectos de construção de sistemas de abastecimento de água e fontanários nas zonas periurbanas, aldeias, comunas e nas sedes municipais.
Luís Filipe da Silva garantiu que até ao final do próximo ano o problema do abastecimento de água no país pode tomar outro rumo. Revelou que o Executivo solicitou um financiamento ao Banco Mundial e o dinheiro vai ser empregue em vários projectos que visam melhorar o fornecimento de água às populações de todo o país.
“Os problemas são vários e merecem a intervenção imediata do Executivo. Vamos procurar dar solução de forma faseada em muitas províncias, onde o Uíge também faz parte da primeira fase, com a construção ou reabilitação e ampliação das redes de distribuição, construção de mais sistemas de captação e tratamento de água e fontanários nas zonas rurais”, afirmou o governante.
O projecto para a província prevê a instalação de mais de 100 quilómetros de rede de distribuição, mais de dez mil ligações domicilárias, construção e aplicação de equipamentos de captação, bombagem e tratamento de água nas sedes comunais e municipais. Segundo o governante, actualmente, a cidade do Uíge possui duas redes de distribuição de água, uma construída no período colonial e outra construída há três anos, no âmbito do Programa “Água para Todos”.
“A primeira já está velha e precisa de ser substituída. A outra carece de obras de manutenção e, por isso, em conjunto com o governo da província vamos accionar os mecanismos necessários que permitam reverter o quadro na região”, sublinhou Luís Filipe da Silva.

Consumo deve ser pago

A criação de uma empresa com autonomia financeira e administrativa para gerir o sistema de abastecimento de água, na província do Uíge, de acordo com o secretário de Estado das Águas, Luís Filipe da Silva, vai contribuir consideravelmente na melhoria dos serviços de fornecimento deste recurso destinado às populações locais.
O governante avançou que já foram dados os primeiros passos para a criação da empresa, cujo estatuto orgânico já foi aprovado, faltando apenas a concretização de alguns trâmites legais junto do Ministério da Economia e a criação, pelo governo da província do Uíge, de uma comissão instaladora.
“Deve ser estipulada uma tarifa a ser cobrada pelo consumo de água e aplicados contadores que registem a quantidade consumida, de forma a rentabilizar o consumo deste bem e permitir que haja recursos financeiros disponíveis para intervir de forma imediata sempre que se registe qualquer anomalia no sistema”, referiu.

Projectos inacabados

Na província existem muitos projectos de construção de sistemas de fornecimento de água nas comunidades que estão abandonados. Muitas empresas contratadas para a construção desses sistemas receberam mais de 50 por cento do valor da execução, mas até agora nada se vê.
Sobre o assunto, Luís Filipe da Silva defende que os empreiteiros devem ser obrigados a cumprir as cláusulas dos contratos assinados, se não quiserem ser responsabilizados judicialmente.
“É necessário que sejam sempre contratados empreiteiros idóneos e as contratações devem obedecer à lei, de forma a não permitirmos que o dinheiro do Estado seja utilizado de forma irracional, sem beneficiar as populações”, referiu.

Bairros do Uíge sem água

Os bairros Popular, Pedreira, Dunga, Mbemba Ngango e Quixicongo estão há mais de um ano sem água potável. O facto foi revelado pela administradora municipal em exercício da província do Uíge. Maria Manuela disse que a paralisação do fornecimento de água nestes bairros deve-se a uma avaria registada na conduta de 315 milímetros, que recebe a água do reservatório e envia para a rede de distribuição, que leva o precioso líquido até às localidades referenciadas.
A administradora Maria Manuela disse que o problema obriga os moradores destas localidades a consumirem água não tratada, tendo de percorrer longas distâncias para acarretarem água nos bairros vizinhos. “A conduta instalada há mais de dois anos deixou de funcionar devido a problemas relacionados com a sua montagem.
Esta conduta apresenta-se danificada numa extensão de mil metros, daí a necessidade da mesma ser substituída para resolver a problemática da água potável a estas populações”, concluiu.
Na cidade do Uíge está instalado um sistema de captação e tratamento com capacidade para produzir até oitenta mil litros de água diariamente e possui ainda um reservatório com capacidade para armazenar até 300 mil litros de água por dia.
O governo provincial está a  envidar esforços para que todas as populações que vivam nas zonas urbanas e rurais possam beneficiar de água potável, próximos tempos.
Este plano de expansão do sistema de abastecimento e distribuição de água potável está a ser levado a cabo em várias partes da província.
O executivo local tem vindo a materializar de forma paulatina este programa, embora as autoridades administrativas reconheçam  que muito ainda há por ser feito.
A implementação deste programa, disse a administradora, fará com que que centenas de moradores deixem de percorrer quilómetros para encontrar água, situação que ajudará a diminuir igualmente os casos de doenças causadas pelo consumo de água imprópria. 

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