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Cuilo Cambozo pode ficar isolada do resto do Uíge

Joaquim Júnior | Cuilo Cambozo

A comuna do Cuilo Cambozo pode ficar isolada do resto do município dos Buengas e do resto da província do Uíge em consequência da propagação de uma ravina de cerca de quatro quilómetros ao longo da via principal, que põe em risco a circulação naquele troço.

Mau estado das vias de acesso compromete a execução de projectos sociais destinados a melhorar a qualidade de vida da população
Fotografia: Mavitidi Mulaza

As fortes chuvas, que caem constantemente na região, e a ausência de obras de contenção das aberturas, bem como a falta de reparação total da estrada que liga a comuna ao município sede, num percurso de 58 quilómetros de estrada totalmente esburacada, são apontados como os factores que podem bloquear a circulação.
O administrador comunal, Fernando Filipe, disse que a divisão da estrada surge numa altura em que a localidade começa a dar passos significativos para acabar com os vestígios da guerra, por meio da construção de infra-estruturas de raiz.
Em função dos prejuízos que a situação pode causar a nível da comuna, o responsável comunal apelou para uma intervenção urgente   das autoridades provinciais.
O responsável salientou que a A­dministração Municipal do Buengas tem programadas várias acções de impacto social, com vista à melhoria da vida das populações, mas tais projectos podem tornar-se inviáveis pelo mau estado da estrada que liga Sanza Pombo ao Buengas e da que une a sede municipal à comuna do Cuilo Cambozo.
A comuna é potencialmente rica na produção agrícola, desde frutas a tubérculos e hortícolas. Estes bens, na sua maioria, apodrecem nos pequenos armazéns feitos de capim, por falta de meios de escoamento, condicionados pela degradação das vias terrestres, sublinhou o administrador Fernando Felipe.
A nível da comuna existem cinco associações de camponeses, que produzem amendoim, feijão, café em grande escala, entre outros bens. Mas, atendendo o estado da via, os produtores comercializam os bens com muita dificuldade, uma vez que os meios de transporte não atingem as paragens mais próximas das lavras.

Combate à pobreza

Outra dificuldade dos habitantes da comuna reside na aquisição dos produtos industriais e alguns de primeira necessidade, como sabão, sal, peixe e óleo vegetal. O administrador referiu que as populações conseguem obter estes bens graças aos esforços de alguns vendedores ambulantes. São estes que se deslocam à comuna por um determinado período, dependendo das condições climáticas.
Na comuna, foi construído um centro de saúde, no âmbito do Programa Municipal de Combate à Pobreza. A infra-estrutura possui um pequeno laboratório, equipado com microscópio, mas, por falta de um técnico de laboratório, o instrumento não funciona.
Dois enfermeiros estão destacados no centro, número considerado insuficiente, uma vez que a comuna tem 26.483 habitantes, disse António João, enfermeiro no centro de saúde.  O técnico disse que o referido centro dispõe de medicamentos suficientes para responder aos casos que surgem, mas o grande problema tem a ver com as vias em péssimas condições.
António João informou que as doenças respiratórias, infecções urinárias, cárie dentária, malária, diarreias agudas, reumatismo, lombalgias e conjuntivites são as patologias mais frequentes.
O centro, com capacidade para 20 pacientes em regime de internamento, funciona com os serviços de maternidade, consultas gerais, áreas de enfermaria e pediatria.
O administrador Fernando Filipe referiu a construção, dentro em breve, de mais dois postos de saúde nas localidades de Quissolo e Quimalungo, arredores da sede comunal.
Localizada a 58 quilómetros da sede do município do Buengas, a comuna de Cuilo Cambozo conta agora com as primeiras construções modernas, anos depois do alcance da paz. Até 2007, a administração comunal funcionava numa casa de pau-a-pique, estando a ser construída uma escola, com seis salas, e um centro médico.

Acções de impacto social

O administrador Fernando Filipe disse que a vila beneficia de energia eléctrica, das 18h00 às 22h00, através de um gerador de 22 mw, que garante a iluminação pública e domiciliar só para algumas casas. Um tanque de 30.000 litros de água abastece a população local, através de cinco chafarizes.
O administrador ressaltou que o sistema de captação vai conhecer obras de restauro, no presente ano, para conferir maior pressão ao bombeamento da água até ao reservatório central, e vai ser ampliado o número de chafarizes de cinco para dez fontenários.
A construção de um posto policial e da cantina da escola do I e II ciclos da vila e de outra instituição de ensino primário, com seis salas, fazem igualmente parte dos projectos que devem ser materializados ainda este ano.
Das 17 escolas em funcionamento a nível da comuna, apenas duas possuem estruturas físicas de raiz, dai a necessidade da construção de mais infra-estruturas, com vista a melhorar as condições de acomodação dos alunos.
No presente ano lectivo foram matriculados 2.476 alunos do ensino primário, I e II ciclos, assegurados por 75 professores.
O aumento do número de professores é umas grandes necessidades do sector da Educação, segundo o administrador Fernando Filipe.

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