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Defendida regulamentação da profissão de mototáxista

Joaquim Júnior| Uíge

O delegado provincial da Associação dos Motoqueiros e Transportadores de Angola (AMOTRANG) no Uíge defendeu ontem, naquela cidade, o reconhecimento da profissão de mototaxista junto do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, para maior dignificação da classe, protecção dos seus direitos e a regulamentação do exercício da actividade.

Delegação Provincial do Uíge da Associação dos Motoqueiros e Transportadores de Angola promove várias acções formativas
Fotografia: Mavitidi Mulaza|Uíge|EDIÇÕES NOVEMBRO

Domingos Agapito, que falava durante uma visita que a administradora municipal do Uíge efectuou ao Centro de Formação Profissional de Condutores da AMOTRANG no Uíge, disse que a actividade de mototaxista é uma alternativa profissional para muitos jovens desempregados na província. A legalização da actividade promove a sobrevivência de muitas famílias, acrescentou.
“Pretendemos a transformação do mercado informal de mototáxi em trabalho formal, para a inserção social de muitos jovens que se dedicam a esta actividade, pois a regulamentação do serviço poderá trazer melhorias na profissionalização dos mesmos, o licenciamento e cadastramento das motorizadas, a criação de micro e pequenas empresas e contribuir, desta forma, para o aumento da renda familiar e qualidade de vida dos mototaxistas”, justificou. Domingos Agapito revelou que, para credibilizar a actividade e melhorar a segurança dos moto-taxistas e dos passageiros, a AMOTRANG possui na província um Centro de Formação Profissional, criado em 2015, através de uma linha de financiamento da União Europeia, em parceria com a Igreja Anglicana. O centro dispõe de equipamentos audiovisuais, que permitem a instrução dos motoqueiros em apenas 30 dias. “Os motoqueiros não têm capacidade financeira para custear a sua formação, pois são precisos apoios financeiros para a legalização do centro e o pagamento dos emolumentos necessários para a obtenção da carta de condução na Direcção de Viação e Trânsito”, referiu. “Nos períodos anteriores, com o apoio do Governo Provincial e da União Europeia, deu para formar 180 motoqueiros, o que é ainda uma gota no oceano, a contar pelo número dos que necessitam de formação”, acrescentou.
Domingos Agapito revelou que há uma redução significativa do índice de acidentes de viação que envolvem motociclistas na província, fruto das aulas de Código da Estrada e de normas para o exercício das actividades de moto-táxi ministradas no centro. Segundo a associação, existem cerca de 5.000 motociclistas no município do Uíge. 
A administradora municipal do Uíge, Catarina Pedro Domingos, felicitou a associação pela iniciativa, sublinhando que o Governo reconhece o papel dos moto-taxistas no transporte de pessoas e bens.
“A Administração Municipal do Uíge está a levar a cabo um programa de visitas a várias localidades, instituições e grupos sociais, para podermos interagir e conhecermos as vossas dificuldades, pois os motoqueiros, como homens da estrada, precisam também de partilhar alguma informação sobre o seu trabalho”, disse.
Catarina Pedro Domingos pediu mais responsabilidade na condução, para reduzir a sinistralidade rodoviária na região.
Durante a reunião, com mais de 50 motociclistas da cidade do Uíge, foram levantadas várias questões ligadas às paragens e locais de estacionamento, a necessidade da aprovação do regulamento e formalização da actividade do serviço de moto-táxi, a atribuição de cartas de condução, o licenciamento das motorizadas e a atribuição de matrículas dos motociclos.

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