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Diversão e negócios marcam a efeméride

António Capitão | Uíge

 Durante sete dias, no Uíge ninguém resistiu à animação que a 15ª edição das Festas da Cidade, promovidas pelo governo provincial, proporcionou.

As barracas de comida e bebidas instaladas na Praça da Independência eram visitadas diariamente por muitas pessoas
Fotografia: Filipe Botelho|Uíge

 Durante sete dias, no Uíge ninguém resistiu à animação que a 15ª edição das Festas da Cidade, promovidas pelo governo provincial, proporcionou.
A capital da província completou 94 anos num clima de muita alegria, com grande movimentação de pessoas e de viaturas, com todos a procurarem o melhor lugar para render homenagem à velha cidade.
 A festa teve como ponto de referência a Praça da Independência, onde foram instaladas centenas de tendas e barracas de comes e bebes e se concentravam milhares de pessoas, da cidade e de fora, para assistirem aos espectáculos musicais.
Em todas as artérias da cidade e bairros periféricos também foram instaladas barracas, tendas e roulotes, pequenos estabelecimentos onde se comercializav de tudo um pouco, o necessário para colorir a festa e proporcionar-lhe maior alegria.  A maioria dos uigenses, ouvidos pela equipa de reportagem do Jornal de Angola, considerou a realização da 15ª Edição das Festas da Cidade do Uíge a maior e a melhor organizada até ao momento.
Augusto Arismendes, jornalista da Rádio 5, deixou para trás a cidade de Luanda para ir viver de perto as emoções da festança da banda. O jovem uigense, que se encontrava na Praça da Independência, local de maior concentração populacional, disse que, ao chegar à terra natal, ficou impressionado com a nova imagem que ela tem.
 “A cidade está muito bonita, os edifícios foram pintados e há um novo tapete asfáltico devidamente sinalizado, não acreditei que fosse o Uíge que deixei há sete anos, com os edifícios envelhecidos e as ruas esburacadas”, afirmou.
 O nível de organização das festas da cidade, este ano, referiu, superou as expectativas, tendo em conta os vários aspectos inovadores e a forma como a população soube vivê-las.
A puxar a brasa à sua sardinha frisou que “as actividades desportivas deviam ser mais integradas e alargadas”, com a participação de equipas de maior renome no país, como o Petro Atlético de Luanda e o Clube Desportivo 1º de Agosto.
 “O governo provincial empenhou-se bastante na realização destas festas, sobretudo no aspecto organizativo e só quem teve oportunidade de as viver de perto pode fazer uma boa avaliação”, disse, sublinhando:
“Esta foi a melhor festa de todas em que participei”.
 Nesta edição, lembrou, surgiram coisas que anteriormente não existiam na província, “mas com os esforços do governador e da sua equipa foi possível haver, por exemplo, uma prova de motocross, um circo, espectáculos musicais estrondosos, produzidos pela LS, a maior produtora de espectáculo de Angola, que trouxe ao Uíge muitos músicos de referência nacional”.
 Nídio Campos regressou à província depois de sete anos de ausência. Está a concluir os estudos na República Checa, onde se formou em Geologia.
 Não conteve a emoção e afirmou que as festas da cidade foram um êxito, realçando as inovações: “Foi uma festa com muitas inovações e teve de tudo um pouco”. Mesmo assim, defendeu maior participação dos demais municípios, na feira agro-pecuária, no decorrer da próxima edição e de mais músicos da província, tanto os residentes como os que fazem carreira noutros pontos do país.
 José Marques, português, que visita sempre o Uíge para assistir às festas da cidade, declarou que a edição deste ano foi bastante melhorada e teve muitas surpresas no domínio das actividades culturais, recreativas e da própria organização. “Este ano houve vários melhoramentos, as ruas estão bem decoradas, há muita luz e cor e, sobretudo, a instalação do circo na praça da independência”, referiu.
 
Negócios rentáveis

Francisco Quiala, secretário da Cooperativa de Camponeses “Salvação da Crise”, da aldeia Panda Minanga, município de Sanza Pombo, disse que a Feira Agro-pecuária, além de servir para expor as potencialidades agrícolas da província foi também uma verdadeira oportunidade de negócios para todos os agricultores.
 Quiala e companheiros levaram para a feira grandes quantidades de citrinos, arroz, banana, mandioca, bombó, ginguba, gergelim, soja, feijão, café, abóbora, inhame, batata-doce e batata rena.
 O negócio rendeu tanto, revelou, que ao terceiro dia já tinha conseguido vender mais de cinco toneladas de produtos.
 “Houve muita gente interessada em adquirir produtos do campo, sobretudo o feijão manteiga, a jinguba e o inhame e logo nos primeiros dias vendemos tudo e fomos obrigados a mandar vir mais”, rejubilou.  Eduarda José e Susana Vézua, antigas vendedoras de carne no mercado municipal do Uíge, conseguiram um espaço na feira agro-pecuária, onde abatiam e comercializavam gado bovino. Investiram cerca de 700 mil kwanzas no negócio e obtiveram lucros superiores a 300 mil.
 “Abatemos e vendemos dez cabeças de gado, cada uma por 150 mil kwanzas. Tivemos muitos lucros e o nosso negócio cresceu bastante, mas infelizmente a feira chegou ao fim”, lamentou-se Eduarda José.
 
Comes e bebes

Houve quem preferisse criar pequenos negócios, como os de comes e bebes. Também eles disseram ter aproveitado da melhor maneira a realização da 15ª Edição das Festas da Cidade do Uíge, tendo em conta as margens de lucros conseguidas.
 Juliana Baião, também conhecida como “mãe grande”, pelo tempo que leva a vender bebidas, revelou ter duplicado o volume do negócio durante as festas. “Os nossos preços eram acessíveis, ao alcance de qualquer pessoa, por isso tivemos bastante clientela e vendemos muito bem”, disse, adiantando:
“Com os lucros que ganhei vou poder aumentar o volume de negócios e tenho possibilidades de vender uma grande diversidade de cervejas”.  Berta Moisés dedicou-se apenas à venda de petiscos. No meio da fumaça, a jovem grelhava churrasco e peixe.
 O prato de mufete custava 500 kwanzas e um petisco de frango, 200. Vendia, diariamente, uma caixa de peixe e outra de coxas de frango. “Onde há festa deve haver comida e bebida e quem bebe deve comer alguma coisa para evitar as pelenguenhas”, avisou.
 
Uma semana fora de casa

Na Praça da Independência, a maior parte das mulheres que montaram barracas e tendas, preferiram permanecer vigilantes no local para evitarem gastos desnecessários. Quase tudo do que precisavam, compravam ali mesmo, pois muitos estabelecimentos grossistas e empresas de grande porte também marcaram presença no local.
  “As horas, nos dias de festa, passavam rapidamente e num piscar de olhos nascia um novo dia”, disse Rosa Guimarães, que também montou negócio na Praça da Independência.  
A jovem declarou que era necessário permanecer no local, durante os dias de festa, para evitar as constantes deslocações com produtos e equipamentos porque ficava muito caro o transporte diário dos meios.
 “Os clientes não tinham hora de aparecer, a festa foi muito emotiva e as pessoas permaneciam aqui até amanhecer, não podia perder nenhuma oportunidade de fazer dinheiro para o meu sustento”, disse Rosa Guimarães.
Várias actividades culturais, desportivas e recreativas foram agendadas para assinalar a  efeméride.

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