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Doentes mentais são tratados no Negage

Nicodemos Paulo Uíge

Médicos psiquiatras de nacionalidade italiana, da organização não-governamental “Médicos Vicentinos pelo Mundo”, estão a prestar assistência médica e medicamentosa aos doentes que sofrem de perturbações mentais no Município do Negage, Província do Uíge, informou o director clínico do hospital local.   

Município começa a dar os primeiros passos no surgimento de um hospital psiquiátrico de referência dentro das normas exigidas
Fotografia: Filipe Botelho | Uíge

Ilunga Cabeia disse ao Jornal de Angola que os especialistas estão no Negage com o objectivo de ajudarem a melhorar a assistência médica, além de trabalharem na prevenção e tratamento das doenças do foro mental. Acrescentou que os profissionais de saúde vão também formar especialistas em psiquiatria, de modo a assegurar o funcionamento da futura área para atendimento de doentes mentais.
“Somos solicitados regularmente pelos familiares de pacientes que inicialmente apresentam um quadro avançado de malária. Porém, depois de consultados e bem analisados verificamos que possuem pequenos distúrbios mentais,  mas infelizmente não temos grande capacidade de resposta, daí a necessidade de se alterar o quadro com essa parceria”, afirmou.
O director clínico do Hospital do Negage referiu que o município começa a dar os primeiros passos no surgimento de um hospital psiquiátrico de referência na região, dentro das normas exigidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para que os doentes mentais possam ser consultados convenientemente.  “A criação de um hospital psiquiátrico na região vai     quebrar  os mitos, preconceitos e obscurantismos tradicionais, próprios de lugares onde não há assistência médica especializada”, referiu o responsável.
O coordenador do grupo  “Médicos Vicentinos pelo Mundo” destacados no Negage, Piazza Francisco, disse que no ano passado foram realizados trabalhos preliminares que a­pontam para a necessidade da criação de um núcleo local de médicos capazes de prestar assistência primária aos doentes mentais.
“Muitas vezes presta-se maior atenção às doenças físicas, negligenciando os casos do fórum mental que apenas recebem assistência tradicional”, lamentou o responsável.
Piazza Francisco lembrou  que o grupo de médicos italianos trabalha na sensibilização das pessoas residentes nas comunidades, com o objectivo de explicar as causas e manifestações mais simples de perturbações mentais, e sobre a importância de visitarem o médico antes de recorrerem ao tratamento tradicional.
Os profissionais de saúde italianos atendem  25 pacientes por dia.  Os casos mais complexos são analisados na presença dos médicos locais, como forma de transmissão da experiência, com vista à criação de um núcleo de assistência mental na região.
É um ponto assente que enquanto não forem construídas infra-estruturas, o acompanhamento dos pacientes vai ser feito através de contactos telefónicos com os familiares ou de visitas regulares às comunidades, para garantir o sucesso do projecto.

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