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Educação no Uíge precisa de salas de aulas

O Uíge necessita de mais de duas mil salas de aula para acolher os cerca de 16 mil alunos que se encontram fora do sistema normal de ensino, disse ao Jornal de Angola o director provincial da Educação, Maculo Valentim Afonso.

Milhares de crianças estão fora do sistema de ensino por falta de escolas e professores
Fotografia: Adérito Cortez

O Uíge necessita de mais de duas mil salas de aula para acolher os cerca de 16 mil alunos que se encontram fora do sistema normal de ensino, disse ao Jornal de Angola o director provincial da Educação, Maculo Valentim Afonso.
De acordo com o responsável, o aumento de crianças em idade escolar e a insuficiência de salas de aula, sobretudo na sede provincial, estão na origem deste fenómeno que está a preocupar o governo provincial do Uíge. Maculo Afonso adiantou que, para se solucionar o problema, é necessário que sejam construídas cerca de 1.175 salas, só no município do Uíge, e um total de 2.350 em toda província.
O grande aumento do número de crianças na capital da província deve-se, segundo Maculo Afonso, “à migração populacional dos municípios para a cidade do Uíge, na tentativa de aí encontrarem melhores condições de vida e de ensino”.
Neste ano lectivo estão matriculados 372.552 alunos, distribuídos por 3.266 salas de aula, e pelo menos 12.460 professores asseguram o funcionamento do sector, contribuindo positivamente para o êxito da implementação do processo de ensino e aprendizagem na região. No entanto, para o responsável pela Educação na província, o número de docentes “é irrisório”, sendo necessários mais 450 professores para o ensino primário e 350 para o segundo ciclo.
“Ao construirmos mais salas de aula temos de pensar igualmente no aumento do número de professores para podermos ter um equilíbrio em termos de procura e oferta dos serviços de ensino e aprendizagem”, sublinhou.
 
Mais carteiras
 
Maculo Afonso revelou que a direcção provincial recebeu do Ministério da Educação cerca de 10 mil carteiras que estão a ser distribuídas pelas unidades escolares localizadas nas zonas urbanas e suburbanas do município do Uíge.
Com a distribuição das carteiras, explicou o responsável, muitas crianças vão poder estudar em melhores condições, facto que pode influenciar o aumento da capacidade de assimilação delas e contribuir para que haja um melhor aproveitamento escolar no final do ano lectivo.
“As carteiras que a direcção provincial da Educação recebeu estão a ser distribuídas nas escolas da cidade do Uíge e, dentro de dias, vamos fazer chegar também cerca de 350 a cada um dos municípios”, informou, acrescentando que são necessárias pelo menos 150 mil carteiras para cobrir os estabelecimentos de ensino que ainda não foram apetrechados.

BIC e SOL pagam salários
 
A partir deste mês, os bancos BIC e SOL vão passar a proceder ao pagamento dos salários dos funcionários do sector da educação na província do Uíge. Maculo Valentim explica que devido à insuficiência de balcões do BPC, o processamento dos salários dos professores tem tido muitos atrasos, razão pela qual o governo da província decidiu negociar com estes dois bancos com vista a tornar o processo mais célere.
A regularização do pagamento dos salários por transferência bancária vai requer algum tempo, porque a operação é feita de forma faseada, tendo em conta e disponibilidade e as capacidades dos bancos que vão intervir no processo, explicou Maculo Valentim.  “Prevemos transferir, numa primeira fase, os salários de oito municípios para analisarmos os resultados do processo”, disse, sustentando que a autonomia concedida aos bancos “vai, de facto, resolver a situação, e os profissionais do sector vão poder receber os seus ordenados a tempo e horas”.

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