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Escolas comunitárias no Uíge reforçam processo de ensino

Joaquim Júnior | Uíge

A Associação das Escolas Comunitárias (A.E.C), uma Organização Não-Governamental que funciona na província do Uíge, desde 2014, visando a inserção da população carente no sistema normal de ensino, tem matriculados, no presente ano lectivo, 1.349 alunos, da pré à 6ª classe.

O coordenador provincial da AEC, Nkondo Ilengo, informou que a instituição, publicada em Diário da República na III série, nº 42, de 3 Março de 2011, baseia o seu trabalho no desenvolvimento, voluntariado e na solidariedade. O responsável avançou que a associação funciona na província do Uíge com 12 escolas, correspondendo a 29 salas de aula, uma delas construída com material local, com quatro salas. As demais funcionam em salas improvisadas.
Nkondo Ilengo disse que o processo de ensino e aprendizagem é assegurado por 40 educadores voluntários, que actuam nas comunidades recentemente constituídas, em que o Governo ainda não colocou unidades de ensino. A organização entende ser a educação um elemento fundamental para as comunidades, tendo em vista o seu desenvolvimento psíquico, mental e educativo, perseguindo a finalidade de todos os indivíduos terem o direito à educação.
 De acordo com Nkondo Ilengo, no município sede do Uíge a AEC exerce a sua actividade nos bairros Paco e Beze, Papelão, Pedreira, Kakiuia, Bem-Vindo, Cacole e Gaio, onde criaram espaços alternativos de educação e oficinas do saber, que promovem o ensino e a aprendizagem das crianças, jovens e adultos. Periodicamente e sob auspícios pedagógicos da Direcção Provincial da Educação efectuam a formação pedagógica aos docentes voluntários.
 “O nosso alvo é a melhoria da qualidade de ensino e das condições da realização do processo de ensino e aprendizagem, desenvolver estratégias pedagógicas, como métodos, procedimentos, comportamentos e materiais, que facilitam o processo, bem como captar apoios necessários para o efeito”, afirmou o responsável da IEC.
 Nkondo Ilengo aclarou que a AEC surge na província do Uíge na perspectiva de ajudar o Governo na resolução dos problemas educacionais das comunidades.
Intervém também junto das entidades competentes para facilitar o acesso aos serviços sociais básicos, contribuindo assim na luta contra a pobreza.As escolas, segundo o responsável da AEC, estão a ajudar a reduzir o elevado número de crianças, jovens e adultos fora do sistema normal de ensino, especialmente no ensino primário, e no combate ao analfabetismo.
A agremiação engaja-se na mobilização de recursos para o melhoramento das suas infra-estruturas escolares, da prática pedagógica e promover o sucesso educativo.  Nkondo Ilengo informou que estão a elaborar novos projectos que visam a criação de outros centros de ensino em novos bairros periféricos, baseando-se nos projectos “Educação chave do Futuro”.
O responsável da AEC realçou a importância de dois projectos, nomeadamente  “Mulher na Escola” e “Uma Pessoa uma identidade”, sendo o primeiro virado para a inserção de adultos no ensino e o segundo que advoga a favor das pessoas, sobretudo crianças sem documentos de identidade, para que tenham acesso mais facilitado às salas de aula.
 
População aplaude
Pedro Nsimba Miguel, 15 anos, terminou a 4ª classe em 2014, na escola pública do bairro Bem-vindo, arredores do Uíge. Por não ter registo de nascimento, os seus pais não conseguiram matriculá-lo na classe seguinte, a 5ª. Perante a impossibilidade, em 2015 ingressou na Escola Comunitária Bulantulu, no bairro Paco e Benze. Agora diz estar satisfeito, porque frequenta a 6ª classe.
       Isabel Manuel, de 11 anos, também estuda na Escola Bulatulu. Começou na terceira classe, agora frequenta a 6ª. Lamenta o facto de não ter conseguido vaga numa escola pública e a distância que separa a sua casa ao estabelecimento de ensino.

   As aulas nas comunidades são ministradas por voluntários

A AEC  trabalha com 40 professores capacitados que atendem as comunidades de forma voluntária, sem esperar receber alguma recompensa no final do mês, excepto algum valor para o transporte, atendendo a distância que muitos percorrem para chegar ao subúrbio.
 Teresa Odete, que lecciona a primeira classe desde 2015, diz encarar o trabalho voluntário com satisfação. No presente ano lectivo, Teresa Odete e outros colegas, beneficiaram de um seminário de capacitação, que abordou matérias ligadas aos métodos de ensino e aprendizagem, orientado por um técnico da inspecção da Direcção Provincial do Uíge da Educação.
 “Trabalhar como voluntária exige espírito de caridade e amor à profissão. Desde sempre sonhei trabalhar como professora. Apareceu esta oportunidade e assumi o compromisso de trabalhar na base da solidariedade. Estou a dar o meu contributo à pátria, pois havia muitas crianças fora do sistema de ensino. A organização teve esta iniciativa e nós abraçamos para ajudar as nossas comunidades”, disse a professora.
 Francisco Manuel Cutocama também dá aulas nas escolas comunitárias da organização desde 2015. Trabalha com crianças da 3ª classe. Reconhece ser um trabalho árduo, cuja recompensa é a aprendizagem das crianças, adolescentes e jovens.
“Abraçamos a causa, pensando mais nas crianças que precisam de aprender a ler e escrever”.  
De referir que os professores aguardam por luz verde das autoridades governamentais locais, no sentido de autorizarem o funcionamento pleno da instituição e apoios necessários.

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