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Espaços verdes são para todos

António Capitão |Uíge

Afonso Luviluco, director provincial interino do Urbanismo e Ambiente e administrador municipal do Uíge, defendeu, em conversa com o Jornal de Angola, a criação de políticas locais de manutenção contínua das zonas verdes e outros espaços afins, com vista a melhorar a imagem da cidade, atrair turistas e proporcionar um ambiente mais saudável às populações.

Afonso Luviluco
Fotografia: Manuel Distinto

 
 Afonso Luviluco, director provincial interino do Urbanismo e Ambiente e administrador municipal do Uíge, defendeu, em conversa com o Jornal de Angola, a criação de políticas locais de manutenção contínua das zonas verdes e outros espaços afins, com vista a melhorar a imagem da cidade, atrair turistas e proporcionar um ambiente mais saudável às populações.

 “Para além do Governo reabilitar ou construir zonas verdes, a existência das mesmas depende dos seus utilizadores. Todos os munícipes são chamados a cuidar e a preservar estes locais. A questão não é somente construir mas também zelar pela sua manutenção”, disse Afonso Luviluco.
O responsável esclareceu que o governo provincial vai realizar, dentro de dias, um concurso público para selecção das empresas que vão encarregar-se da manutenção, preservação e gestão dos espaços verdes da cidade do Uíge.
Afonso Luviluco revelou que a direcção provincial do Urbanismo e Ambiente possui um programa de sensibilização da população para protecção da fauna e da flora.
“Temos realizado campanhas de sensibilização com os munícipes, sobre a importância das zonas verdes nas cidades, as desvantagens das concentrações de lixo nas ruas, das construções sobre os esgotos e as valas de drenagem e sobre a poluição sonora, para que tenhamos uma cidade ambientalmente limpa”, disse.
No quadro dos projectos de investimentos públicos, neste ano de 2010,  o governo vai criar espaços para a plantação de árvores, plantas e relva.
 O director provincial avançou ainda que “a reabilitação dos maiores espaços verdes da cidade do Uíge, como são os casos do Largo do Bar Jardim, no bairro Mbemba Ngango, e o Largo da Independência, no Papelão, está condicionada à falta de recursos financeiros, visto que são de grande dimensão e a sua recuperação exigir valores monetários que ultrapassam a nossa disponibilidade financeira”.
 
Amontoados de lixo
 
O também administrador municipal do Uíge afirmou-se preocupado com a existência de vários pontos onde se encontram amontoados lixos que sujam a cidade e influenciam o surgimento de várias doenças.
O processo de recolha, transporte e depósito dos resíduos sólidos é assegurado por apenas uma empresa, que não possui capacidade técnica para recolher o volume de lixo produzido diariamente. “A empresa Vitac foi capacitada pelo governo da província com equipamento, mas ainda assim os meios são insuficientes para recolher todo o lixo produzido diariamente no Uíge e no Negage”, lamentou o responsável.
A administração municipal criou um sistema transitório para recolha dos resíduos sólidos no município sede. “Dividimos a cidade em zonas nas quais a Vitac recolhe o lixo, em períodos alternados, até adoptarmos melhores formas de gestão dos resíduos, que possam facilitar o processo de recolha e transporte”, sublinhou, dando igualmente a conhecer que o governo já realizou um concurso público para a construção de um novo aterro sanitário.
“A montureira, que fica ao longo da estrada que liga a cidade do Uíge ao município do Songo, não tem as mínimas condições exigidas para um local de depósito de lixo e já está identificada a área onde vai ser construído o novo aterro sanitário. As empresas concorrentes já nos remeteram os projectos, que estão em análise, para posteriormente adjudicarmos a empreitada a uma delas, para a respectiva execução”, revelou.
O local escolhido, de acordo com o administrador municipal, está distante de localidades e rios, evitando-se assim que as águas das chuvas que caiam sobre o lixo desagúem nos rios, poluindo-os, e pondo a vida das populações ribeirinhas em perigo.
 
Poluição ambiental
 
A província do Uíge é conhecida como a região mais fria do Norte do país. Relatos de moradores mais antigos da cidade do Negage indicam que na década de 1980 a temperatura mínima chegou a atingir, no máximo, um grau centígrado.
Nos dias de hoje, de acordo com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (INAMET), a temperatura na província varia entre 21ºC e 32ºC. Afonso Luviluco não tem dúvida em apontar as acções do homem contra a natureza como factor decisivo para a variação climática regional.
O director provincial do urbanismo e ambiente nomeia as queimadas, os gases tóxicos produzidos pelas indústrias, a devastação das florestas e o depósito de resíduos sólidos em locais impróprios, como os principais elementos que contribuem para a degradação do meio ambiente.
“À margem das campanhas de sensibilização, procuramos insinuar aos sobas que devem orientar a população, no sentido desta evitar fazer queimadas, deitar o lixo nos rios e defecar ao relento”, disse.     
 “O homem está a invadir o habitat dos animais selvagens, um factor que tem provocado o aparecimento de bichos como leões, elefantes, hipopótamos, entre outros, junto das aldeias”, disse o responsável, enfatizando que o homem tem o seu espaço vital, tal como os animais selvagens.
“Quando o ser humano começa a aproximar-se do espaço reservado ao mundo selvagem, as consequências são enormes, porque quando faltar a alimentação no seu espaço, os animais aproximam-se das aldeias, destruindo plantações e fazendo das pessoas suas presas”, sublinhou. Afonso Luviluco é de opinião que antes de se projectar a construção de uma aldeia ou cidade, é necessário fazer-se um estudo de impacto ambiental, para se delimitarem os espaços para a construção do destinado aos animais.  Além disso, repudiou o abate desordenado de árvores e plantas, na região, para o fabrico de carvão e lenha.
  “Sabemos que muitas famílias ainda usam a lenha como combustível para cozinharem os seus alimentos mas, mesmo assim, acreditamos que esta prática não é correcta, porque para além de destruir a flora também polui o ambiente”, referiu. Afonso Luviluco revelou que a administração municipal do Uíge, para compensar o abate de árvores em redor da cidade, está a realizar campanhas de plantação de novas espécies.
Foram plantadas, desde 2008, mais de três mil novas árvores de diversas espécies na zona urbana da cidade. Segundo ele, a campanha visa plantar o maior número possível de árvores para restabelecer o equilíbrio ecológico.
“Já está elaborado o plano de arborização das cidades, onde os nossos especialistas definem o tipo de árvore a ser plantada em cada local. Aproveitámos a presença de mais de mil jovens no CANFEU e a Jornada Março Mulher para plantarmos mais de três mil novas árvores”, referiu.
 
Novas cidades
 
Nos próximos dois anos vão ser construídas três novas cidades, através do Programa Nacional de Habitação, cuja meta é construir cerca de um milhão de fogos habitacionais em todo o país.
 Segundo este responsável, as áreas para a construção das novas urbanizações estão identificadas e já decorre o processo de loteamento para, posteriormente, serem distribuídos à população interessada em erguer as suas moradias.
“É um programa de âmbito nacional em que as exigências, em termos de engenharia ambiental, são as mesmas para todas as províncias. Por isso, definimos locais ambientalmente limpos para construirmos as nossas futuras cidades”, concluiu Afonso Luviluco.

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