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Estrada da Vista Alegre é "talho" de carne de caça

António Capitão | Uíge

Na Estada Nacional número 100, que liga as províncias do Uíge e do Bengo, existem vários locais onde se pode saborear a gastronomia nacional. Um ponto importante é a comuna da Vista Alegre, no município do Dange-Quitexe a 120 quilómetros da cidade do Uíge.

Administrador comunal César António
Fotografia: Manuel Distinto | Uíge

Na Estada Nacional número 100, que liga as províncias do Uíge e do Bengo, existem vários locais onde se pode saborear a gastronomia nacional. Um ponto importante é a comuna da Vista Alegre, no município do Dange-Quitexe a 120 quilómetros da cidade do Uíge.
Nesta localidade a paragem é obrigatória. O local ficou famoso devido à sua gastronomia baseada na carne de caça com funji de bombô.  A barraca de Eva José João “Kota Latona”, serve excelentes pratos de caça.  “Na minha barraca tem funji com carne de gazela, veado, javali, macaco, jibóia, pacaça, fumbua e feijão”. Os clientes pedem mais carne de veado ou kaseixa.
Eva João vivia em Luanda, mas abandonou a capital à procura de oportunidades de negócios que permitissem dar sustento à família. Vende comida há sete anos e compra aos caçadores as peças de caça: “quando aqui não encontro carne vou ao Úcua onde os caçadores têm sempre caça”.
Kota Latona conta que um macaco ou uma kaseixa custam dois mil kwanzas. O preço de um veado oscila entre 12 e 18 mil, o javali entre os 25 e os 30 mil enquanto uma perna de pacaça custa 10 mil kwanzas.
 Na barraca de Kota Latona uma refeição custa apenas 500 Kwanzas, sendo as carnes de veado, javali e kaseixa as mais consumidas.
 Fátima Miguel, outra vendedora, garante que à Vista Alegre chegam todos os dias   turistas, comerciantes e taxistas. Os dias mais concorridos são os finais de semana onde em média consegue atender 20 clientes ao dia. Mas o mês da “dikomba” (vendas altas) é o de Dezembro.
 “Há dias que vendemos bem e há outros em que não passamos dos cinco clientes por dia. A situação depende muito da condição financeira das pessoas. Quando são pagos os salários dos funcionários públicos, Forças Armadas e Polícia Nacional, a clientela é maior e os nossos lucros também aumentam”, sublinhou Fátima Miguel.
 Mário Rocha, funcionário público, é apreciador da carne de caça. Sempre que tem a oportunidade de viajar para a capital interrompe a viagem na Vista Alegre para apreciar a carne de javali.
O administrador comunal da Vista Alegre, César António, disse que o sector da saúde ainda enfrenta algumas dificuldades, o que tem dificultado a prestação de melhores serviços de saúde à população.
 
Saúde débil

César António disse que na região existe apenas um posto saúde em funcionamento na sede comunal, com dois enfermeiros para acudirem aos doentes.
 “O número de técnicos de saúde é irrisório, tendo em conta as aldeias que a comuna possui. Os dois enfermeiros que temos não conseguem dar resposta à procura das populações que necessitam de assistência médica e medicamentosa”, disse César António.
 O administrador comunal informou que acaba de ser construído um centro de saúde na Vista Alegre que vai entrar em funcionamento nos próximos dias.
César António defendeu a construção de mais postos de saúde nas regedorias de Cambege, Quitita e Quimbuele.  A comuna precisa de mais 10 enfermeiros e uma ambulância.
Na comuna da Vista Alegre os únicos alunos que têm o privilégio de estudar numa escola condigna e sentados em carteiras são os da regedoria Quipelembe, disse o administrador comunal. 

Faltam escolas

Naquela localidade a Administração Municipal construiu uma escola de quatro salas. Na sede comunal e nas restantes regedorias e aldeias as crianças estudam debaixo de árvores ou nas igrejas.
O administrador da Vista Alegre disse que este ano lectivo estão matriculados 1.683 alunos da iniciação ao primeiro ciclo do ensino secundário e 72 professores asseguram o processo de ensino e aprendizagem naquela comuna do município de Dange-Quitexe.
César António afirma que o número de docentes é insignificante, por isso defende o envio de pelo menos mais 16 novos professores.
“Falar de escolas nesta comuna é referir as nossas principais preocupações. Temos sempre solicitado à Administração Municipal no sentido de serem construídas mais escolas, nas aldeias e na sede comunal no âmbito do programa de combate à fome e à pobreza para darmos maior dignidade e oportunidade àqueles que pretendem estudar”, referiu o administrador. Na sede comunal de Vista Alegre foi construído um sistema de captação e abastecimento de água potável para as populações.

Água nas torneiras

O sistema permiti garantir o consume de água tratada em quatro aldeias e na sede da comuna, permitindo que mais de 1.600 pessoas beneficiem deste produto.
 O administrador comunal lamenta o facto do sistema não poder fornecer a água há dois meses, devido a uma avaria verificada no gerador de corrente eléctrica que assegura o funcionamento do equipamento instalado.
“O sistema de captação e abastecimento de água potável para a comuna foi construído através do Programa de Investimentos Públicos (PIP). Infelizmente, parou de funcionar há dois meses, mas dentro de dias o problema vai ser solucionado porque temos garantias da senhora administradora municipal que através do programa de combate à fome e à pobreza vai ser adquirido outro gerador”, afiançou César António.
Na comuna não existe energia eléctrica. Os populares utilizam candeeiros, velas ou pequenos geradores de corrente eléctrica.
César António defende a necessidade de ser instalado um gerador com capacidade de 350 Kva e uma rede de distribuição para ligações domiciliares.

  Agricultura de subsistência

 A comuna da Vista Alegre tem uma população de 8.125 habitantes distribuída por cinco regedorias e 22 aldeias. Maioritariamente camponesa, a população dedica-se ao cultivo da mandioca, feijão, ginguba, milho e banana.
“É necessário criar programas e políticas que visem mecanizar a produção agrícola nesta região, tendo em conta as potencialidades em termos de solos aráveis e variedade de culturas,  o que pode ajudar na expansão da produção agrícola para o combate à fome e à pobreza na região”, disse.
César António informou que existem seis associações de camponeses na comuna com maior realce para as das aldeias Cambeje e Câmua.O administrador comunal defendeu o fornecimento de micro crédito a estas associações no sentido de revitalizar o sector na região.  

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