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Estudo indica os caminhos para melhorar nível de vida

Joaquim Júnior | Uíge

O isolamento da população nas zonas recônditas, longe dos serviços básicos, é um dos principais factores que estão na base do agravamento da vulnerabilidade da população, apontam estudos preliminares efectuados nos municípios do Uíge e da Damba, divulgados ontem pelo consultor do Ministério da Assistência e Reinserção Social (Minars).

Vista parcial da cidade do Uíge onde foi efectuado um estudo que visa melhorar a qualidade de vida das famílias em situação de vulnerabilidade
Fotografia: Filipe Botelho |Uíge | Edições Novembro

Guilherme Santos falava no seminário sobre a “Restituição e validação dos resultados de levantamento sobre vulnerabilidade e serviços de assistência”, no quadro da experiência piloto dos centros de acção social, promovido pela Direcção Provincial do Minars.
O responsável realçou que os estudos, elaborados em Setembro do ano transacto, apontou que os factores geográficos, económicos, demográficos, culturais, cortes em serviços do Estado e calamidades como riscos que pioram a vulnerabilidade da população rural.
O especialista situou ainda algumas causas económicas, com destaque para a subida de preços dos bens alimentares nos mercados, falta de apoios em imputes agrícolas e de acesso à extensão rural, bem como as dificuldades de escoamento dos produtos.
Quanto aos factores demográficos, Guilherme Santos apontou como causas da fragilidade que a população enfrenta os desequilíbrios nas zonas rurais, marcados pelo êxodo populacional e outros factores culturais e naturais, tais como a violência doméstica, gravidez precoce e calamidades.
Explicou que a situação de vulnerabilidade nas localidades pesquisadas foi avaliada por ciclos de vida. Por exemplo, nas crianças menores de cinco anos, a incidência recai mais sobre os partos domiciliares, falta de registo de nascimento causada por certa resistência dos progenitores em dar os nomes e a situação da malária.
Na adolescência, Guilherme Santos disse que as dificuldades estão mais relacionadas com o acesso ao ensino, sobretudo para os jovens portadores de deficiências físicas. Já para os jovens e adultos, a vulnerabilidade recai mais sobre a falta de formação profissional e acesso ao emprego.
Para mitigar a situação desta população, o estudioso defendeu a necessidade de os serviços de assistência social activarem os centros de acção social para garantir a protecção destas comunidades, bem como assegurar a interacção dos sectores da Saúde, Agricultura, Família e Promoção da Mulher, Educação, para os devidos apoios e disponibilização dos serviços básicos. Guilherme Santos realçou também a importância das organizações da sociedade civil na sensibilização e educação das comunidades.

Soluções em breve
A directora provincial do Minars, no Uíge, Viliana Simba Bunga, destacou a importância da pesquisa, visto que permitiu diagnosticar os reais problemas da população em situação vulnerável naquelas comunidades, onde estão a ser implementados, de forma experimental, os centros de acção social.
Com a criação do Centro de Acção Social, esclarece, vai ser possível às pessoas vulneráveis terem acesso aos serviços de vários sectores, como Educação, Saúde, Justiça e Direitos Humanos, no âmbito do programa do governo de protecção social de base obrigatória e complementar.
“Os centros em implementação nestes municípios, após este estudo, têm como objectivo garantir a protecção e a inclusão social das pessoas mais vulneráveis, desenvolver acções preventivas de educação social e identificação precoce de riscos das comunidades”, avança a responsável. Salientou ainda que os referidos centros vão ajudar na realização de acções de protecção como resposta à situação de violência, abuso, exploração e outros serviços que afectam a convivência social.
Viliana Bunga pediu maior envolvência das autoridades tradicionais, igrejas e associações, para em conjunto desenvolverem respostas apropriadas junto da população vulnerável.

  Município de Quimbele regista melhorias no sector da saúde

O administrador de Quimbele, Manuel João, anunciou que o sector da saúde será reforçado brevemente com mais quatro médicos nacionais, no quadro do plano estratégico do Executivo visando o aumento da capacidade de atendimento, assim como a melhoria dos serviços sociais básicos.
Manuel João anunciou o facto durante o encerramento das festividades da vila do Quimbele e deu a conhecer  que o hospital municipal funciona com 54 técnicos de saúde. Quanto ao sector da educação, Manuel João falou num aumento de número de professores e a construção de novas salas de aula, com vista a aumentar a capacidade de atendimento à população estudantil na circunscrição.
O município de Quimbele tem 124 escolas, com 724 salas de aula, que absorvem alunos desde o ensino primário ao segundo ciclo do ensino secundário. A energia e águas, disse Manuel João, continua  a ser um desafio para a Administração, que se esforça para melhorar e  aumentar  a capacidade de cobertura, para dar resposta aos problemas dos munícipes.
“Em termos de energia eléctrica, além do actual grupo gerador de 60 kv, o município está contemplado no plano geral de electrificação”, revelou o administrador.
Manuel João afirmou que, no âmbito do consumo de água, a Administração Municipal está a evidenciar esforços para a recuperação de todos os pequenos sistemas existentes, com vista a assegurar o regular fornecimento aos munícipes.
O município de Quimbele, que dista  261 quilómetros da cidade do Uíge, capital da província, possui  muitos recursos nos domínios agrícola e florestal.

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