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Excesso de abortos provocados preocupa autoridades sanitárias

Nicodemos Paulo | Uíge

Pelo menos 106 casos de abortos provocados foram registados na província do Uíge, de Janeiro a Março deste ano, informou ao Jornal de Angola a chefe de secção da maternidade central , Madalena Anselmo, que se manifestou preocupada com a situação.

Mulheres sensibilizadas para evitar aborto
Fotografia: Arimateia Baptista

Pelo menos 106 casos de abortos provocados foram registados na província do Uíge, de Janeiro a Março deste ano, informou ao Jornal de Angola a chefe de secção da maternidade central , Madalena Anselmo, que se manifestou preocupada com a situação.
“Estão a dar entrada no nosso banco muitas mulheres com este problema e, quando interrogadas pelos médicos, afirmam não saberem das causas. Mas, depois de uma análise profunda, constatamos que o aborto foi provocado”, disse Madalena Anselmo, referindo que é em função deste quadro que os técnicos da maternidade central têm vindo a sensibilizar as mulheres em idade fértil sobre as causas e consequências do aborto, para além de informá-las sobre os cuidados que devem ter durante o período de gestação.
“Mas ainda assim, os números continuam a subir. Registamos com tristeza que alguns casos são reincidentes, sobretudo em jovens com idades entre os 18 e os 25 anos, que são, portanto, as que mais interrompem a gravidez, ignorando qualquer tipo de consequências”, informou.  A fonte do Jornal de Angola fez saber que, depois de as pacientes receberem o tratamento médico, a secção de maternidade entrega o caso à polícia, para que seja feito um trabalho de investigação mais apurado. “Pois, em Angola o aborto provocado é punível”, sustentou.

Planeamento familiar

Madalena Anselmo, chefe da maternidade central do Uíge, apelou as mulheres a aderirem ao planeamento familiar, evitando assim o recurso ao aborto. “Existem vários métodos que podem ser utilizados para não conceber inoportunamente, e todas as mulheres que o desejarem podem recorrer ao aconselhamento de um especialista, evitando qualquer tipo de problema”, disse Madalena Anselmo.
No período em análise (Janeiro a Março), a maternidade central do Uíge assistiu 2.112 partos, 15 dos quais foram realizados através de cortes por transmissão vertical. Sobre o assunto, a fonte do Jornal de Angola referiu que “as mulheres seropositivas estão a acatar os conselhos das autoridades sanitárias locais, recorrendo às consultas, antes e depois do parto”. “Por isso é que hoje nascem muitos bebés de seropositivas com saúde”, disse.
Com capacidade para 33 camas, as pacientes que recorrem aos serviços da maternidade central do Uíje são distribuídas nas seguintes áreas de atendimento: banco de urgência, sala de parto, sala de obstetrícia e ginecologia, e sala de internamento.
São quatro médicos e trinta e cinco enfermeiros que garantem o funcionamento da unidade hospitalar, segundo Madalena Anselmo, que disse à nossa reportagem que a maternidade central do Uíge precisa de mais técnicos e espaço para melhorar a assistência.

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