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"Fantasmas" usurpavam milhões

Joaquim Júnior | Uíge

Pessoas admitidas no sector da Educação, no Uíge, que nunca exerceram as tarefas de ensinar, e outras que possuíam duplo vínculo efectivo, beneficiavam de 578 milhões de kwanzas, valores já depositados na Conta Única do Tesouro, afirmou ontem o governador provincial.

Paulo Pombolo, que falava na cerimónia de abertura do Processo de Registo Biométrico dos Funcionários Públicos do Uíge, no salão nobre do Governo, avançou que as avultadas somas detectadas pelos serviços de Inspecção do Estado foram depois canalizadas para o Ministério das Finanças para o pagamento de obras de construção de infra-estruturas escolares e de bens e serviços na província. O governador provincial do Uíge, que foi o primeiro funcionário da província a ser recadastrado, informou que os valores em causa favoreciam cidadãos que tinham esta manobra como fonte de captação indevida de recursos. “Por isso foram retirados do sistema.”
Paulo Pombolo acredita que o início do processo de recadastramento na província vai pôr fim ao mal que durante estes anos todos provocou danos graves ao erário público, como é o caso da existência nas folhas de salários e, actualmente, no sistema informático de cidadãos que não são funcionários públicos e de outros com dupla efectividade.
“Em alguns sectores existem ainda pessoas já falecidas que continuam a auferir salários em benefício de alguns responsáveis, em detrimento dos seus familiares, e sectores há em que encontramos pessoas em determinados departamentos que recebem dois ou mais salários, porque concorrem para o ingresso na função pública utilizando diferentes documentos de identificação, com o mesmo nome ou não, alterando a filiação e a data de nascimento”, referiu.
Sobre o recadastramento dos funcionários públicos, Pombolo disse que o exercício vai conferir, identificar e registar quantos servidores do Estado existem, o que fazem, em que sectores estão e onde desempenham as suas funções.“O objectivo é permitir a abertura de vagas para facilitar o ingresso de mais jovens na função pública”, disse.

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