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Fístula obstétrica exige centro regional

Valter Gomes | Uíge

Os participantes na II Conferência Provincial sobre a Saúde da Mulher no Uíge consideraram, na sexta-feira, ser necessário construir um centro regional para tratamento e prevenção da fístula obstétrica no município da Damba, localidade que possui a única unidade sanitária especializada no tratamento da doença.

No comunicado final, os participantes consideraram positivo o trabalho desenvolvido desde 2009 pelo Hospital Municipal da Damba no tratamento da fístula obstétrica. A conferência recomendou também a construção de uma maternidade de referência na província, para melhorar a assistência materna e neo-natal, assim como promover o parto institucional através da sensibilização e educação pela saúde, a fim de reduzir o risco de morte materna e infantil.
A criação de um departamento específico para apoio psicológico aos pacientes com patologias graves, sobretudo em relação a doenças como o cancro da mama e a fístula obstétrica, foi outra proposta saída da conferência.
Os participantes também consideram ser importante a abertura de uma Faculdade de Medicina na Universidade Kimpa Vita, para responder melhor às necessidades do sector da Saúde, promover a despistagem precoce do cancro da mama e do colo do útero, a educação dos jovens para uma vida sexual saudável e a prevenção das Doenças Transmissíveis Sexualmente.
A conferência considerou crucial o acesso universal aos cuidados primários de saúde com qualidade, principalmente na vertente materna e infantil, para a melhoria dos indicadores nas comunidades, e alertou para a necessidade do reforço na participação comunitária e parcerias estratégicas em prol da saúde da mulher, promover a saúde das comunidades e a formação contínua das parteiras tradicionais e agentes comunitários.

Mitigar desigualdades


O Governo Provincial do Uíge prevê desenvolver, ainda este ano, uma série de acções especificamente dirigidas às mulheres, sobretudo as vulneráveis, para mitigar as desigualdades e propiciar uma saúde com maior equidade.
De acordo com o comunicado final do encontro, a saúde e o bem-estar da mulher e da criança, o acesso universal aos serviços de saúde com qualidade, assim como a busca de soluções destinadas a melhorar as condições de vida da população, são uma prioridade para o Governo, em prol do bem-estar das famílias.
Convidado a encerrar a conferência, o ministro da Saúde, José Van-Dúnem, reafirmou o compromisso de continuar a apoiar as acções do sector, com vista a garantir a melhoria do atendimento à população, sobretudo nas zonas mais recônditas.
Para o ministro, esta conferência enquadrou-se na dinâmica que o Ministério da Saúde pretende imprimir nas províncias do país, no que diz respeito à divulgação das experiências e consolidação das prioridades definidas.
José Van-Dúnem realçou que as políticas no domínio da Saúde, expressas na Constituição da República, na Política Nacional de Saúde e no Plano de Desenvolvimento Sanitário 2012/2025, reiteram o compromisso do Executivo de manter a saúde no topo da sua agenda.
“É o nosso compromisso e devemos fazer tudo para honrá-lo, pois a maioria dos angolanos depende essencialmente dos serviços nacionais de saúde. Por isso, a meta para a redução das taxas de mortalidade materna e infantil devem estar estabelecidas nos planos provinciais e municipais de desenvolvimento sanitário, para merecerem a correspondente prioridade no seu financiamento”, sublinhou. José Van-Dúnem reconheceu que ainda há muito por fazer para se atingirem os Objectivos do Desenvolvimento do Milénio.

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