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Formação profissional fomenta o auto-emprego

António Capitão | Uíge

Gonçalves Mucanda tem 15 anos de idade e já começa a alicerçar o seu futuro, através da formação técnica, profissional e académica. Vive com os pais no bairro Caquiuia, na cidade do Uíge.

Jovens defendem que lhes sejam dados kits como ferramenta de trabalho
Fotografia: Filipe Botelho | Uíge

Durante o ano, teve de levantar-se muito cedo todos os dias para caminhar até ao Instituto Médio Politécnico “Manuel Quarta Punza”, onde concluiu a 10ª classe, no curso de Electricidade.
Visionário, o adolescente preferiu começar já a conciliar a prática com a teoria, do curso em que se pretende profissionalizar academicamente. No início do ano, depois de ter iniciado as aulas no Instituto Médio Politécnico “Manuel Quarta Punza”, no período da manhã, decidiu inscrever-se no pavilhão de artes e ofícios “1º de Maio”, onde frequentou o curso técnico-profissional de Electricidade.
O pequeno revelou ao Jornal de Angola que, com a instrução que recebeu, está apto para fazer divisões de circuitos, instalações eléctricas em série e em paralelo em residências e noutras infra-estruturas. Com a profissão, que pretende culminar com a formação académica de nível médio, já pode garantir o seu auto-emprego.
“Há dias, fiz um pequeno biscate para a electrificação de uma moradia e me rendeu 12 mil kwanzas. Dos valores que obtive, parte deles dei aos meus pais e outra comprei algumas coisas que me faziam falta. Estou mais tranquilo com esta formação que tive, porque já dá sinais que, depois de completar 18 anos, estarei preparado para concorrer a um posto de trabalho numa empresa pública ou privada, ou então promover o meu auto-emprego, com a criação de uma micro empresa”, disse.
O jovem Alegria Bento, 24 anos, é agora mestre de Canalização. Apostou fortemente na formação técnica e profissional neste curso ministrado no pavilhão de artes e ofícios “1º de Maio” do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (Inefop).
Manobras com tubos de PVC ou polietileno acopladas a uniões, curvas e T são agora tarefas fáceis de serem feitas pelo jovem mestre, para projectos de canalização de água e esgotos em diversas infra-estruturas, seja de pequenas, seja de grandes dimensões, erguidas em zonas urbanas ou rurais.
“Temos aqui diversos esquemas para canalização de água fria e quente, rede de esgotos para estações de serviços, lavandarias, residências e chafarizes. Uma demonstração das habilidades que desenvolvemos durante o período de nove meses”, argumentou Alegria Bento, enquanto apresentava o projecto desenvolvido com os colegas de formação.
Conceição Kafuanda é outra jovem determinada a construir um futuro melhor para si. Frequentou e concluiu, no centro 1º de Maio, o curso de Economia Doméstica, que comporta as especialidades de Culinária, Pastelaria e Decoração. Para testarem as habilidades adquiridas durante a formação ela e um grupo de colegas tiveram um período de estágio de 30 dias no Hotel Bago Vermelho.Revela que a experiência tida na cozinha, na copa e como atendedora de bar e mesas, nesta unidade hoteleira de referência da cidade do Uíge, foi fantástica, uma vez que lhes permitiu desenvolverem mais actividades práticas da formação que adquiriram no centro de educação profissional.
“Se houver pessoas colectivas ou singulares interessadas em serviços de decoração, cozinha ou servir em casamentos, aniversários, conferências e outros eventos, estamos capacitadas e prontas para o trabalho. Queremos fazer desta profissão o garante do nosso ganha-pão”, assegurou. No acto formal do encerramento do ano de formação 2016, que decorreu numa das salas do pavilhão de artes e ofícios “1º de Maio”, João Gomes, o porta-voz dos formandos, solicitou às autoridades competentes  maior facilidade na empregabilidade destes profissionais, com vista a uma melhor consolidação dos conhecimentos que adquiriram.
Defendeu ainda a necessidade de lhes serem distribuídos kits com ferramentas de trabalho para o fomento do auto-emprego, com a criação de oficinas, centros de formação, alfaiatarias e outras pequenas empresas que vão poder garantir mais postos de trabalho para os jovens.“Das acções formativas em que estivemos engajados, foi possível assimilarmos conhecimentos teóricos e práticos que nos vão servir de baluarte para a nossa inserção no mercado de emprego, através do auto-emprego ou do primeiro emprego no sector estatal, misto ou privado”, disse.
O responsável do serviço provincial do Inefop no Uíge, Joaquim Cahoche, revelou que, neste ano, foram inscritos nos centros de emprego 1.685 jovens, para 695 ofertas. Neste ano, os dez pavilhões de artes e ofícios dos municípios do Uíge, Songo, Negage, Sanza Pombo, Maquela do Zombo, Bungo e Quitexe matricularam 932 formandos, dos quais 659 terminaram com êxito o ciclo formativo, assegurado por 54 formadores, para as especialidades de Informática, Electricidade, Canalização, Serralharia, Corte e Costura, Alvenaria, Mecânica, Carpintaria, Economia Doméstica e Agricultura.

Centros privados

Nos 20 centros privados de formação profissional que o Inefop tem cadastrados,   foram formados, neste ano, 2.464 profissionais em diversas áreas.
 Joaquim Cahoche fez ainda saber que, desde 2011, já foram formados técnica e profissionalmente 5.388 jovens em distintas especialidades.“Nossa gratidão vai para as empresas do ramo da hotelaria e similares e de construção civil que têm aberto as suas portas para receberem os nossos formandos nos períodos de estágios. Tencionamos implementar, no próximo ano, o curso de Frio e expandirmos os de Culinária e Informática a outros municípios. Vamos também capacitar os formadores dos centros privados com vista a se atingir o grau de capacitação pedagógica exigido pelo sistema nacional de formação profissional”, disse.
O director provincial da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Justino Domingos, sublinhou que o Executivo está comprometido com a formação técnica e profissional dos jovens e tem promovido políticas direccionadas para o alcance deste objectivo, com a criação de centros ou pavilhões de artes e ofícios e envio de unidades móveis, onde estas infra-estruturas não existam.
“Têm sido promovidas acções de formação da juventude, para que estes sejam capacitados com profissões que lhes permitam promover o auto-emprego ou a concorrerem para um posto de trabalho “, disse.

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