Províncias

Gestores escolares têm de ser mais rigorosos

António Capitão | Uíge

O governador provincial do Uíge pediu na quarta-feira aos directores das escolas para trabalharem mais em prol do bom funcionamento dos estabelecimentos de ensino da região, com base no rigor e competência na gestão das instituições.

Melhoria do sistema educativo não passa apenas pelas acções de construção de mais salas mas também pela formação dos docentes
Fotografia: Mavitidi Mulaza| Uíge

Paulo Pombolo salientou que os gestores escolares devem fortalecer a cultura da denúncia dos erros e comportamentos que atentam contra o bom funcionamento do sector.
O governador, que falava durante a II Conferência Provincial da Educação, disse ser necessário que os responsáveis das instituições de ensino actuem com firmeza na tomada de medidas que combatam a fraude nas escolas.
Os directores das escolas são o sustentáculo para a promoção do bom funcionamento dessas instituições, realçou, daí serem fundamentais para que o processo de ensino e aprendizagem atinja os níveis qualitativos desejados.
“O director de uma escola é como uma placa giratória onde gravitam todos os problemas que o sector da Educação enfrenta, desde a existência de professores com fraca qualificação, aos ausentes do local de serviço, funcionários com dupla efectividade e portadores de outros comportamentos que desqualificam o funcionamento do sector”, apontou.
Paulo Pombolo disse que a qualidade e a regularidade do funcionamento das instituições escolares passa pela forma como os seus responsáveis as gerem, acrescentando que é por essa razão que eles devem ser responsabilizados pela falta de higiene nas escolas, existência de professores que auferem salários sem trabalhar, pelos erros na atribuição de notas administrativas por ausência dos docentes e outros males que desprestigiam o sector da educação.Em função disso, considerou ser necessário um esforço conjunto para melhorar a educação e instrução dos filhos. “Quando não se tem um bom director na escola, de nada servem as previsões de alcance de um ensino de qualidade, tendo em conta que o responsável pela gestão dos programas e políticas educacionais nas escolas não as aplica”, sublinhou.
O governador do Uíge exortou os gestores escolares a não dirigirem as suas instituições, com base no sentimento de compadrio. Pelo contrário, devem pautar-se pela utilização de métodos de gestão que conduzam à prestação de serviços públicos de qualidade.

Qualificação dos docentes

Paulo Pombolo afirmou que a melhoria do sistema educativo não passa apenas pelas acções de construção de mais salas de aulas ou pelo aumento do número de professores, mas também pela formação qualitativa dos docentes. Para o ilustrar, referiu que a existência de angolanos com formação de qualidade e competências para o garante do futuro do país depende da qualificação dos docentes, que vão transmitir os conhecimentos adquiridos durante todo o processo formativo.
“Não basta apenas criar ou construir infra-estruturas escolares para se poder albergar os milhares de alunos que, anualmente, ingressam no sistema de ensino.  A nossa maior responsabilidade recai na preparação permanente dos quadros que garantam o funcionamento do sector, e para que o processo de ensino e aprendizagem tenha a qualidade desejada”, sublinhou.

Melhorias no sector

O governador referiu que o sector registou grandes progressos, desde 2002 até aos dias de hoje, com destaque para o aumento de alunos no sistema normal do ensino, a admissão de milhares de professores e a construção de várias salas de aulas.
No período em análise, o número de alunos matriculados nas escolas do ensino primário passou de 158.436 para 273.739, um aumento de quase 73 por cento.
Se, em 2002, as escolas secundárias da província albergavam 8.622 alunos, no ano passado o número subiu para 65.198 matriculados.
O número de salas, que era de 1.029, é agora de 1.200, enquanto os técnicos médios formados na província eram 5.142, há dez anos, enquanto no ano passado atingiram os 21.284. Paulo Pombolo assegurou que o Governo Provincial vai continuar a empreender esforços, com o objectivo de melhorar o processo de ensino e aprendizagem, assim como na resolução de vários problemas do sector da Educação.
O Governo Provincial, garantiu, tem recursos financeiros para construir e reabilitar mais escolas, promover acções de formação periódica dos professores, directores de escolas e principais gestores da direcção provincial da Educação.  Também existem recursos financeiros para a aquisição de meios de transporte para facilitar os trabalhos de inspecção escolar, das repartições municipais e da própria direcção provincial da Educação.

Tempo

Multimédia